- Política

Pivô de crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro, André Fernandes reafirmou apoio a Ciro Gomes um dia antes de vídeo da ex-primeira-dama

Um dia antes de Michelle Bolsonaro publicar um depoimento nas redes sociais em que diz ter sido humilhada por Flávio Bolsonaro, o deputado federal André Fernandes (PL), pivô da briga entre os dois, declarou que Michelle poderia fazer “o que quiser” com sua oposição à aliança do Partido Liberal (PL) com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará e afirmou que “do Ceará quem deve falar é o cearense”.

As declarações de Fernandes foram feitas na terça-feira (23), durante visita ao município de Sobral, na região norte do estado. Questionado por veículos de imprensa locais sobre a oposição de Michelle ao apoio a Ciro, o deputado federal – que é presidente estadual do PL – afirmou que a decisão do partido já havia sido tomada.

“Eu voto Ciro Gomes, já deixei isso 100% claro, não escondo isso para ninguém”, afirmou André. Ao ser lembrado do episódio em que Michelle o criticou, durante um comício, pelo apoio a Ciro, André respondeu: “Ela faz o que ela quiser. O meu voto é Ciro Gomes”.
Pivô de crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro, André Fernandes reafirmou apoio a Ciro Gomes um dia antes de vídeo da ex-primeira-dama — Foto: Reprodução
Pivô de crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro, André Fernandes reafirmou apoio a Ciro Gomes um dia antes de vídeo da ex-primeira-dama — Foto: Reprodução

O episódio citado aconteceu em um comício do qual ela participou em Fortaleza (CE) no fim de 2025. À época, Michelle lembrou que Ciro havia criticado duramente Jair Bolsonaro e seus filhos na época em que ele era presidente e afirmou que o apoio articulado por André Fernandes era precipitado.

“É sobre essa aliança que vocês se precipitaram a fazer. Eu tenho orgulho de vocês, mas fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, assim não dá”, disse Michelle no comício de 2025, olhando para Fernandes.

Apoio a outro candidato
No Ceará, Michelle defende a candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao Governo do Estado. Conforme Michelle, Girão representa os valores defendidos por Bolsonaro. Ela avalia que um apoio do PL a Ciro só deveria ocorrer em um eventual segundo turno.

Após a crítica de Michelle, o diretório nacional do PL chegou a suspender as conversas do partido no Ceará com o PSDB de Ciro Gomes. No entanto, em maio deste ano, o PL oficializou apoio a Ciro, movimento que Michelle voltou a criticar no dia 22 de junho, dois dias antes de publicar os vídeos no qual reclama de Flávio.

Michelle também critica a articulação do partido para lançar o deputado estadual Alcides Fernandes (PL), pai de André, para o Senado pelo Ceará. Ela defende o nome da deputada federal Priscila Costa (PL) para o Senado, e nos últimos meses viu a candidatura de Priscila ser preterida em prol de Alcides.

“Ver o que estavam fazendo no Ceará contra um candidato leal [Girão] e contra uma mulher fiel [Priscila], ambos da direita, foi ruim. Mas o que aconteceu quando voltei para Brasília foi muito pior. Antes de seguir, eu preciso que você entenda bem o motivo pelo qual eu não poderia ficar calada diante de uma aliança com Ciro Gomes no primeiro turno, enquanto temos um candidato verdadeiramente de direita [Girão] que, com o apoio que o André tem, seria um candidato competitivo”, destacou.
No depoimento, Michelle também afirmou que a candidatura de Priscila havia sido acordada diretamente com Jair Bolsonaro.

“Não honrar essa determinação do meu marido será um ato de traição contra Jair Messias Bolsonaro […]Já que a aliança com Ciro é tão boa, por que o André não disponibiliza a vaga de seu próprio pai? Por que só a mulher tem que ceder?”, questionou Michelle.

Quem são os nomes que aparecem na briga
Segundo Michelle, Ciro Gomes foi o principal responsável “pelo processo que levou à inelegibilidade do meu marido”. “Durante a pandemia, numa live com outros esquerdistas, ele incentivou e conclamou as pessoas a chamarem o meu marido de genocida e pediu que repetissem isso o tempo todo”, disse.

Ela citou ainda que o ex-governador do Ceará havia chamado Bolsonaro e seus filhos, incluindo Flávio, de corruptos e bandidos. De acordo com Michelle Bolsonaro, logo após o discurso em Fortaleza no qual criticou André Fernandes, Flávio Bolsonaro telefonou para ela e eles discutiram.

“Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi”, narrou.

Na época, os outros filhos de Bolsonaro se posicionaram a favor de Flávio e de André Fernandes. Eduardo Bolsonaro chegou a dizer que Fernandes havia sido “injustamente exposto” por Michelle.

Após dos enteados, Michelle publicou uma nota dizendo respeitar a opinião deles, mas discordar dela. “Aqueles que defendem essa aliança são livres para continuar com ela, mas não deveriam me criticar por não aceitá-la. Eu tenho o direito de não aceitar isso, ainda que essa fosse a vontade do Jair (ele não me falou se é)”, afirmou à época.

A discussão descrita por Michelle envolve:

André Fernandes: deputado federal e presidente do PL Ceará, André articulou desde 2025 uma aproximação do Partido Liberal ao PSDB de Ciro Gomes; defende uma união de grupos à direita em torno de um candidato para enfrentar o governador Elmano de Freitas (PT); também defende que o seu pai, Alcides Fernandes, seja o candidato do PL ao Senado;
Ciro Gomes: ex-ministro e ex-governador do Ceará, foi lançado pré-candidato do PSDB ao Governo do Ceará em 16 de maio deste ano; o evento contou com participação de lideranças do PL;
Eduardo Girão: senador do Ceará, é pré-candidato do partido Novo ao Governo do Estado; tem apoio de Michelle Bolsonaro;
Alcides Fernandes: deputado estadual pelo PL, é pai de André Fernandes e foi lançado pelo filho como candidato do partido no Ceará ao Senado;
Priscila Costa: vereadora de Fortaleza pelo PL, irá assumir a vaga de deputada federal que era de Dayany Bittencourt (União), esposa de Capitão Wagner (União) – outro nome forte da direita no Ceará. Em 2025, Priscila foi lançada por Michelle Bolsonaro como candidata do PL ao Senado no Ceará.

Fonte: G1


There is no ads to display, Please add some