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Após percorrer rio, vacinas chegam a comunidade rural de Manaus para imunizar idosos contra Covid-19

Se vacinar a população de uma cidade grande contra a Covid-19 já é difícil por conta da logística – que vai desde o armazenamento das doses, definição de grupos prioritários até notícias falsas, passando pela falta de imunizantes – , imagine fazer todo esse processo em uma comunidade rural, cujo único acesso é de barco, distante dos grandes centros urbanos. Esse é o caso da comunidade Agrovila, na área ribeirinha de Manaus, que recebeu a primeira fase da imunização dos idosos de 69 a 65 anos na terça-feira (9).Para chegar até o local, o grupo de agentes de saúde da Prefeitura de Manaus e militares da Marinha, que ajudam na operação, percorreram um pouco mais de 20 minutos de ‘rabeta’ – uma espécie de barco menor e mais rápido -, sobre o extenso Rio Negro.Lá, 20 idosos foram vacinados. Entre eles, o seu Ivan da Silva, de 68 anos. O aposentado foi um dos primeiros a chegar no centro social, prestou atenção em todas as orientações da equipe de saúde e não escondia a ansiedade em tomar a vacina. Disse não ter medo, mas foi desafiado pelos amigos, em tom de brincadeira, a não chorar.”A gente ouve muitas fake news, mas eu falei pra minha esposa que não acredito nisso, não. A humanidade inteira está esperando isso. Será uma saída para esse vírus que vem assolando todo o mundo. Acredito que Deus capacita o homem pra fazer isso através da medicina. Por isso, é importante todo mundo se vacinar”, contou.

O aposentado mora há 20 anos na comunidade. Segundo ele, nunca se acostumou com a rotina de uma cidade grande como Manaus e encontra no local, ao lado da esposa e da família, paz e sossego. Questionado se já foi infectado pela Covid-19, diz não saber.A gente convive com muita gente, né? E, às vezes, a pessoa não sabe se pegou. Mas sintomas nunca tive, não senhor. Eu estava era ansioso pela vacina, sabe? Não era ansioso em si. Era meio que esperançoso. Creio que vai dar certo. Tenho muita fé”, explicou.

Quem também recebeu a vacina contra o coronavírus foi o aposentado Raimundo Ataíde, de 65 anos. Ele é tesoureiro da Agrovila e vice-presidente do conselho de saúde do local, e também estava ansioso. Acompanhou por toda a parte os agentes de saúde e se orgulhou em dizer que já tinha idade para se vacinar.”Aqui, graças a Deus, não tivemos nenhum óbito. Mas tivemos alguns casos. Moram aqui cerca de umas 170 famílias. E quando vimos que a situação da pandemia agravou em Manaus, colocamos umas placas informativas pedindo que as pessoas de lá [Manaus] não viessem com frequência para cá, e nem fosse daqui para lá”, afirmou.

A agente de saúde da UBS local, Maria Ione, foi a responsável por fazer a busca ativa dos idosos que receberam a imunização. Ela trabalha na comunidade há 10 anos e explicou como é feito o trabalho de acompanhamento das famílias. A sensibilidade e a proximidade com as pessoas são características marcantes no seu trabalho, cansativo, mas feito com muito amor.

“Toda quarta-feira uma equipe vem até a comunidade para alguns serviços, como o atendimento médico e alguns outros. Com a pandemia, muitas pessoas nos procuraram, fizemos o acompanhamento e deu tudo certo. Agora com a vacinação a gente espera que possa ajudar também”.

Foi a agente quem mapeou e ajudou a levar a vacina até a casa da dona Verenildes da Silva. Ela mora a dez minutos de barco, da comunidade, com o neto. Do alto da casa, uma palafita de madeira, acompanhava atenta a chegada dos vacinadores.

Para eles, contou que foi infectada pelo vírus e precisou ser levada para Manaus, após agravamento do quadro de saúde. Agora, vacinada, ela não esconde esperar dias melhores.

“Quase que eu morria. Tive febre por 10 dias, aí fui levada para Manaus. Fiquei três dias na UPA e depois fui levada para o Platão Araújo, mas graças a Deus peguei alta. E agora receber a vacina é uma esperança, né? Fiquei muito feliz”, concluiu.

Fonte: G1/AM

 


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