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Neste 8 de março, mulheres vão às ruas contra o feminicídio e a retirada de direitos

A plataforma de Mulheres #8M está convidando a sociedade amazonense para o Dia Internacional das Mulheres nesta sexta-feira, 8 de março. para manifestações contra a retirada de direitos e o feminicídio (Lei 13.104, de 9 de março de 2015). As atividades iniciam às 9h, na Praça da Matriz, quando haverá panfletagem contra a Reforma da Previdência e, a partir das 14h, ocorre Ato Público de protesto contra a violência praticada contra as mulheres, na Praça da Saudade, no centro histórico de Manaus.

Neste 8 de março de 2019, o Circuito Feminista, programou atividades desde o dia 08 até o 31 de Março. Segundo as organizadoras das atividades e eventos, o Circuito é um conjunto de ações e atividades que serão desenvolvidas por mulheres ativistas e coletivos feministas.
 
A crescente violência contra as mulheres brasileiras extrapolou todas as estatísticas no país, em 2018. O Fórum de Brasileiro de Segurança Pública estimou que 16 milhões de mulheres, ou 27,35% das brasileiras, sofreram algum tipo de violência no ano passado. Foram 536 mulheres agredidas por hora no Brasil. Entre os crimes contra as mulheres, o feminicídio coloca Manaus entre as cidades onde há mais casos registrados no país: foram assassinadas 22 mulheres entre os anos de 2016 a 2018, conforme dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas. Para exigir que as mulheres sejam respeitadas e seus direitos reconhecidos pelos poderes institucionais, na casa e no trabalho, é que os movimentos sociais, fóruns, ativistas, organizações sindicais e coletivos feministas realizam nesta sexta-feira, 8 de Março – Dia Internacional da Mulher, o Ato Basta de Feminicídio e Retirada de Direitos.

Durante o protesto haverá o lançamento do Circuito Feminista, com uma extensa programação que se desenvolverá até o dia 31/03. A iniciativa reúne diversas atividades promovidas pelas mulheres. Para maiores informações, acessar o link: http://bit.ly/Circuito8MManaus19.

Histórico de luta das mulheres 

Há 108 anos as mulheres em todo o mundo fazem protestos para celebrar conquistas de direitos e alertar/cobrar os diversos direitos que ainda não foram efetivados. As manifestações começaram em homenagem às 129 operárias queimadas por policiais na fábrica têxtil Triangle Shirtwaist Company, em Nova York, nos Estados Unidos, em 25 de março de 1911. Elas reivindicavam a redução da jornada de trabalho, que era de 14 horas, e o direito à licença-maternidade.

Em 1975, o Dia Internacional da Mulher com a data das mortes das operárias foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas. A partir daí a data começou a ter um novo fôlego com as mobilizações do movimento feminista cobrando mais políticas públicas contra a violência. Esse ano as mulheres estão se mobilizando em cidades de mais de 177 países, da Europa a América Latina. Na América Latina a onda feminista cresceu partir dos anos 2015 e 2016 com o movimento ‘Nem Uma A Menos’ (Ni Una Menos) em protesto contra as mortes por feminicídios das adolescentes Chiara Páez, 14 anos, em 10 de maio de 2015, e de Lucia Pérez, de 16 anos. O feminicídio é o assassinato motivado pelo fato de a vítima ser uma mulher, como descreve o Código Penal argentino em 2012. Um agravante que no caso de condenação por homicídio, o acusado pode receber a prisão perpétua na Argentina.

Ainda no ano de 2016, na Polônia milhares de mulheres se vestiram de preto e ocuparam as ruas em repúdio ao retrocesso na legislação da interrupção da gravidez no país.

Na Espanha, a expressão 8M (em referência ao 8 de Março), tomou conta das redes sociais como hastag #8M para convocar o movimento de feministas para a Greve Internacional das Mulheres, em 2017, e se espalhou em cerca de 30 países, inclusive nos Estados Unidos e do Brasil. As mulheres se juntaram na marcha construindo essa unidade e lutando contra os assédios e abusos sexuais.

Luta no Amazonas inicia nos anos 80 

No Amazonas, as mulheres se organizam para protestar no 8 de Março desde o ano de 1985. Foram as operárias do Distrito Industrial de Manaus que deram voz e buscaram os direitos com reivindicações, entre elas, a instalação de lavanderias, restaurantes comunitários, creches, inexistentes nos bairros. Foi através do movimento que foi criada a primeira Delegacia da Mulher em Manaus.

Em Manaus o 8M, segundo Marklize Santos, se tornou uma plataforma de organização ampla do movimento feminista através da união de várias entidades feministas para promover ações ligadas à greve internacional de mulheres, formação e garantias de direitos no mês de março, em especial o dia 8, data histórica que simboliza a longa trajetória de luta das mulheres.

Calendário de Atividades

1. PANFLETAGEM: BASTA DE FEMINICÍDIO E CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA.*
Data: 08 de Março
Horário: 9:00 da manhã
Local: Praça da Matriz
Organização: Articulação de Mulheres do Amazonas

2. PALESTRA/DEBATE: VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER,  REFORMA DA PREVIDÊNCIA E TRABALHISTA.*
Data: 08 de Março.
Horário: 9h da manhã
Local: Auditório Paulo Buhrnheim/mini-campus UFAM.
Organização GT Mulher- SINTESAM/UFAM/UEA.

3. ATO BASTA DE FEMINICÍDIO E RETIRADA DE DIREITOS!
Horário: 14 h
Local: Praça da Saudade – Centro de Manaus

4. SOMAS PARADA MUSICAL DE MULHERES
Data: 08 de Março
Horário: 21h
Local: Espaço Cultural Curupira
Coletivo Organizador: Coletivo Difusão
Informações: http://bit.ly/ShowSomas

5. LEVANTE PELAS MULHERES*
Data: 09 de Março
Horário: 9h-13h
Local: Igreja Católica Nossa Senhora de Nazaré no bairro Jorge Teixeira III
Organização feminista: Levante Popular da Juventude
Informações: https://www.facebook.com/bastadeviolenciacontraasmulheresemmanaus/

6. ATIVIDADES DA COMISSÃO DE GÊNERO E RAÇA DO MPF*
Data: 11 a 15 de Março
Horário: 14h
Local: à confirmar.
Instituição organizadora: Ministério Público Federal
Informações: https://www.facebook.com/bastadeviolenciacontraasmulheresemmanaus/

7. SIMPÓSIO E AULA PÚBLICA: MARIELLE VIROU SEMENTE!
Data: 14 de Março
Horário: 15h
Local: Casa das Artes no Largo São Sebastião
Coletivo organizador: Coletivo Rosa Zumbi e Coletivo de Juventude Juntas
Informações: https://www.facebook.com/crzamazonas50/

8. QUARTA RODA DE CONVERSA DO CICLO CONVERSAS CARDEAIS: “COMO DEVE SER ESCRITA A EDUCAÇÃO?”. Com a professora indígena do Parque das Tribos Cláudia Baré.
Data: 16 de Março
Horário: das 14h às 16h
Local: Biblioteca Pública, na Rua Barroso, Centro
Organização: Projeto Vírgulas Cardeais

9. SEMANA DE RECEPÇÃO ACADÊMICA UFAM 2019 – DEBATE SOBRE OS RETROCESSOS DA POLÍTICA ATUAL NA IGUALDADE DE GÊNEROS E COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES.*
Data: 20 de Março
Horário: 18h
Local: Auditório Rio Solimões (ICHL) setor norte – UFAM.
Coletivo organizador: Projeto Institucional da UFAM para recepção da comunidade universitária.
Informações: https://www.facebook.com/bastadeviolenciacontraasmulheresemmanaus/

10. MULHERES NA POLÍTICA: O QUE É UMA CANDIDATURA COLETIVA?
Data: 24 de Março
Horário: 15h-18h
Local: Coletivo Difusão
Coletivo organizador: Coletivo Rosa Zumbi, do Psol
Público restrito: Somente mulheres podem participar.
Mais informações: https://www.facebook.com/crzamazonas50/

11. FEMINISTAS DO BAQUE VIRADO*
(Oficina percussiva de Maracatu de baque virado+ apresentação/roda de diálogo sobre o movimento (história, missão, objetivos, perspectivas) Data: 23 de Março
Horário: 16h
Local: Largo São Sebastião.
Organização feminista: Maracatu Baque Mulher Manaus
Mais informações: https://www.facebook.com/bastadeviolenciacontraasmulheresemmanaus/

12. II EDIÇÃO BLOCO DA TOMBAÇÃO
Data: 30 e 31 de Março
Horário: 14h Local
Praça da Polícia (à confirmar) Ativista Feminista: DJ Naty Veiga
Ativista Feminista: DJ Naty Veiga
Mais informações: https://www.facebook.com/bastadeviolenciacontraasmulheresemmanaus/

Fonte: AI/Circuito Feminista/8M 


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