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Artista plástico venezuelano busca oportunidades de trabalho em Manaus: ‘A ideia é seguir adiante’

As marcas de tinta nas mãos dão sinais do trabalho de um artista plástico que agora busca oportunidades em um novo país. Herminio Maio, de 54 anos, é venezuelano e desembarcou em Manaus há três meses por meio do processo de interiorização do governo federal. Mesmo com dificuldades, o imigrante mantém a esperança e diz que “a ideia é seguir adiante”.

Maio relata que chegou à capital amazonense no dia 4 de setembro deste ano. Desde então, ele está alocado em um abrigo no bairro Coroado, Zona Leste de Manaus, junto com a esposa de 48 anos e o filho, de 10.

De acordo com a Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh), a Prefeitura recebeu 180 interiorizados e acolhe 162, atualmente. Dados do Governo Federal mostram que a cidade de Manaus já recebeu ao todo 500 imigrantes venezuelanos pelo processo de interiorização em 2018. De 18 etapas do processo realizadas até o dia 30 de novembro, a capital amazonense recebeu 6 grupos de imigrantes.

O artista plástico já possui documentos de identidade e carteira de trabalho, ambos emitidos após a chegada ao Brasil. No entanto, destaca a dificuldade para encontrar um emprego no país.

“Até o momento estou procurando trabalho por aí com meus quadros e, às vezes, eu trabalho com massa corrida, de pedreiro também. A verdade é que nós, que estamos no abrigo, não temos dinheiro para pagar um aluguel. Não temos trabalho permanente, fixo. Minha esposa ainda não conseguiu emprego desde que estamos aqui. O emprego em Manaus não é farto”, diz o venezuelano.

“Vejo muito desemprego para nós venezuelanos, assim como para os que estão chegando e também há brasileiros desempregados. Não é fácil. (…) Claro, não é como na Venezuela, mas o Brasil não está muito bem”, ressalta.

A saída da Venezuela
Herminio Maio conta que um dos motivos que o fez deixar a Venezuela foi a alta dos preços decorrente da eleição de Nicolas Maduro como presidente.

“Querer voltar para a Venezuela, para nós, está muito difícil, porque o país está cada dia pior. Quando Maduro assumiu, as coisas aumentaram o triplo, como os alimentos. Não há possibilidade de nós ficarmos lá; seria uma boca a mais para a família e não é essa a ideia”, comenta Maia

As dificuldades também afetam o filho de Herminio, que ainda não está matriculado em nenhuma das escola. “Quero ficar um ano em Manaus para que meu filho possa estudar pelo menos um ano que seja, pra que não perca tempo”, ressalta.

Apesar dos problemas até aqui enfretandos, Herminio considera a ajuda que recebeu no Brasil, por meio dos processos estruturais do programa de interiorização, essencial.

“A ajuda que o Governo brasileiro nos dá através da ONU… Eu, como venezuelano, e habitante aqui do país, me sinto muito agradecido. A verdade é que tenho que estar agradecido e ser consciente disso”, finaliza.

Interiorização e adaptação em Manaus
De acordo com a diretora de proteção dos imigrantes da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh), Mirella Lauschner, em Manaus o processo de legalização acontece em quatro etapas.

“O processo é iniciado em Boa Vista. A primeira acolhida é realizada por meio do governo federal. Em seguida, os dados dos Venezuelanos são repassados para Prefeitura de Manaus por meio do Ministério do Desenvolvimento Social, junto à agência da ONU. É feito, então, um relatório com todos os dados da pessoa e é montada a estrutura para receber os venezuelanos em Manaus”, informa.

A recepção dos imigrantes é feita no aeroporto. Quando chegam aos abrigos, todos os dados deles já estão lá. No local, os venezuelanos recebem instruções e ajudam na limpeza e na cozinha.

Os imigrantes também têm orientações da Prefeitura sobre escolas para as crianças, atendimentos médicos em UBS e indicação de empresas de RH para deixarem currículos em busca de emprego, destaca a diretora.

“Eles também são informados sobre as secretarias municipais que podem auxiliá-los, além de locais que oferecem cursos técnicos e profissionalizantes. Todo esse processo é pré-articulado entre prefeitura e demais secretarias”, conta Mirella.

A permanência dos venezuelanos do programa no abrigo é de três meses. Segundo órgão, a Prefeitura orienta os imigrantes sobre cursos e promove reuniões com Conselho Tutelar para orientar sobre a proibição do trabalho infantil.

“Quando eles conseguem um emprego, há todo um processo de orientação para que, depois de receberem todas as informações sobre ajuda de secretarias em Manaus, eles possam deixar a vida no abrigo”, finaliza Mirella.

Fonte: Divulgação


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