- Economia

Goldfajn não vê mudanças em política cambial e estima transição no Banco Central até março

O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfan, afirmou nesta quarta-feira (28) que não prevê mudanças na política cambial executada pela instituição no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro, e estimou que a transição para o futuro presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, acontecerá até março de 2019.

O economista Roberto Campos Neto, indicado para comandar o BC na gestão do presidente eleito Jair Bolsonaro, ainda tem de passar por uma sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal e ter o nome aprovado. Também precisará passar pelo crivo do plenário da Casa. O presidente do Banco Central tem “status” de ministro. Deste modo, tem foro privilegiado.

“Estou imaginando a sabatina [do nome indicado para o BC] ocorrendo ao longo de fevereiro, e provavelmente essa transição [no comando do BC] ocorre até março. Estamos aqui. Em relação encontrar com o indicado, encontramos. Muito preliminar. Poucos encontros. A sabatina é só em fevereiro. Nada muito definitivo. A diretoria, acho que a ideia é essa transição ocorrer, a diretoria permanecer. Não temos muita insegurança em relação a isso”, declarou Goldfajn a jornalistas.

Política cambial
Golfajn também afirmou que não devem ocorrer mudanças na política cambial, executada pelo Banco Central, mesmo com a mudança de governo e, também, no comando da autoridade monetária.

“É uma politica da instituição. E vai continuar sendo da instituição. Não prevejo nenhuma mudança, nada. Acho que o BC vai continuar tendo o papel que tem hoje. A ideia nessa transição que estamos oferecendo, ficando até março, permite dar essa segurança ao mercado nessas intervenções, na política cambial. Não é uma política de um presidente [do BC] ou de outro. É uma politica da instituição e vai continuar sendo”, acrescentou ele.

O BC informa que, em sua política de intervenções, não há meta para o dólar, ou seja, o câmbio é teoricamente “flutuante”. As intervenções acontecem, de acordo com a instituição, quando há volatilidade mais intensa na moeda norte-americana, ou seja, sobe e desce de cotações em momentos de instabilidade nos mercados.

O formato mais utilizado pela instituição, nos últimos anos, é a oferta de contratos de “swap cambial”, instrumentos que funcionam como uma venda de dólares no mercado futuro – o que atenua as pressões de alta no mercado a vista. Mas também tem outros instrumentos para atuar no mercado de câmbio: a venda direta de dólares das reservas, que não é utilizada desde 2009, e os chamados “leilões de linha” (venda de dólares com compromissos de recompra no futuro).

A instituição informa diz que a política cambial também visa ofercer ao mercado financeiro, e às empresas, proteção contra a subida da moeda. Em posse dos contratos de “swap cambial”, os agentes ficam protegidos quando acontece uma disparada do câmbio, pois recebem a variação da moeda, e evitam prejuízos.

Reservas internacionais
Questionado sobre a venda de reservas internacionais, por conta da indicação do futuro ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes, como uma possível saída para reduzir a dívida pública, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, afirmou que essa pergunta tem de ser dirigida ao futuro governo.

“Nossa política continua a mesma. Não vejo grandes mudanças nessa área. A politica do BC é institucional. Vai continuar sendo. Não há mudança com relação a isso. As discussões que podem ocorrer ao longo do tempo, estão ocorrendo, tudo permanece da forma institucional como deveria”, acrescentou ele.

Atualmente, as reservas internacionais, administradas pelo BC, estão acima de US$ 380 bilhões. Analistas avaliam que as reservas funcionam como um seguro em momentos de turbulência no mercado, protegendo a moeda brasileira de ataques especulativos. O “carregamento” das reservas, porém, também gera custo para a sociedade.

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, indicou que pode optar por vender parte das reservas no futuro para abater na dívida pública, que somou R$ 5,246 trilhões em setembro, ou 77,2% do Produto Interno Bruto. O objetivo seria diminuir as despesas com juros e aumentar a confiança do mercado financeiro, impactando para baixo as taxas cobradas de empresas e consumidores.

Fonte: G1


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