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Rompimento de barragem em Mariana causou danos irreversíveis à foz do Rio Doce

O rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), causou alterações na foz do Rio Doce, em Linhares (ES), que podem ter efeitos permanentes. Isto é o que aponta o estudo de uma aluna de doutorado do Instituto de Geociências (IG), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Keyla Coimbra é autora de um artigo, feito em parceria com os orientadores Carlos Roberto de Souza Filho (Unicamp) e Enner Alcântara (Unesp), que atesta os danos causados pelo rompimento.

Os resultados encontrados na pesquisa apontam que a pluma de sedimentos – locais onde o rio deságua no mar, formando uma área caracterizada pelo sedimento que o rio lança ao oceano – foi bastante alterada.

Impactos na vida aquática
A pesquisadora contou que a grande quantidade de sedimentos suspensos na água reduz a entrada de luz solar na mesma, reduzindo a fotossíntese das plantas aquáticas da região. “Ela fornece alimento que suporta grande parte da cadeia alimentar no oceano, além do oxigênio dissolvido para a água. A radiação solar é a principal fonte de calor para a coluna d’água”.A longo prazo, explicou Coimbra, a ausência de luz na água reduz o potencial de crescimento da fauna e da flora. “Não sabemos se ou quando o ecossistema costeiro da região afetado voltará as condições ecológicas de antes do desastre”.

Estudos comparativos
O estudo também trouxe uma comparação entre a quantidade de sedimentos depositados pelo rompimento e as chuvas que aconteceram em Minas Gerais e Espírito Santo em 2013, que trouxeram uma inundação acima do esperado.“Constatamos que essa chuva intensa de 2013 também produziu o carreamento de uma grande quantidade de sedimentos para a foz do Rio Doce. Daí surgiu a motivação de comparar os efeitos dessa chuva intensa com o evento de Fundão”, relatou a doutoranda.

Diferente de 2013, quando a situação foi regularizada gradualmente e de forma natural poucos meses após o ocorrido, a situação causada pelo rompimento da barragem continua a trazer preocupações. “A grande quantidade de rejeito foi levada para o oceano, através do Rio Doce, e formou também uma pluma de sedimentos que alcançou grandes distâncias”, contou a pesquisadora.

Arquipélago de Abrolhos
A próxima fase do estudo consiste em investigar se o rompimento da barragem pode ter afetado também o Arquipélago de Abrolhos, no litoral sul da Bahia. O local é considerado a primeira unidade de conservação marinha criada no país e possui a maior biodiversidade marinha do Brasil e da região do Atlântico Sul.

Fonte: G1


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