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Cruzamento de dados ajuda no trabalho para localizar vítimas

“A gente não está buscando corpos. A gente está buscando pessoas o tempo inteiro. E cada uma dessas pessoas carrega uma história, carrega uma trajetória”, afirma a tenente Luiza, que está entre os 2.200 militares que já passaram pela operação de resgate em Brumadinho.

Conhecer detalhes e hábitos de quem trabalhava na Mina do Córrego do Feijão quando a barragem B1 se rompeu no dia 25 de janeiro faz parte do trabalho de inteligência desenvolvido pela tenente e por outros militares do Corpo de Bombeiros que atuam ininterruptamente nas buscas. Até agora, 22 pessoas continuam desaparecidas.

As fotos de cada uma das vítimas ainda não encontradas, coladas entre mapas e esboços do trabalho de buscas na parede da sala de comando do Corpo de Bombeiros, na Base Bravo, faz parte da estratégia da equipe de inteligência. Os nomes, hábitos, roupas e locais onde essas pessoas possivelmente estavam e com quem estavam no momento da tragédia é de conhecimento de todos os militares que estão à frente do planejamento das ações de resgate.

Além de informações detalhadas sobre as vítimas, estudos de movimentação da lama e cruzamento de dados são primordiais para definir as áreas prioritárias de buscas. Segundo o Corpo de Bombeiros, os desaparecidos estão espalhados por uma área de 4 milhões de metros quadrados, que acumula mais de 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos.

A tenente Luiza foi uma responsáveis pelo ineditismo do trabalho de inteligência desenvolvido na corporação. Ela entrou para a operação no dia em que completou 27 anos, em 9 de fevereiro, enquanto ainda se recuperava de uma fratura na perna. Como não podia atuar em campo, partiu da coleta de relatos de sobreviventes e de familiares para ajudar a definir as diretrizes para as equipes localizarem as vítimas.

“Primeiro, a gente levantou muitos dados. Enquanto isso, as equipes já estavam em campo (…) Nós conseguimos fazer com que as equipes fossem alocadas de maneira mais estratégica através da identificação do ponto de origem daquelas pessoas, onde estavam sendo localizadas e quem mais poderia estar com elas”, contou tenente Luíza.

Um dos braços direitos dela no trabalho de inteligência foi Romero Oliveira Xavier, gestor de produção da Reframax, empresa que prestava serviços à Vale. Ele trabalhava na mina desde 2010 e havia saído poucas horas antes do rompimento da barragem para fazer um exame periódico.

“Como eu sabia a rotina das pessoas e onde elas estavam trabalhando no momento, eu abasteci de informações o Corpo de Bombeiros, de forma que tínhamos o ponto inicial onde estas pessoas estavam trabalhando. Quando a gente encontrava algum corpo, ou segmento, ou até mesmo equipamentos, a gente sabia qual era o ponto inicial e onde poderiam ter mais vítimas”, afirmou.

Segundo Romero, foram mais de 70 dias fornecendo informações aos militares. Pelo menos 40 corpos de companheiros de trabalho foram localizados. Três deles estavam em um veículo, a cerca de 13 metros de profundidade. “A gente estava fazendo instalação de rede de hidrante para adequação da mina. Quando vimos que a tubulação que era utilizada no serviço foi parar a mais de 400 metros de distância, resolvemos investir naquela área. Foi quando encontramos as três pessoas na Duster”, contou.

Fonte: G1


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