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Cuca deixa críticas no passado, age como pacificador no Santos e não vê reforços como prioridade

Podem me mandar embora, mas eu tenho que falar: o Santos tem que melhorar muito profissionalmente, melhorar muito internamente. E não é pouca coisa.”

A frase acima foi dita pelo técnico Cuca na eliminação do Santos na Libertadores de 2018, após o emblemático “caso Sánchez” – quando o clube foi penalizado pela Conmebol por ter escalado irregularmente o uruguaio. A declaração polêmica foi lembrada em entrevista coletiva do técnico nesta quinta-feira.

Cuca reassumiu o Santos no mês passado, em momento de crise interna e financeira. O técnico tem sido um dos principais responsáveis por tentar “arrumar a casa”, com importante papel nos bastidores, como na gestão do elenco e nos casos envolvendo a reintegração de Everson e o acordo feito com Eduardo Sasha, que retirou ação judicial e foi vendido ao Atlético-MG por quase R$ 10 milhões.

– Eu não falei errado, mas falei na hora errada, da raiva pela eliminação na Libertadores. Vi muita melhora aqui dentro. Um cara que trabalha todo dia e aparece pouco é o Jorge Andrade (gerente). Fuça, vai atrás. O Matheus, o Doria (membros do Comitê de Gestão)… Dão a cara a tapa, procuram soluções. O presidente sempre junto – disse o técnico.

– As coisas evoluíram bem e estão caminhando para o Santos dar uma apaziguada geral em problemas. Tenho muita esperança em umas duas semanas colocarmos a casa toda em ordem, todo mundo ficar feliz da vida e explorar todo o potencial de cada um. Estão sendo competentes, mas podemos melhorar – acrescentou Cuca.
Cuca tem morado no CT Rei Pelé e vem buscando alternativas para o Santos engrenar em campo e fora dele. O treinador tem contato diário com os dirigentes para resolver problemas internos e virou, desde sua chegada, um dos principais elos entre diretoria e elenco, que antes não falavam a mesma língua.

O técnico, ciente da delicada situação financeira do clube, não faz grandes exigências. Mas tem como uma de suas maiores cobranças o acerto das pendências que o Santos tem com os jogadores. Ele pede que isso seja resolvido antes mesmo do desbloqueio da punição na Fifa – que impede o clube de registrar novos atletas.

– A prioridade não é contratar, é colocar em ordem as coisas internamente. Não adianta trazer dois ou três e não arrumar aqui. Estou com a gurizada, sabia que trabalharia com os meninos. Temos que pensar no que a gente tem, arrumar aqui dentro (…) Jogador confia em mim e nos diretores. Se sanarmos o atraso e colocarmos a casa em ordem, podemos reforçar. O maior reforço é o jogador estar feliz da vida, representando o clube e recebendo em dia. Isso é a coisa mais importante.

O Santos está punido desde março por causa de uma dívida referente à compra do zagueiro Cleber Reis, ainda em 2017. Para poder contratar novamente, o Peixe precisa quitar a pendência, que já chega a quase R$ 30 milhões, com juros e multa, ou fazer um acordo com o Hamburgo (onde Cleber jogava). Os alemães, porém, se mostram irredutíveis.

Cuca adota postura diferente da última passagem pelo clube, em 2018, tanto pública quanto internamente. O técnico, que antes fazia diversas cobranças à diretoria em entrevistas, tem se mostrado mais aberto a buscar soluções para melhorar o Peixe no diálogo.

– Não vim pela questão financeira. Vim pela metade do que eu ganhava da outra vez. Se oferecessem menos, viria também. Sabia da questão financeira e não vou me queixar, eu sabia disso. Quero que dentro dessa passagem a gente tenha divergências, mas sendo transparente em tudo – finalizou o técnico.

Fonte: Globo esporte


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