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Matemáticas respondem por 26% do total de cientistas, mas só 11% das bolsas do CNPq vão para elas

Atualmente, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) tem 408 bolsas vigentes de produtividade em pesquisa (PQ), um tipo de financiamento destinado a cientistas que já têm mestrado, doutorado e uma sólida carreira de pesquisa. Mas as mulheres receberam apenas 11% das bolsas destinadas à pesquisa em matemática, probabilidade e estatística, segundo um levantamento feito pelo G1 com os dados disponíveis nesta quinta-feira (25).

A participação feminina atual entre os recipientes de bolsas de produtividade nessa área é mais baixa do que era, no século passado, a proporção de brasileiras matemáticas na produção de conhecimento: segundo um levantamento feito pela empresa de publicações científicas Elsevier, entre 1996 e 2000, 18,9% dos nomes de cientistas que publicavam artigos sobre matemática já eram de mulheres. Entre 2011 e 2015, esse número subiu para 25,8%.

Neste sábado (27) e domingo (28), quase 500 pesquisadoras e pesquisadores se reúnem no Rio de Janeiro no Encontro Brasileiro de Mulheres Matemáticas, para debater como reduzir a disparidade de gênero atual na pesquisa da área.Financiamento e reconhecimento
A bolsa de produtividade do CNPq é outorgada por meio de editais abertos pelo conselho, nos quais os e as cientistas inscrevem seus projetos de pesquisa.

Ao contrário de bolsas como iniciação científica, mestrado e doutorado, destinadas a estudantes, a bolsa PQ financia professores pesquisadores de universidades. O valor serve de complemento para financiar as pesquisas, permitindo gastos de produção e com viagens a congressos e divulgação do trabalho.

“É uma importante forma de financiamento, e também um reconhecimento do trabalho e da contribuição desses e dessas cientistas”, explicou ao G1 Carolina Araújo, que é matemática titular do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e uma das organizadoras do evento neste fim de semana.O órgão disse ainda que desenvolve várias ações para enfrentar este desafio (leia mais abaixo), e afirmou que, do total de bolsas de produtividade em pesquisa de 2018, considerando todas as áreas do conhecimento, e não só matemática, 35,18% foram para mulheres – um número que permaneceu estável na última década.Já considerando a área de ciências exatas e da terra, o que inclui matemática, probabilidade e estatística e outras subáreas, os dados mostram que cai para 19,15% o número das bolsas PQ que foram para mulheres.

Levantamento
Para levantar os dados, o G1 usou a mesma metodologia de um estudo publicado em 2018 por Araújo: analisando e separando os nomes de homens e os de mulheres, já que essa distinção não é pública. O estudo só considerou a lista de bolsas para as áreas de “matemática” e de “probabilidade e estatística”, e não levou em conta quatro bolsas que estão listadas como “suspensas” pelo CNPq e analisou 408 nomes, alguns repetidos com projetos financiados em períodos diferentes.

Os nomes de pesquisadores estrangeiros ou que podem ser de um ou outro gênero foram inseridos em outras bases de dados, como as páginas profissionais dos cientistas ou de suas universidades, para verificar seu gênero.

No total, 363 são nomes masculinos, e 42 são femininos. Outros três nomes não foram possíveis de serem verificados. Considerando os últimos dois grupos, o total de bolsas que foram outorgadas a mulheres chega a 11%, um valor semelhante ao do estudo de 2018, que identificou até 12% de bolsas destinadas a matemáticas mulheres.

Pirâmide da desigualdade
Araújo também fez um recorte por nível de bolsa: considerando apenas o reconhecimento mais alto do CNPq nos editais, o da bolsa de produtividade PQ-1A, a representativade das mulheres caiu para menos de 10%, também considerando uma estimativa conservadora a respeito dos nomes não verificados.Ciência geral x ciências exatas
A pesquisadora cita o estudo da Elsevier para mostrar que as estatísticas atuais de bolsistas do CNPq não condiz com a representatividade total das mulheres no campo científico da matemática.

Usando metodologia parecida, a pesquisa analisou milhões de nomes de pesquisadores e pesquisadoras de 12 nacionalidades diferentes, por meio de levantamento em diferentes bancos de dados e atribuição de gênero aos nomes levantados. O resultado dos dados mais recentes, referentes ao período entre 2011 e 2015, aponta que Brasil e Portugal estão empatados no topo do ranking de países com maior participação de nomes de mulheres nessa lista: 49%.

No entanto, quando o recorte é feito por área do conhecimento, a participação das mulheres em ciências exatas cai consideravalmente. No caso da matemática, a produção científica brasileira entre 2011 e 2015, período da análise mais recente da Elsevier, só teve 25,8% de participação feminina, um avanço em comparação aos 18,9% registrados no século passado.

Fonte: G1


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