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Anfitrião do Parapan 2019, Peru se espelha no Brasil e sonha com popularização do paradesporto

O sonho ainda não é por um lugar no alto do quadro medalhas ao fim dos Jogos Parapan-Americanos Lima 2019. País anfitrião da competição, o Peru ainda “engatinha” no esporte paralímpico, pelo menos no âmbito de conquistas e resultados. Em casa, o grande objetivo da delegação peruana é justamente dar um grande passo no sentido de popularizar o paradesporto no país. Em entrevista ao GloboEsporte.com, Lucha Villar, presidente do Comitê Paralímpico Nacional, falou sobre a expectativa de sediar o evento. Para a manda-chuva da entidade, receber o Parapan será uma oportunidade única de espalhar a semente paralímpica pelo país.

Embora o Peru tenha iniciado no esporte paralímpico nos anos 70, a evolução foi muito lenta. Havia representação, no entanto, apoiada apenas pela iniciativa privada. Apenas no final de 2015 foi formada a Associação Nacional Paralímpica, reconhecida pelo Instituto Peruano do Esporte apenas em janeiro de 2016, e pelo IPC apenas em março de 2016. O apoio financeiro do estado entrou na equação em abril de 2016.

O país tem apenas oito medalhas paralímpicas e 22 parapanamericanas, sendo o parabadminton a modalidade mais tradicional no programa peruano. A escolha do Peru como sede dos Jogos Pan e Parapan-Americanos, em outubro de 2013, foi o gatilho natural para a expectativa de uma mudança nesse panorama.

No Parapan de Toronto, em 2015, a delegação peruana foi composta por apenas 14 atletas. Em 2019, o salto proporcionado pela condição de anfitrião impressiona. Em casa, os peruanos terão uma equipe de 139 atletas. Um aumento de cerca de 900%.

O país terá representantes em todas as modalidades, sendo o rúgbi em cadeira de rodas a única exceção. Apesar do número expressivo de atletas que levará a quadras, piscinas, tatames e pistas, o comitê peruano mantém os pés no chão e projeta para o futuro a colheita dos frutos pelo novo momento.

– Cada vez mais tem mais gente querendo fazer. O que agora para gente vai ser muito bom, e que a gente tá pedindo como legado, é infra-estrutura. Isso vai ajudar muito para massificar também. Para que seja boa, a evolução precisa chegar em mais regiões. Então estamos trabalhando também com os municípios e o Instituto Peruano de Esportes, para que ajudem isso a chegar às regiões e fazerem com que a mensagem seja levada – disse Lucha Villar.

De acordo com Lucha Villar, a escolha do país como sede da competição, assim como a necessidade de formação de novas equipes, possibilitou também que a população descobrisse que é possível ter alto rendimento entre atletas com deficiência. E o Brasil tem participação importante nesse processo. Os comitês peruano e brasileiro têm uma sólida parceria, em que o objetivo é formar técnicos e desenvolver cursos de capacitação.

– A gente começou a receber dinheiro em outubro de 2016, e começamos a fazer muitos cursos de capacitação com a ajuda do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), que é um exemplo para todo o mundo, tudo que eles fazem. Eu quero aproveitar para dizer isso. O CPB tem ajudado muito o Peru com o convênio que a gente assinou por dois anos, que acabou de terminar. Então temos tido a oportunidade de trazer pessoal para capacitar a gente em diferentes cursos e diferentes esportes – avaliou Lucha.

Para o Comitê Paralímpico do Peru, a meta em relação a Lima 2019 não está relacionada a medalhas e pódios. Tudo tem a ver com uma possível virada de chave do país em relação ao paradesporto. O objetivo básico é massificar, entusiasmar e desenvolver.

– Os Jogos de Lima 2019 serão aquela janela que se abre, para que os garotos do Peru vejam e pensem: “Se eles podem, eu também posso”. E que os pais também aprendam que se têm um filho ou uma filha com descapacidade, também há uma oportunidade no paradesporto – concluiu a presidente.

Fonte: Globo esporte


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