- Economia

Selic deve ficar em 2% ao ano até fim de 2020, preveem economistas

O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) deve manter a Selic em 2% ao final da reunião desta quarta-feira (16).

A manutenção da taxa básica de juros foi indicada no boletim focus divulgado pelo BC na segunda-feira (14) e por economistas ouvidos pelo R7 Economize.

Para Miguel de Oliveira, diretor-executivo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), a Selic não deve cair por três motivos:

• Já está muito baixa, 2% ao ano, e temos expectativa de inflação próxima de 1,8%; e
• Aumento de itens da cesta básica.

Oliveira destaca que o Banco Central tem de deixar os juros acima da inflação, caso contrário terá de rever a Selic para os próximos meses.

“Os juros têm de ser suficientemente altos para conter a inflação e baixos para provocar o crescimento econômico, geração de emprego e renda. A Selic a 2% ao ano absorve a inflação.”
Miguel de Oliveira
Caso o Banco Central reduza 0,25 ponto percentual, a taxa básica de juros ficará a 1,75% ao ano.

Com isso, segundo Oliveira, corre-se o risco de a instituição ter de subir rapidamente os juros para conter a inflação que poderá subir com o aumento do consumo.

E tem mais, diz o executivo da Anefac: juros muito baixos afugentam os investidores.

“Se os juros não são suficientes para manter o poder de compra, os investidores não comprarão títulos públicos e o governo terá dificuldade para financiar a dívida pública.”

Ele acredita que a Selic deve permanecer inalterada também nas próximas reuniões do Copom.

André Braz, economista do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), também aposta que não haverá corte da Selic porque a inflação
Braz aponta alguns fatores para a manutenção:

• O país ainda vive um cenário que gera muitas incertezas quanto à valorização cambial; e
• A inflação vem se mantendo controlada, baixa e não está generalizada, apesar de existir uma pressão em torno dos alimentos que concentram uma grande parcela da inflação acumulada nos últimos 12 meses e em 2020.

Braz ressalta que haveria espaço para algum movimento na Selic, “se tivéssemos algum desafio de inflação na pauta”.

Fonte: R7


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