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Formiga confirma demissão do UFC, e lamenta não ter disputado título: “Não me senti valorizado”

No início da semana, a notícia de que Jussier Formiga havia sido dispensado do UFC pegou a todos de surpresa, mas principalmente o próprio lutador peso-mosca (até 56kg). A informação foi publicada primeiro pelo site “MMA Fighting”, e confirma pelo próprio atleta em conversa com o Combate. O lutador nascido em Natal e hoje radicado na Flórida, nos Estados Unidos, explicou como tudo aconteceu nos últimos dias, e não escondeu certa mágoa com o Ultimate, ainda que reconheça a importância que teve na sua carreira até aqui.

– Até eu fui pego de surpresa também, não esperava. Lutei em junho, depois tive uma lesão no joelho e até achei que ia operar, mas não operei, operei foi o ombro, e ficou tudo tranquilo. Há um mês e meio, eles (UFC) mandaram e-mail para o meu manager perguntando como estava minha recuperação, se já estava bem e se já podia lutar. Meu manager falou que não, que estava na reta final da recuperação e que faltava um pouco ainda. Eles falaram: “tá bom, tudo bem”, e não tivemos mais contato. Quando foi há uma semana, mandaram e-mail para o meu manager e disseram que teria um corte de vários lutadores, não sei ao certo quantos, e eu estava nessa lista, e que infelizmente cancelariam o meu contrato para que fosse um agente livre para procurar outra organização. E foi basicamente isso.

Formiga, de 35 anos, era o sétimo colocado no ranking peso-mosca atualmente, e estava no UFC desde 2012. Foram nove vitórias e sete derrotas na organização. O lutador acredita que não tenha sido valorizado apesar dos momentos que teve no UFC.

– O UFC foi muito bom na minha carreira, a gente nunca pode cuspir no prato que a gente come ou que comeu. Foi de grande valia para mim, apesar de que em alguns momentos não me senti totalmente valorizado no evento. Lógico que vinha num momento ruim no UFC, mas tive momentos muito bons, em que emplaquei três, quatro vitorias seguidas, inclusive venci lutadores que lutaram pelo título e eu não lutei.
O melhor momento de Jussier Formiga foi quando venceu quatro lutas seguidas entre 2017 e 2019. Ele esperava que a luta com Joseph Benavidez valesse o cinturão em junho do ano passado, mas não só não teve título em jogo, como ele ainda foi nocauteado. Na época, Henry Cejudo provocou atraso na categoria ao subir para o peso-galo e ainda assim manter seu título nos moscas.

– A maior sequência de vitórias, quando achei que me botariam para lutar pelo título e não colocaram, foi inclusive depois da minha última vitória, contra o Deiveson. Eu vinha de quatro vitorias seguidas, tinha vencido (Ulka) Sasaki no Japão, Ben Nguyen na Austrália, e Sergio Perez, que era cotado para lutar pelo título, e acabei vencendo o Daico também (…). O cinturão estava com (Henry) Cejudo, ele ia lutar na divisão de cima, e disseram que não podiam botar o título de jogo. Eu disse: “ué, tenho que ficar esperando o tempo todo?”. Foi quando me ofereceram a luta com Benavidez em seguida, a gente até pediu que fosse pelo cinturão, mas falaram que não podiam fazer pelo interino. E acabei perdendo para o Benavidez. Mas tudo bem, meu único sentimento triste no UFC talvez tenha sido esse.

Sobre o atual momento, vindo de derrotas para Benavidez, Brandon Moreno e Alex Perez – este enfrenta Deiveson Figueiredo pelo título no próximo sábado -, Formiga não acredita em momento ruim, e explica as peculiaridades de cada tropeço.

– Benavidez era uma luta que estava vencendo, acabei errando, e ele venceu. Em seguida, em março no Brasil, foi uma luta com Brandon Moreno que achei que tivesse vencido, não fiquei satisfeito, mas não sou eu que estou ali para julgar e acabei saindo com a derrota. Na terceira luta foi apenas uma fatalidade, lesionei meu joelho, não teve nem luta, não dei sorte de vencer. Mas não encaro isso como má fase.

Formiga revelou que ainda tinha mais três lutas no contrato com o UFC, que havia assinado por dez lutas anteriormente. Ele já tinha feito sete delas. Sobre o futuro, disse analisar propostas que já começaram a chegar ao seu empresário Dan Lambert ao headcoach Conan Silveira.

– Agora vou ver realmente o meu valor, onde posso lutar. Com certeza devo ter muitas portas onde possa lutar, tanto no ONE, na Ásia, como no Bellator, Brave, onde for. Estou tranquilo em relação a isso (…). Já estou bem melhor, tive a cabeça boa quando recebi a notícia, a gente sabe que tudo na vida tem início, meio e fim, então uma hora chegaria ao fim para mim no UFC, não sabia quando, mas sabia. Já falei com meu manager e com meu headcoach, e eles já estão vendo opões para mim. Já recebi uma pequena proposta para um GP no Brave, e temos mais duas propostas, e vamos ver no que a gente pode se encaixar.

A categoria peso-mosca foi criada em 2012, quando um GP levou Demetrious Johnson ao título. Nos últimos anos, o fim da divisão foi discutido e chegou muito próximo de acontecer, Para Jussier Formiga, o UFC tinha em mente ter um campeão que nunca conseguiu chegar ao cinturão, e sempre faltou boa vontade os atletas que a integram.

– Quando o UFC fundou essa divisão em 2012, eles fundaram praticamente para que o Joseph (Benavidez) pudesse ser campeão. Ele era o maior astro do WEC naquele tempo, tinha lutado duas vezes pelo título (dos galos) com Dominick Cruz. A aposta deles é que o Benavidez seria o campeão num GP, e quem virou o campeão foi o Demetrious Johnson, que para mim é disparado o maior peso-por-peso no mundo. Ele defendeu o título várias vezes no UFC, o cara é um fenômeno. O UFC nunca deu valor ao cara, e quando teve uma brecha de ser trocado para outro evento não perdeu tempo e foi para o ONE. Deve ter sido a melhor escolha que fez na carreira. E aí começou o “zum zum zum” de acabar com a divisão, e na real acho que o UFC não é feliz com ela. Tem o Daico agora que é um cara casca grossíssima, que virou campeão, mas acho que ele vai defender esse cinturão e, num futuro bem próximo, vai querer subir de divisão, não tenho dúvidas. E no futuro acho que vão querer acabar de novo com a divisão.

Fonte: Globo esporte


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