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A um ano de Tóquio 2020, Brasil tem 41 vagas garantidas e projeta chegar a 250 atletas nos Jogos

A exatamente um ano para a abertura da Olimpíada de 2020, a delegação brasileira começa a ganhar tamanho e cara. A maior parte do Time Brasil ainda busca classificação em 365 dias cheios de Mundiais e pré-olímpicos que vão servir de trampolim para Tóquio. A expectativa do Comitê Olímpico do Brasil (COB) é contar com cerca de 250 atletas no Japão, sendo que no momento o país já tem 41 vagas garantidas em cinco modalidades (águas abertas, futebol, natação, rúgbi e vela), além de ter 13 atletas com índices no atletismo.

– O marco de um ano para a Olimpíada tem uma importância enorme para o COB na avaliação de potencial de resultado para o ano seguinte. Não necessariamente de medalha, mas mostra o cenário de cada esporte. Identifica a distância para uma medalha. Um ano quer dizer que estamos próximos dos Jogos, mas ainda é possível uma intervenção. Para isso, fazemos análises dos Mundiais e dos rankings mundiais. Também avaliamos as condições estruturais das modalidades, lesões de atletas e o que isso impacta no desempenho. Então é um marco muito importante no sentido de conseguir identificar onde aprimorar a preparação – disse Jorge Bichara, diretor de esportes do COB.

Vagas garantidas do Brasil em Tóquio 2020
18 atletas para a equipe feminina de futebol
12 atletas para a equipe feminina de rugby
6 atletas na vela para quatro classes (Laser, 49er FX, Nacra 17 e Finn)
4 atletas na natação para o revezamento 4x100m livre
1 atleta nas águas abertas (10km feminino)

Passaporte carimbado
Apesar de ter 41 vagas garantidas, o Brasil só tem uma atleta com o passaporte carimbado para Tóquio 2020. É que as outras vagas pertencem ao país, que ainda vai definir os atletas convocados. Mas o posto nas águas abertas foi conquistado por Ana Marcela Cunha e não pode ser utilizado por mais ninguém. É uma vaga nominal, que pertence à atleta. Campeã dos 5km e dos 25km no Mundial de Budapeste neste mês, a baiana de 27 anos se classificou para sua terceira Olimpíada ao terminar os 10km do Mundial na quinta posição.

Garantida nos Jogos, Ana vai ter a tranquilidade para focar nos treinamentos nos 365 dias até a competição em Tóquio. Ela inclusive pretende ficar “mais escondida” em 2020, treinando mais, competindo menos. Assim, a baiana das águas abertas espera encontrar a melhor estratégia para a prova olímpica e não sofrer com as pancadas como nos 10km de Budapeste.

– Eu não sei se todo mundo lembra. Depois dos Jogos Olímpicos do Rio 2016 eu falei quantos dias faltavam para Tóquio. Acho que é um sonho. Hoje é uma realidade. Sabemos o quanto é importante não só estar em Tóquio, mas também ir atrás de uma medalha olímpica e o quanto ela pode ser real. Agora é focar aí nesses dias que faltam. É passo a passo. Estou focada em Tóquio, mas é degrau por degrau até quem sabe chegar a uma medalha.

Com um pé em Tóquio
Maior medalhista brasileiro da história dos Jogos, Robert Scheidt está praticamente classificado para 2020. Aos 46 anos, o velejador alcançou o índice estabelecido pela CBVela (Confederação Brasileira de Vela) para ser convocado na classe Laser. Ele precisava ser o melhor brasileiro e terminar no top 18 no Mundial de Sakaiminato, no Japão, no começo deste mês. Acabou na 12ª posição e se tornou o dono da vaga no momento. Mas Scheidt ainda pode perder o posto se outro brasileiro for ao pódio do Mundial do ano que vem, em fevereiro, algo que nos últimos 25 anos apenas o medalhista olímpico conseguiu. Por isso, ele já trabalha de olho na sexta medalha.

– Existe sim uma chance de levar medalha, não no meu momento atual, mas eu posso melhorar até os Jogos. Os próximos oito, nove meses serão importantes para dar esse passo. Na Olimpíada é só um atleta por país, então tecnicamente é mais fácil que o Mundial – disse Scheidt, que vai disputar a Olimpíada pela sétima vez se confirmar sua convocação.

Além da classe Laser, a vela do Brasil já tem mais três barcos confirmados. Atuais campeãs olímpicas, Martine Grael e Kahena Kunze conquistaram a vaga para o Brasil na 49er FX, mas ainda vão precisar alcançar o índice do Top 18 no Mundial da classe, em novembro. O mesmo vale para a dupla Samuel Albrecht e Gabriela Sá na classe Nacra 17. O terceiro barco é o da classe Finn. O posto para o Brasil foi conquistado por Jorge Zarif, que busca o índice para sua terceira Olimpíada na Finn Gold Cup, em novembro.

Olimpíada das mulheres!
Das 41 vagas garantidas do Brasil em Tóquio, 34 são femininas! Se a um ano para os Jogos elas são maioria na delegação, é bem provável que o número de mulheres supere o de homens entre os brasileiros. Esse fenômeno no momento é puxado por dois esportes coletivos: o futebol e o rúgbi (hoje somam 30 vagas). O Brasil já se classificou para os torneios femininos nas duas modalidades nas classificatórias sul-americanas, enquanto os homens ainda buscam a classificação.

Nona colocada na Rio 2016, a seleção feminina de rúgbi sevens vai ter um caminho agitado até Tóquio 2020. Antes de definir as 12 convocadas, o Brasil disputa os Jogos Pan-Americanos de Lima no fim deste mês e se classificou para a temporada 2019/20 da Série Mundial, retornando à elite da modalidade.

Depois de bater na trave na Rio 2016 com a quarta colocação, a seleção feminina de futebol está se reformulando. O time parou nas oitavas de final da Copa do Mundo da França diante da anfitriã. Nesta semana, o técnico Vadão deixou o comando da equipe, que não está no Pan de Lima.

Muita água para rolar
As últimas vagas olímpicas conquistadas pelo Brasil foram na natação. O revezamento 4x100m livre masculino do país acabou na sexta posição do Mundial de Esportes Aquáticos no fim de semana e garantiu assim um quarteto nos Jogos. Marcelo Chierighini, Pedro Spajari, Bruno Fratus, Breno Correia e André Calvelo competiram na Coreia do Sul, mas os convocados só vão ser conhecidos no Troféu Brasil de 2020. A CBDA (Confederação Brasileira de Desportes Aquáticos) definiu que a competição em abril vai ser a única seletiva brasileira para a Olimpíada. Então apesar de alguns nadadores já terem índices – muitos também devem alcançar a marca classificatória no Pan de Lima -, só as vagas do revezamento entram para a conta no momento.

Classificados ou não?
O Brasil vive um bom momento no atletismo. Os índices olímpicos ficaram mais fortes para Tóquio 2020, e mesmo assim o país já tem 13 atletas com marcas classificatórias, incluindo o campeão olímpico do salto com vara, Thiago Braz. Completam a lista Paulo André Oliveira (100m), Aldemir Gomes (200m), Gabriel Constantino (110m com barreiras), Eduardo de Deus (110m com barreiras), Alison dos Santos (400m com barreiras), Alexsandro Melo (salto triplo), Almir Junior (salto triplo), Darlan Romani (arremesso do peso), Andressa Morais (lançamento do disco), Caio Bonfim (marcha de 20km), Erica Sena (marcha de 20km) e Daniel Chavez (maratona).

Apesar de cumprirem os requisitos da IAAF (Federação Internacional de Atletismo), esses atletas não sabem se estão classificados ou não. É que a CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) ainda precisa estabelecer os critérios próprios de convocação da seleção. Além dos índices, há uma segunda via de classificação através do novo ranking mundial, que vai ser estabelecido no dia 29 de junho de 2020.

Após recorde na Rio 2016, delegação menor
O COB projeta que a delegação brasileira tenha cerca de 250 atletas em Tóquio. O número final de classificados pode até ser maior e beirar os 300, mas certamente não vai alcançar o recorde de 465 atletas da Rio 2016. O Time Brasil deve voltar ao patamar da Olimpíada de Londres 2012. Uma diminuição de tamanho natural, uma vez que o país ganhou muitas vagas em 2016 por ser sede dos Jogos.

– Na Rio 2016, também havia as vagas de país-sede. Não era um número para ser alcançado na edição seguinte de Jogos. Já havíamos conversado com os britânicos que existe uma retração de mercado dentro do esporte olímpico no ciclo posterior aos Jogos em casa. Há um redirecionamento de investimento. Então retomamos o patamar que acreditamos ser um patamar bom para o Brasil, entre 250 e 300 atletas. Isso permite que a gente trabalhe modalidades com o potencial que elas têm, permite que a gente foque investimentos nas modalidades que têm potencial – disse Jorge Bichara.

O Time Brasil pode crescer muito até o fim de agosto. É que muitos postos vão estar em disputa nos Jogos Pan-Americanos de Lima. 14 modalidades vão distribuir vagas diretas para Tóquio: handebol, hipismo adestramento, hipismo CCE, hipismo saltos, polo aquático, saltos ornamentais, nado artístico, tênis, surfe, pentatlo, tiro esportivo, tiro com arco, hóquei sobre a grama e vela. Além disso, outras oito modalidades (atletismo, badminton, basquete 3×3, caratê, levantamento de peso, taekwondo, tênis de mesa e natação) contam pontos na corrida olímpica ou valem índice. Em agosto, o Brasil ainda disputa o pré-olímpico do vôlei e o Mundial de canoagem de velocidade.

Reta final de preparação

Quem já tiver a vaga nas mãos, a exemplo de Ana Marcela Cunha, entra na reta final de preparação. Para o polimento perfeito dos atletas, o COB monta uma estrutura com quatro pontos de atenção: estudo de adversários, diferença de fuso horário, alimentação e o calor previsto para o verão japonês durante os Jogos. No ano passado, na mesma época da Olimpíada, os termômetros chegaram a passar dos 40°C. O calor preocupa para provas a céu aberto, especialmente na maratona e marcha atlética. O Comitê Organizador está tomando uma série de medidas para assegurar a saúde dos atletas.

– Na questão da temperatura, nosso nível de intervenção é menor. Nosso maior enfoque é deixar as bases bem preparadas para receber os brasileiros – disse Jorge Bichara.

Para uma boa aclimatação que neutralize os efeitos de 12 horas de diferença de fuso horário entre Brasil e Japão, o COB está montando oito bases em Ota, Saitama, Sagamihara, Hamamatsu, Enoshima, Chiba, Koto e Chuo. Cada modalidade vai ter seu espaço em um dos centros de treinamentos brasileiros no Japão, com direito a feijão com arroz. O COB trabalha na contratação de fornecedores e cozinheiros que possam dar o tempero brasileiro à alimentação da delegação. Manter a dieta habitual é um caminho para preparar bem os potenciais medalhistas.

Sem metas por enquanto
O COB espera fornecer uma preparação adequada ao Time Brasil para que o maior número possível de brasileiros chegue ao pódio. As chances são muitas, especialmente com a inclusão do surfe e do skate, modalidades em que o Brasil tem grande destaque no cenário internacional. O COB monitora e analisa os resultados dos brasileiros durante o ciclo olímpico, mas ainda não estabeleceu uma meta, nem de número de pódios, nem de posição no quadro de medalha.

– Estamos discutindo internamente. Sabemos que há uma cobrança por divulgação de resultado. Avaliamos alguns números: Mundiais, posições nos rankings, atletas em processo de recuperação de lesão. Todos são considerados. Nosso olhar é sempre muito realista. Passamos por um momento difícil em relação a retração de investimento. Todo esforço foi feito para manter a qualidade. Confiantes de que vamos ter um bom resultado – disse Jorge Bichara.

Na Rio 2016, o Brasil conquistou sete ouros, seis pratas e seis bronzes, figurando na 13ª posição do quadro de medalhas. Foi o melhor resultado da história do país em Olimpíadas. Chegar perto deste patamar em Tóquio é possível, e o caminho é aumentar o número de modalidades com potencial de medalha.

– O Brasil nos Jogos do Rio atingiu um número expressivo em relação às modalidades que alcançaram medalhas. Foram 12 nos últimos Jogos, que foi uma posição interessante para o Brasil na relação final de países. Nós fomos o sétimo país em quantidade de modalidades medalhistas. Isso faz parte de uma estratégia de ampliar esse potencial de resultado.

Fonte: Globo esporte


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