Em uma das extremidades da Arena MRV, dois grupos de nove operários se penduram em cordas para a instalação da cobertura cinza/branca do futuro estádio do Atlético-MG. Uma jornada de até seis horas desafiando a gravidade e debaixo de sol escaldante. A casa do Galo está em reta final de construção. A cobertura tem 90% de conclusão, e o gramado já teve 30% do processo de plantio realizado.
O ge fez um “tour” na futura casa do Galo na última sexta-feira e rodeou o estádio de ponta a ponta.
Em uma previsão ainda inicial, outubro de 2022 seria o mês de conclusão da parte interna da obra. Ela está em quase 86% de finalização. A Arena MRV chegará em janeiro de 2023 100% concluída. Faltará, claro, as obras adjacentes, principalmente a viária, que irá produzir os acessos dos 46 mil torcedores ao local, em dia de casa cheia.
– Estamos ultrapassando 85% de avanço físico da obra com alguns marcos importantes nos últimos dias. Já temos o revestimento da cobertura 90% concluído e a obra no gramado avançou. Cada etapa que vencemos é para ser comemorada, porque são muitos os desafios em cada uma delas – diz Carlos Antônio Pinheiro, diretor de engenharia da Arena MRV e do Galo.
Quem chega no canteiro de obras no bairro Califórnia se depara, primeiramente, com a “marquise” do estádio arranhando o céu de Belo Horizonte. E, depois, com uma das faixas da Via Expressa que liga BH a Contagem interditada, com caminhões, tratores e as obras viárias a vapor.
São 1.100 operários diariamente nas obras da Arena MRV. Já foram 3 mil envolvidos na construção. Atualmente, são feitos trabalhos de alvenaria, pintar as paredes, instalações elétricas e hidráulicas, combate ao incêndio e acabamentos.
As obras começaram em abril de 2020. E a inauguração oficial da arena será em março de 2023. Quase três anos de obras de um gigante. São 46 mil de capacidade, 2.300 vagas de estacionamento e um total de nove pavimentos.
O “tour” começa em uma das entradas da esplanada, pela rua Cristina Maria de Assis, 202, bem próximo a um bar de propriedade do ator e atleticano Daniel de Oliveira. Alguns metros (e vários pontos de obra) até a entrada da Arena MRV, pelo nível 1, onde ficará boa parte das cadeiras cativas. A distância do primeiro lance de arquibancada para o campo é de apenas 8,5 metros.
Há ótimas chances de um dos setores atrás do gol, destinado para as organizadas do Galo, fique sem cadeiras. Mas tudo depende do aval do Corpo de Bombeiros e Polícia Militar .
No nível intermediário (2) são os camarotes, que irão praticamente circundar o segundo andar completo, com duas áreas de “lounges” nas extremidades do gol virado para a Via Expressa. A reportagem esteve em um camarote central, que, ao que tudo indica, será usado pela diretoria do Galo.
No nível 3, o mais alto, já há as divisórias da torcida visitante (4,6 mil lugares), e o início da construção da tribuna de imprensa. Serão 104 posições na tribuna de imprensa, para jornais, rádios, webs e demais profissionais, além de oito cabines de rádio, e 3 cabines de TV.
Os telões das duas extremidades (linhas de fundo) ainda serão alojados, mas o espaço está reservado. Dimensões que impressionam: 144 metros quadrados. É apenas um ponto de tecnologia da Arena MRV, que investiu R$ 100 milhões neste aspecto. A ideia, por exemplo, é criar uma grande rede de Wi-Fi para acesso dos torcedores, e simplesmente ser um estádio onde o dinheiro em espécie não circulará. Será tudo comprado por meio de um aplicativo próprio.
O campo
O gramado da Arena MRV, que terá as medidas oficiais da Fifa – 105 x 68m -, já teve a parte de drenagem toda instalada. Agora, está na fase do sistema de irrigação. O tapete tem um formato de inclinação leve para o escoamento da água, quase imperceptível. Será grama 100% natural.
O primeiro evento oficial do estádio, em 25 de março de 2023, será justamente a marcação oficial do campo, instalação das traves, o primeiro chute a gol e Show com a Orquestra Ouro Preto. Os eventos conhecidos como “BH Festival” serão de público gradual, a partir de 10 mil pessoas, em processo de teste do equipamento.
Já foram instaladas 17 mil cadeiras. A ideia era que os assentos fossem pretos, mas, para não causar excesso de calor ao torcedor, a cor foi mudada. As cadeiras da Arena MRV serão cinzas (dois tons), brancas e amarelas, com algumas poucas unidades na cor preta.
Acessibilidade
Mas não é só na parte virtual a ideia de ultra conectividade. A futura casa do Atlético também pensou na acessibilidade dos torcedores. Quem tiver locomoção limitada poderá acessar todos os níveis de arquibancada, e conseguir assistir aos jogos sem barreira. São três grandes rampas que interligam o nível 1 com os níveis 2 e 3.
Os “andares” da arena, inclusive, tiveram os naming rights vendidos para ArcelorMittal, Brahma e Banco Inter. Rafael Menin, presidente da MRV Engenharia, e membro do órgão colegiado, até informou que a expectativa é de se arrecadar R$ 17 milhões dessa comercialização de nomes – incluindo a própria MRV. Cabe mais. O estacionamento – operado pela Estapar – já está em processo avançado, com marcação de vagas e pinturas das pilastras. São quatro níveis em subsolos, que terão ligação direta com a parte viária.
Contrapartidas
Uma das preocupações no orçamento da Arena MRV está nas contrapartidas. A obra tem um preço máximo garantido com a Racional Engenharia, responsável pela construção – em R$ 620 milhões. São outros R$ 100 milhões de tecnologia. O custo fecha em cerca de R$ 950 milhões. As contrapartidas estão na casa dos R$ 150 milhões.
As contrapartidas, exigências do poder público para liberar a Licença de Instalação (início das obras), e a Licença de Operação (para o estádio abrir as portas), são divididas em duas naturezas: as viárias, que prometem acabar em março, e as sociais.
As sociais são as instalações de um Centro Integrado de Línguas, Núcleo de Assistência à Saúde e à Família e uma Academia da Cidade. Essas salas estarão na Esplanada, onde ficará a bilheteria da torcida do Atlético, além da sede do Instituto Galo (que é uma contrapartida).
Em cima do prédio em construção, a ser entregue totalmente à Prefeitura de Belo Horizonte, ficará o que se chama de “TV Compound”, local onde os caminhões de transmissão de jogos pelas emissoras de televisão ficarão estacionados. A ideia é fazer do mesmo local o estacionamento da imprensa em geral, e, naturalmente, o acesso ao credenciamento.
Ainda nas contrapartidas sociais, a Arena MRV será responsável por criar um parque linear (condições de acesso) na Mata dos Morcegos, e mantê-lo por 30 anos. Há ainda a criação de um centro comunitário para os moradores da Cabana do Pai Tomás, e a reforma da Unidade Básica de Saúde do bairro Califórnia. Há também a regularização fundiária em área de conservação no Parque Nacional da Serra da Gandarela.
O terreno onde foi construída a Arena MRV era uma Área de Preservação Permanente. O projeto conseguiu obter status de “utilidade pública” do Governo Estadual, e suprimir parte da vegetação local. Há uma área preservada e intocável, anexa ao estádio, chamada de RPE (Reserva Particular Ecológica), cuja mata ainda não tem um nome simbólico.
Por fim, a Arena MRV se comprometeu com a secretaria ambiental da PBH a plantar 46 mil mudas de árvores em pontos de Belo Horizonte. Representará uma árvore para cada assento do futuro estádio. O plantio será concluído em 10 anos.
Em um projeto robusto, que começou no horizonte do Atlético no fim de 2014, ainda há pontos em indefinição. A ideia é levar a sede administrativa do Galo para a futura casa, no hall de entrada, e desocupar o prédio de Lourdes para ser explorado.
O Atlético também tem em mente a instalação do museu na arena, e há sala com 1,6 mil m² na área do camarote projetada para tal espaço. O que não falta é história para o clube que irá completar 115 anos na inauguração oficial da Arena MRV.
Fonte: Globo Esporte
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