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Investigado por desvios na Saúde do RJ, Edmar Santos volta a dar aulas na Uerj

O ex-secretário Estadual de Saúde, Edmar Santos, que responde na justiça por desvio de dinheiro público durante a pandemia, voltou a dar aulas na Uerj. Segundo a instituição, ele dá aulas de anestesiologia, de forma remota, na Faculdade de Ciências Médicas.

Atualmente, o ex-secretário recebe dois salários do estado do RJ — R$ 17 mil como tenente coronel da Polícia Militar e R$ 10 mil como professor médico do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da universidade.

Santos estava afastado da Uerj, mas a licença terminou em fevereiro.

A Uerj informou que abriu uma sindicância e um Processo Administrativo Disciplinar para apurar as denúncias contra o ex-secretário, mas, por ser funcionário público, ele não pode ser afastado das funções até que a sindicância seja concluída.

Segundo a Uerj, as irregularidades praticadas por Edmar Santos quando estava à frente da direção do Hospital Pedro Ernesto foram referentes ao recebimento de propina junto a empresas fornecedoras, que recebiam pagamento direto do governo do estado e não do hospital.

Réu por improbidade administrativa
Na semana passada, Edmar Santos virou réu por improbidade administrativa, no processo que investiga possíveis fraudes na compra de mil respiradores para o tratamento de pacientes com a Covid-19.Suspeito por participar de um suposto esquema de desvio de dinheiro público no Governo do Estado durante a pandemia da Covid-19, Edmar foi preso em julho de 2020.

Entre as suspeitas de fraudes, inclusive já apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), estão irregularidades em contratos firmados sem licitação, entre eles, o de compra de respiradores, oxímetros e medicamentos e o de contratação de leitos privados. O governo do RJ gastou R$ 1 bilhão para fechar contratos emergenciais.

Na ocasião, foi deferido pela Justiça o arresto de bens e valores de Edmar até o valor R$ 36.922.920,00, que, segundo o MP é equivalente aos recursos públicos desviados em três contratos fraudados para aquisição dos equipamentos médicos.

Procurada, a defesa de Edmar Santos preferiu não se manifestar.

Delação premiada
Pouco menos de um mês depois de ser preso, o ex-secretário estadual foi solto a pedido do Ministério Público. Antes de sair da cadeia, Edmar fechou um acordo de colaboração premiada.

Na delação, o ex-secretário envolveu o então governador Wilson Witzel em casos de corrupção na Saúde. As informações passadas por Edmar ajudaram a Justiça a denunciar Witzel, pastor Everaldo e mais 11 pessoas por corrupção e lavagem de dinheiro.

As investigações do MP apontaram que Witzel solicitou, aceitou promessa e recebeu vantagens indevidas no valor de aproximadamente R$ 53 milhões. Em todas essas manobras, ele atuou ao lado do pastor Everaldo, de Edmar Santos e do empresário Edson da Silva Torres.

Esquema criminoso
As investigações envolvendo o governador afastado do Rio de Janeiro tiveram início na Procuradoria da República no RJ e no Ministério Público estadual (MP/RJ). Por conta do foro privilegiado de Witzel junto ao STJ, as acusações foram enviadas à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Essas informações deram origem às operações Placebo e Favorito.

Com as novas investigações, foi deflagrada a Operação Tris in Idem, que culminou no afastamento temporário de Witzel do governo e a prisão preventiva de vários integrantes do Executivo estadual.

Fonte: G1


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