- Cultura

Lulu Santos lança apenas mais uma canção de amor no single ‘Orgulho & preconceito’

Em um mundo ideal, a música Orgulho & preconceito – lançada ontem, 10 de agosto, por Lulu Santos em single e em afetuoso lyric video – deve ser encarada como apenas mais uma (canção) de amor deste excepcional compositor carioca, criador de parte importante da trilha sonora de quem viveu no Brasil nos anos 1980 e 1990.

Lulu sempre compôs canções de amor. Não por acaso, entre epítetos como o de O rei do pop brasileiro, o artista também sempre foi rotulado como O último romântico. Se Orgulho & preconceito vem causando nas redes sociais e na mídia, é porque vivemos em um mundo em evolução, mas ainda longe do ideal. Um mundo em que um artista se revelar publicamente homossexual ainda é notícia e alvo de curiosidade popular.

Em vez de deixar subentendido o namoro com Clebson Teixeira, Lulu resolveu assumir o caso de amor em rede social e, na sequência, numa rede de TV que ecoa em todo o Brasil. Lulu usou da plataforma nacional que ocupa atualmente – a de técnico do programa The Voice Brasil, da TV Globo – para declarar publicamente o amor por Clebson.

É uma ação legítima – que ajuda a quebrar preconceitos – e coerente com a trajetória de um compositor que, já em canção de 1988, afirmou considerar “justa toda forma de amor”. Se na canção Apenas mais uma de amor, de 1992, Lulu preferiu deixar subentendido que gostava tanto de um amor cujo nome não ousou dizer, em Orgulho & preconceito o certo alguém (inominado em canção de 1983) já tem nome e sobrenome.

Lulu sabe que é bobagem a mania de fingir. E já não finge. Fala o que (e quem) desperta o sentimento do artista, entrando em sintonia com toda uma assumida geração de cantores gays ou transexuais.

Citando versos de Tempos modernos (1982), um dos hits seminais do cantor, Lulu Santos já parece ver a vida mais clara e farta, repleta de toda a satisfação, ainda que uma certa hipocrisia ainda insista em rodear o mundo.

A rigor, Orgulho & preconceito é – ou ao menos deveria ser – apenas mais uma de amor do hitmaker. Se ainda não é escutada assim por alguns ouvintes, é porque ainda há quem resista a se libertar do julgamento da vida alheia e a perceber que há um novo começo de era no universo pop. E, nessa nova era, pouco deve importar se canções de amor são feitas por ou para homossexuais.

Fonte: G1


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