- Política

Queiroga diz que a decisão de não nomear Luana Araújo foi dele; senadores veem contradição

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou nesta terça-feira à CPI da Covid que a decisão de não nomear a infectologista Luana Araújo para um cargo no ministério foi dele.

Em depoimento à CPI na semana passada, Luana disse que Queiroga havia lhe comunicado que seu nome não seria aprovado no governo, por isso ele não a efetivaria.

No início da gestão de Queiroga, ele anunciou Luana como a futura secretária da Secretaria de Enfrentamento à Covid. Ela trabalhou 10 dias sem ser nomeada. Depois, recebeu a notícia de que não seria efetivada.

Nesse intervalo, foram reveladas na imprensa manifestações anteriores da infectologista contra ideias defendidas pelo presidente Jair Bolsonaro, como o “tratamento precoce”‘, que não tem eficácia contra a Covid.

Nesta terça, Queiroga diz que partiu dele a decisão de tirar Luana da equipe.

“Eu entendi que, naquele momento, a despeito da qualificação que a dra. Luana tem, não seria importante a presença dela para contribuir para harmonização desse contexto. Então, no ato discricionário do ministro, decidi não efetivar a sua nomeação”, afirmou Queiroga.

Os senadores da comissão começaram a relembrar a diferença entre a fala de Luana e a de Queiroga.

“Alguém mentiu. Ou o senhor ou ela”, afirmou Eliziane Gama (Cidadania-MA).

No Twitter, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) disse que “dá tristeza” ver um médico com carreira de 30 anos mentir para se manter no ministério.

“Dá tristeza ver um cidadão com mais de 30 anos de carreira na medicina se sujeitar a mentir desse jeito para se agarrar a um cargo de ministro. Queiroga tenta assumir a negativa de nomeação da Dra Luana como opção sua. Ele mesmo apontou para o presidente em declaração anterior”, disse o senador.

Integrantes da comissão insistiram em saber de Queiroga se houve algum veto ao nome de Luana por parte do Palácio do Planalto.

“Senador, eu volto a esclarecer, não houve óbices formais da Secretaria de Governo e da Casa Civil. Não houve óbices formais”, respondeu o ministro.

O que Luana disse

Questionada pela CPI na semana passada sobre as circunstâncias que a levaram a não ser efetivada no cargo, a infectologista respondeu:

“O ministro, com toda hombridade que ele teve ao me chamar, ao fazer o convite, me chamou ao final e disse que lamentava, mas que a minha nomeação não sairia, que meu nome não teria sido aprovado”, disse Luana.

Após ser questionada pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) se a decisão de não nomeá-la teria partido de Queiroga, Luana disse que o ministro demonstrou “pesar” e que “não teria lógica” se a decisão tivesse partido dele.

“Não sei se foi uma instância superior, o que eu posso dizer é que não me parece ter sido dele, não teria lógica. Isso ficou claro para mim. Não existe razão para que a gente chegasse naquele ponto, e naquela circunstância, e naquele pesar se isso fosse uma decisão privada, assim, única e exclusivamente dele, eu não vejo razão para isso ter acontecido”, afirmou.

Fonte: G1

 


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