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Copa do Mundo da China: o que o Brasil precisa para conquistar uma vaga em Tóquio

Vivendo uma profunda crise financeira, o basquete brasileiro vive seu momento decisivo no naipe masculino. Quando a bola subir diante da Nova Zelândia pela Copa do Mundo da China, neste domingo, a Confederação Brasileira de Basketball (CBB) colocará à prova o seu planejamento e, assim como pode sair da Ásia classificado para a Olimpíada de Tóquio, o país pode aumentar ainda mais a cobrança em cima de uma modalidade que vê chegar ao fim uma geração comprovadamente cheia de talento, mas que fez torcedores esperarem mais do que a realidade dos resultados mostra até aqui.

Para garantir um lugar direto na Olimpíada de Tóquio, a missão não é fácil. O Brasil precisa obrigatoriamente ser ao menos o segundo melhor país das Américas. Virtualmente, os Estados Unidos são os ultra favoritos para o título e assim para o primeiro posto do continente. Restaria uma briga contra Canadá, Argentina, Porto Rico, República Dominicana e Venezuela. Pelo chaveamento da Copa do Mundo, o Brasil provavelmente conseguiria isso caso repita a campanha da Espanha, em 2014, quando chegou às quartas. Seria a terceira Olimpíada seguida do país, que foi em Londres e no Brasil como país-sede.

O próprio chaveamento, porém, tornou a vida do Brasil complicada. Além da Grécia de Antetokounmpo, MVP DA NBA, na primeira fase, o Brasil cruza com o grupo dos EUA na segunda fase, quando uma nova chave de quatro times é formada e os resultados são carregados. Para avançar da 1ª para a 2ª fase, o país precisa ficar ao menos entre os dois melhores do Grupo F. E o ideal é que avance sem derrota. Assim, mesmo perdendo para os EUA na segunda fase, na teoria, caso não ocorram zebras, brigaria com a Turquia pela segunda vaga nas quartas.

– A missão olímpica é muito ingrata. Por dois motivos. A concorrência é forte demais, então a disputa no Pré-Olímpico seria dificílima. E o Brasil não tem uma geração voando no cenário internacional. Praticamente não temos hoje jogadores com protagonismo fora do país, e os que tiveram esse protagonismo já estão na fase final da carreira. Não será nenhuma surpresa se o Brasil ficar fora da Olimpíada de Tóquio. Mas possível é. E ainda que o Brasil não consiga a classificação para a segunda fase da Copa do Mundo, é preciso manter o foco o tempo todo pensando adiante, porque qualquer vitória pode ser fundamental para melhorar a colocação final e refletir na ida ao Pré-Olímpico – opinou Rodrigo Alves, comentarista do SporTV.

O momento do basquete brasileiro é de transição. Há experiência em nomes como Alex Garcia, de 39 anos, Varejão, Marquinhos, Leandrinho, Benite, Huertas, e também há sangue novo em jovens como Yago, Caboclo, Didi e Cristiano Felício. O grupo é dirigido pelo técnico Aleksandar Petrovic, o que confirma uma tendência nos últimos anos. Nas Copas do Mundo anteriores, o Brasil teve sempre estrangeiros como técnico: Moncho Monsalve (2010) e Rubén Magnano (2014).

– O Brasil não é favorito a entrar em uma dessas duas vagas olímpicas para as Américas. Favoritos são EUA e Canadá. Na minha opinião, com a Argentina correndo por fora. A Argentina leva vantagem por estar em um grupo menos difícil. O trabalho do Brasil é duro, passando em segundo no grupo pega o cruzamento dos EUA. Mas temos que acreditar e ir com o foco de chegar o mais alto possível. Talvez nesse cruzamento com os EUA, se vence, não só passa de fase, como também coloca um desses favoritos para trás. Não é sonhar, é acreditar. Estou na torcida, mas sendo direto, como comentarista, imparcial, sem levar em conta a minha paixão pela seleção e meus amigos que estão lá, digo que o Brasil corre por fora, não é favorito – disse Marcelinho Machado, ex-jogador da seleção e hoje comentarista do SporTV.

Fora de quadra, contudo, o momento não é dos melhores. E por isso, uma campanha ruim na China não seria boa para a modalidade. Sob nova direção há dois anos, a CBB acumula uma dívida de quase R$ 46 milhões de acordo com auditoria contratada. Por isso, a entidade processou o ex-presidente Carlos Nunes por má gestão, pedindo restituição de valores e uma multa. Com poucos patrocinadores privados, o basquete brasileiro depende demais da Lei Agnelo Piva, distribuída pelo COB via loterias federais. Para 2019, o valor foi de R$ 2.762.892,99. E o técnico Petrovic tem parte do salário bancado pelo COB via Lei Piva.

Assim, caso não tenha a classificação direta para Tóquio, o basquete masculino brasileiro pode ainda conseguir estar entre os 16 melhores da Copa do Mundo, o que daria um lugar em um dos quatro pré-olímpicos mundiais de 2019. Do contrário, ainda deve garantir um posto nestes torneios através do ranking da Fiba após a Copa do Mundo da China, já que oito seleções, duas por continente, serão convidadas pelo critério técnico. As duas situações, porém, mexeriam no planejamento e demandariam mais custos à CBB e uma dificuldade gigante por vaga em Tóquio, já que a divisão dos pré-olímpicos terão quatro grupos de seis times e apenas os campeões vão para Tóquio.

Primeira fase
1º setembro
5h – Brasil x Nova Zelândia

3 setembro
9h – Brasil x Grécia

5 setembro
5h – Brasil x Montenegro

Fonte: Globo esporte


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