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Após “boom” de exposição em Mundial, Cristiane faz apelo por futuro do futebol feminino

Passado o êxtase e a enorme repercussão da Copa do Mundo feminina, disputada na França, Cristiane, atacante do São Paulo e da seleção brasileira, falou sobre as expectativas em relação ao futuro da modalidade no país. Há uma enorme preocupação com a base e também com a continuidade do projeto daqui para frente.

– Acho que a gente não deveria ficar o tempo todo rebatendo o que tem de ser feito, mas, já que as coisas fogem do controle e a gente sente necessidade de que isso comece a andar, começamos a dar umas marteladinhas, também. Que seja pensado daqui para frente e não só agora. Os outros países estão se desenvolvendo mais rapidamente. Mas essa cobrança é algo que tem que vir do atleta. Tem de sentir que é importante não só para ela, mas para quem vier – disse a jogadora, e seguiu:

– Deu uma divulgação muito grande (a Copa do Mundo), mas algumas coisas ainda precisam ser ajustadas. Principalmente na questão de base, porque nossa base continua sem condições. Se você quer ter uma renovação na Olimpíada (em Tóquio, 2020), precisa fazer com que elas não fiquem paradas. Essa é a nossa preocupação. Como vão ser levadas as coisas no futuro.

Coordenadora fala em atenção com “fomento”
Coordenadora de futebol feminino da Federação Paulista de Futebol, Aline Pellegrino tem preocupações parecidas com as de Cristiane. Mais do que pensar apenas nas categorias de base, disse acreditar que o futebol feminino no Brasil é formado por três pilares (seleção brasileira, competições e desenvolvimento) e que ao menos dois precisam funcionar com qualidade para que a modalidade cresça.

– Acho que não passou o “boom” (da Copa do Mundo) porque a imprensa segue cobrindo. Temos um Campeonato Paulista com dois grupos fortíssimos. Com atletas excelentes, teremos chance de vê-las em campo. Acredito que passa por três processos: seleção brasileira, competições e a parte de desenvolvimento. Enquanto dois não funcionarem muito bem, dificilmente vamos ter uma grande mudança. É projeto, processo. Se você tem um fomento, a Seleção vai estar fortalecida. Se você tem a Seleção bem, e o fomento indo bem, você vai cobrar que tenha competição. Acho que isso independe da Copa do Mundo. Lá era uma coisa, aqui outra. Precisamos de estaduais, campeonatos de base e isso independe do Brasil ser campeão – ponderou, e seguiu:

– A Copa do Mundo foi uma virada de chave. Se formos olhar o que a Fifa vem trabalhando, desde 2016, com planejamento global estratégico de dez anos e em dois anos ele já dá a resposta que deu na Copa do Mundo…
– Então, assim, a gente sabe o que fazer, a Fifa construiu algo ali. Dá para fazer bem, o legal é justamente ver o “por que” deu certo. Em um ciclo de oito anos, serão muitas competições, várias de base. Olha o quanto vai valer a pena investir nesses projetos. O enraizar, a representatividade, cobertura, isso vai fazer a diferença e ter grande resultado – encerrou.

Fonte: Globo esporte


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