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Ex-judoca do Flamengo que trocou Brasil por Portugal é prata no Mundial com costela fraturada

Em agosto de 2018, Bárbara Timo tomaria a decisão que não só mudaria sua vida pessoal como também sua carreira como judoca. Ex-atleta do Flamengo, a carioca de 28 anos assinou contrato com o Benfica que, assim como o Paris Saint-Germain fez com a contratação do multicampeão Teddy Riner, passou a investir mais no judô. Mas o que ela não sabia era que, meses depois, iria se naturalizar portuguesa, deixando a seleção brasileira para trás. Um ano depois, ela alcança sua maior conquista na carreira, uma medalha de prata no Mundial de Tóquio, no Japão.

Bárbara não só chocou os japoneses, mas também causou espanto na imprensa portuguesa que vem acompanhando a trajetória da atleta. Durante os últimos dias eles tomaram conhecimento de que a jovem teve uma fratura em uma costela no último treino em Portugal antes de vir para o Japão. Ela então passou a usar uma cinta, o que torna a conquista ainda mais incrível, já que ela não está 100% recuperada.

– Minha primeira grande medalha e que fica para a minha história, estou muito feliz porque nem sabia se ia conseguir vir. Há 15 dias tive uma lesão na costela. Minha equipe sabe o quanto foi difícil. Nem sabia se conseguiria embarcar. Agradeço aos fisioterapeutas que conseguiram que eu estivesse bem hoje. No mesmo dia que machuquei a costela descobri uma fissura no cotovelo. Eu sabia que estava preparada, mas não sabia se conseguiria lutar. Eu agradeço a todos que confiaram em mim e em Portugal que investiu em mim e acreditou no meu sonho – vibrou Bárbara.

Bárbara Timo já vinha em grande fase na temporada. Desde que se naturalizou portuguesa em janeiro deste ano, ela foi bronze no Grand Slam de Paris, na França, em fevereiro e, um mês depois, conquistou seu primeiro ouro por Portugal. Foi no Grand Prix de Tbilisi, na Geórgia. Nesta quinta, contudo, ela teve um dia para ficar na memória.

– Em 2016 eu fiquei afastada um pouco antes do tempo. Não pude nem disputar. Não cheguei nem perto de disputar, eu não quero essa sensação de novo, quero ser campeã olímpica. Deixei minha família, meu cachorro, moro com uma amiga, então é um sonho realizado – disse.

O caminho no Mundial
Depois de bater Enkchimeg Tserendulam, da Mongólia, e Roxane Taeymans, da Bélgica, ela derrotou ninguém menos que a japonesa Chizuru Arai, atual bicampeã mundial e melhor o mundo em seu peso, causando espanto dos japoneses. Nas quartas, ela bateu a holandesa Van Dijke.

Confiante, Bárbara encontrou na semi Margaux Pinot, da França. E, simplesmente, não tomou conhecimento da algoz da brasileira Maria Portela. Canhota, Bárbara surpreendeu com um giro para a direita e, com um ippon, avançou à final com naturalidade.

Na decisão ela enfrentou outra francesa, Marie-Éve Gahié, atual número 2 do mundo. Com duas derrotas contra Gahié, uma em 2015 pelo Brasil, e uma em 2019 já por Portugal, não foi dessa vez que a brasileira naturalizada portuguesa conseguiu reverter o histórico negativo. Por ippon, a francesa acabou superando Bárbara no minuto inicial. Com o resultado, a vice-campeã mundial tem agora aproveitamento de 70,96%, com 22 vitórias em 31 lutas.

Bárbara Timo sempre sonhou morar fora do Brasil. Quando tirou férias em Portugal, começou os contatos com o Benfica. E o resto é história: bem pelo clube português, ligou o alerta de seleção e acabou se naturalizando, deixando seu histórico pelo selecionado do Brasil no passado.

– Eu tirei a internet, é de madrugada. Espero que meus amigos de Portugal e minha família no Brasil tenham visto – disse aos risos.

Em “casa”
Agora, a lutadora é a principal atleta da categoria -70kg de Portugal e continua como rival de Maria Portela, só que defendendo outras cores. Diariamente, ela tem na equipe alvirrubra a companhia de outros brasileiros.

Um deles é Rodrigo Lopes, ex-companheiro de treinos de Eric Takabatake na Sogipa e que bancou a ida ao Mundial entregando panfletos na rua, que também foi morar em Lisboa, e Rochele Nunes, dos pesos-pesados (+78kg), que fez o mesmo processo de naturalização pelo qual ela passou. Todos eles têm como referência e parceira de treinamentos a benfiquista Telma Monteiro, considerada a maior judoca da história de Portugal.

Veja os atletas brasileiros participantes e o serviço do Mundial de Judô
Local: Nippon Budokan – Tóquio, Japão
Capacidade: 10.000 lugares
Transmissão: finais às 7h no SporTV 3

AGENDA (horários de Brasília)

DIA 6 (30/08)
Categorias: 78kg feminina e 100kg masculina (meio-pesado)
78kg – Mayra Aguiar
100kg – Leonardo Gonçalves e Rafael Buzacarini
Classificatórias – 00h
Finais – 7h

DIA 7 (31/08)
Categorias: +78kg feminina e +100kg masculina (pesado)
+78kg – Maria Suelen Altheman e Beatriz Souza
+100kg – David Moura e Rafael Silva
Classificatórias – 1h
Finais – 7h

DIA 8 (01/09)
Equipes mistas
Classificatórias – 1h
Finais – 7h20

Obs.: Fora os atletas citados acima, que estão no individual e podem ser usados na disputa por equipes, há mais quatro convocados somente para o torneio de times. São eles: Eduardo Katsuhiro Barbosa (73kg); Jeferson Santos Junior (73kg); Tamires Crude (57kg) e Ellen Santana (70kg)

Fonte: Globo esporte


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