- Política

Aprovação de Bolsonaro cai 15 pontos

O presidente Jair Bolsonaro foi à Câmara nesta quarta-feira (20) entregar o projeto de lei do sistema de proteção social dos militares das Forças Armadas, que altera regras de aposentadoria da categoria, e o assunto é um dos destaques nos principais jornais brasileiros.

Entre as mudanças propostas pelo governo na previdência dos militares, estão o aumento do tempo de serviço, que sobe de 30 para 35 anos para homens e mulheres, e o aumento da alíquota previdenciária, que vai subir gradualmente até atingir 10,50% em 2022.

A Folha de S.Paulo afirma que, em troca de uma decisão que fechasse o projeto de lei, Bolsonaro propôs a concessão de altas nos salários, em gratificações e adicionais dos militares.

As contrapartidas oferecidas representam um gasto de R$ 86,85 bilhões em 10 anos e não agradaram a base do governo, que já se movimenta para conseguir benefícios para outras categorias. O secretário de Previdência, Leonardo Rolim, afirmou que os congressistas têm autonomia e “podem fazer correções” no projeto.

A expectativa do governo é economizar R$ 10,45 bilhões em 10 anos com as mudanças na aposentadoria dos militares. O valor representa 1% do que o governo espera economizar com a reforma da Previdência dos civis. “Reforma para os militares desagrada a governistas”, sublinha a manchete da Folha.

A economia que será gerada pela reforma dos militares também é foco do Globo, que enfatiza que a projeção apresentada “frustrou as expectativas” de redução do déficit no sistema de aposentadorias e pensões das Forças Armadas.

Segundo o matutino carioca, a economia prevista inicialmente era de R$ 97,3 bilhões em 10 anos, mas passou a ser de R$ 10,45 bilhões por causa da reestruturação da carreira militar, que terá a criação e ampliação de gratificações para a categoria. O Globo ressalta que o projeto não foi bem recebido pelo mercado e a Bolsa registrou queda de 1,55%.

De acordo com o projeto apresentado pelo governo, os militares que já estão na ativa terão que cumprir os 30 anos de serviço já previstos anteriormente. O aumento do tempo para 35 anos na ativa só valerá para quem acabou de ingressar nas Forças Armadas.

Questionado também sobre o tratamento diferenciado recebido pelos militares, Rolim colocou a categoria no mesmo grupo de trabalhadores com regras especiais, como os professores. “Sempre dissemos que tratar desiguais como iguais é injustiça”, disse Leonardo Rolim. “Economia com reforma para militares fica abaixo do previsto”, destaca o título principal do Globo.

Os principais jornais brasileiros também repercutem a pesquisa divulgada pelo Ibope nesta quarta-feira (20) sobre a popularidade de Jair Bolsonaro. O Globo, O Estado de S.Paulo e a Folha de S.Paulo dão destaque ao assunto na primeira página e mostram que a avaliação positiva do governo caiu 15 pontos desde janeiro deste ano.

Segundo a nova pesquisa, 34% dos entrevistados consideram o governo bom ou ótimo. O percentual era de 49% em janeiro. O Globo enfatiza que o índice de Bolsonaro é pior do que o de seus antecessores no terceiro mês do primeiro mandato. Dilma Rousseff, por exemplo, tinha um governo avaliado como bom ou ótimo por 56% dos entrevistados no terceiro mês de seu primeiro mandato como presidente.

Além dos 34% que consideram o governo bom ou ótimo, o Ibope registra que 24% dos entrevistados classificaram a atual administração como ruim ou péssima.

Na primeira página, o Estadão registra ainda que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reagiu à pressão feita pelo ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) para que a Câmara coloque o pacote anticorrupção em votação.

Durante um evento realizado nesta quarta (20), Moro afirmou que conversaria com o presidente da Câmara para que ele reavaliasse a decisão de criar um grupo para discutir a sua proposta por 90 dias antes de enviá-lo a uma comissão. Maia reagiu à declaração e disse que a prioridade é a reforma da Previdência.

“Moro está desrespeitando acordo meu com o governo. Nosso acordo é priorizar a reforma da Previdência. Espero que ele entenda que hoje ele é ministro de Estado. Ele está abaixo do presidente”, disse Rodrigo Maia. O presidente da Câmara ainda se referiu a Moro como “funcionário de Bolsonaro” e afirmou que o ministro conhece pouco política.

O Estadão ainda dá ênfase à reforma da Previdência para os demais trabalhadores brasileiros e apresenta levantamento sobre a quantidade de votos que a proposta já possui entre os deputados na Câmara.

De acordo com o levantamento, que consultou 97,6% da Câmara, o governo já tem pelo menos 180 votos favoráveis à proposta da reforma, desde que sejam feitas alterações no texto. Desse total, 61 deputados votariam a proposta sem realizar nenhuma mudança. No total, 501 deputados foram consultados.

Os parlamentares pretendem alterar pontos como as novas regras para a aposentadoria rural e o pagamento de benefício aos idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. O matutino paulista lembra que, em entrevista, o ministro Paulo Guedes (Economia) afirmou que uma mudança no item do Benefício de Prestação Continuada (BPC), paga aos idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, poderia facilitar a aprovação da proposta.

Apesar das mudanças que devem acontecer, o Estadão afirma que os pontos cruciais da reforma como a idade mínima e as regras de transição para os trabalhadores da ativa têm o apoio da maior parte dos deputados consultados.

Fonte: G1


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