Joinville, São Paulo, Vasco, clubes europeus e asiáticos. Hoje com 35 anos, Edgar Silva olha para trás e enxerga uma longa carreira, com anos dedicados a equipes de diferentes países, entre eles Portugal. Por lá, esteve do lado oposto do campo de Abel Ferreira, hoje técnico do Palmeiras.
Natural de São Carlos (SP), o atacante chegou ao Velho Continente como promessa e, por lá, também teve contato com outros profissionais que hoje treinam ou que já treinaram times do Brasileirão. Segundo ele, Abel, bicampeão da Libertadores e ídolo palmeirense como técnico, não era o “rockstar” dos dias de hoje quando atuava dentro das quatro linhas.
– Portugal foi tranquilo, até porque fui bem novo, com outro ritmo de vida. Eu trabalhei com o Jesualdo Ferreira, ex-Santos, no Porto, também joguei contra o Abel Ferreira quando ele estava no Sporting. Era um lateral-direito normal, claro que jogou na seleção portuguesa, mas não era muito de atacar, era conservador, de marcar. Não era brilhante, mas fazia o básico – conta o jogador.
Edgar também duelou com outros nomes importantes, como Jorge Jesus, quando treinava o Benfica. Em Portugal, o atleta disputou cinco temporadas e vestiu as camisas de Beira-Mar, Porto, Académica, Nacional da Madeira e Vitória de Guimarães.
Pelo Dragão, apesar de pouco utilizado, conquistou o Campeonato Português na temporada 2007/2008. Com 101 jogos e 48 gols em terras lusitanas, o atacante, que posteriormente se tornou ídolo na Coreia do Sul, ganhou experiência para falar melhor do que ninguém sobre o motivo de o trabalho dos estrangeiros no Brasil ter dado resultado nos últimos anos.
– Eu não diria que eles estão acima dos profissionais brasileiros, mas eles partem muito pra parte acadêmica. Nós somos o país do futebol, temos bons profissionais aqui, tanto que exportamos para o mundo inteiro. Acho que pensaram antes na parte acadêmica, não que nós aqui não estudamos, mas acho que eles focaram mais nisso para depois chegarem ao campo, como nós temos aquele “feeling” do futebol. Agora, estamos aprimorando a parte acadêmica também, porque os europeus correram atrás e estão se dando bem, então agora estamos vendo que também precisamos disso, além da vivência do futebol – analisa.
Evoluiu, mas ainda não atrai
Em março, o brasileiro se contundiu em uma partida contra o Buriram United, da Tailândia, e concordou em rescindir contrato com o Daegu, da Coreia do Sul, que precisava de uma das três vagas para estrangeiros no elenco.
– Eu vim para o Brasil depois que me machuquei em um jogo da Liga dos Campeões asiática, justo contra a minha ex-equipe. Era pra fazer a “lei do ex”, estava jogando bem, mas lesionei. Estou me recuperando pra voltar ao mercado. Até apareceram coisas da Ásia, mas não estou 100% ainda e prefiro esperar – explica.
Embora o futebol brasileiro, na visão de Edgar, tenha evoluído na questão tática desde que deixou o país, em 2009, e o atacante, nascido no interior de São Paulo, aproveite o tempo livre para visitar a terra natal, ele ainda não pensa em voltar definitivamente, mesmo sem clube desde o primeiro semestre.
– Eu posso falar a verdade: tenho vontade de jogar no Brasil de novo, mas não é isso que eu quero agora. Pretendo voltar pra Ásia, onde consigo entender melhor minha carreira, porque querendo ou não, tive bons anos lá, tenho uma referência por lá e acabei indo bem.
Fonte: Globo Esporte
There is no ads to display, Please add some






