O Brasil registrou déficit em suas transações comerciais com os Estados Unidos em maio, informou nesta quarta-feira (3) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O déficit comercial significa que o Brasil importou mais produtos americanos do que exportou para os Estados Unidos. Para a economia brasileira, esse fato representa um cenário desfavorável.
De acordo com o governo, as exportações aos EUA somaram US$ 3,09 bilhões em maio, com queda de 14%, frente ao mesmo período do ano passado.
Ao mesmo tempo, as importações totalizaram US$ 3,21 bilhões da economia norte-americana, com recuo de 11% na comparação com outubro de 2024.
Com isso, o saldo ficou deficitário para o Brasil em US$ 121 milhões no mês passado.
No acumulado dos cinco primeiros meses deste ano, os dados do governo mostram uma queda de vendas externas aos Estados Unidos de 16%, o equivalente a US$ 2,7 bilhões a menos. No período, as exportações brasileiras para lá totalizaram US$ 14 bilhões.
Esse recuo ainda não contempla os efeitos da tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras anunciada nesta segunda-feira (1), sob a alegação de que o governo adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos.
E nem mesmo de um adicional sobre 60 países — entre eles o Brasil — que teriam falhado em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. As duas sobretaxas, juntas, podem chegar a 37,5%.
Balança comercial como um todo
Apesar da queda nas vendas para os EUA, a balança comercial como um todo registrou um saldo positivo de US$ 7,82 bilhões em maio deste ano, segundo dados oficiais do governo brasileiro.
O resultado é de superávit quanto as exportações superam as importações. Quando acontece o contrário, o resultado é deficitário.
O saldo positivo registrou alta de 10,8% em relação ao mesmo período ano passado, quando somou US$ 7,06 bilhões.
Esse também foi o melhor resultado para meses de maio desde 2024, quando foi registrado um superávit de US$ 8,3 bilhões.
Segundo o governo, em maio:
As exportações somaram US$ 31,9 bilhões, com aumento de 12% pela média diária;
As importações somaram US$ 24,1 bilhões, com aumento de 10,6% pela média diária.
US$ 15 bilhões é o volume das exportações que pode ser afetado caso tarifa de 25% seja aplicada, segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
US$ 15 bilhões é o volume das exportações que pode ser afetado caso tarifa de 25% seja aplicada, segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Acumulado do ano
Nos cinco primeiros meses deste ano, a balança comercial registrou saldo positivo de US$ 32,66 bilhões, informou o governo.
Com isso, houve aumento de 34,2% na comparação com o mesmo período de 2025, quando o saldo positivo somou US$ 24,33 bilhões.
No acumulado deste ano, as exportações somaram US$ 148,57 bilhões – alta 9,8% na comparação com o mesmo período do ano passado, pela média diária.
Já as importações somaram US$ 115,9 bilhões nos cinco primeiros meses de 2026, com alta de 4,2% em relação ao mesmo período de 2025, também pela média diária.
Exportações em maio
Os destaques das vendas externas em maio seguem sendo produtos básicos, como a soja, petróleo e minérios:
Soja: US$ 6,3 bilhões, com aumento de 14,6%;
Óleos brutos de petróleo: US$ 3,81 bilhões, com queda de 9,3%;
Minério de ferro: US$ 1,97 bilhão, com recuo de 15,2%;
Carne bovina: US$ 1,7 bilhão, com crescimento de 50%;
Óleos combustíveis: US$ 1,19 bilhão, com alta de 75%;
Farelo de soja: US$ 1,03 bilhão, com aumento de 21,1%.
Já os principais consumidores de produtos vendidos pelo Brasil para o exterior seguem sendo China e a União Europeia, com Estados Unidos na terceira posição:
China: alta de 9,5%, para US$ 10,47 bilhões;
União Europeia: aumento de 8,8%, para US$ 4,9 bilhões;
Estados Unidos: queda de 14%, para US$ 3,09 bilhões
Mercosul: queda de 15,6%, para US$ 1,89 bilhão;
Asean: alta de 7,2%, para US$ 1,75 bilhões;
África: alta de 10,2%, para US$ 1,17 bilhão;
Oriente Médio: queda de 21,5%, para US$ 987 milhões;
México: crescimento de 11,2%, para US$ 752 milhões.
Fonte: G1
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