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Jones avisa Gustafsson: “Estava bêbado durante metade do camp e venci. Imagine o que farei agora”

Ter a oportunidade de entrevistar um grande astro como Jon Jones não é algo simples. Os compromissos com o treinamento para o UFC 232 e as obrigações de mídia agendadas pelo UFC consomem praticamente todo o tempo do lutador. O Combate.com teve acesso a Jones e preparou uma entrevista exclusiva dividida em duas partes. Na primeira parte, abaixo, o ex-campeão dos pesos-meio-pesados do UFC fala sobre a revanche contra Gustafsson e a luta travada consigo mesmo para domar o seu lado rebelde. Na segunda parte, que vai ao ar na próxima quarta-feira, dia 19, Jones aborda sua rivalidade com Daniel Cormier e fala abertamente do acidente em que se envolveu em 2015 e que detonou uma série de polêmicas na sua carreira e na sua vida pessoal.

Quando ficarem frente a frente novamente, no UFC 232, que acontece no próximo dia 29, em Las Vegas, Jon Jones garante que Alexander Gustafsson vai estar lidando com um atleta completamente diferente daquele que encarou no primeiro encontro entre eles, em 2013. O americano revelou que, naquela época, achava que era invencível e fez praticamente todo o camp bêbado.

– Eu estava numa postura muito arrogante, eu não acreditava que podia perder. Achava que era impossível perder por conta de um poder mágico que Deus tinha me dado. Eu estava no auge do meu comportamento festeiro, eu acordava muito tarde, faltava treinos, estava festejando o tempo todo. Estava bêbado durante metade do camp de treinamento. E ainda saí com a vitória. Quero que ele perceba que ele lutou com uma versão diluída de mim contra a melhor versão absoluta dele e, mesmo assim, ele perdeu. Mas agora eu e ele vamos nos encontrar na melhor forma de nós dois e quero ver como ele se sai – disse Jones, que venceu Gustafsson na decisão unânime dos juízes no UFC 165.

Apesar das justificativas pela performance , o americano considera que o combate contra o sueco foi o mais difícil da carreira. Para Jones, a luta foi determinante para mudar a postura de treinamentos para os desafios posteriores.

– Eu acreditava que não era humano e Gustafsson me mostrou que eu sou muito humano. Deus pode te dar talento, mas se você não se esforçar e trabalhar para mantê-lo, ele não vale nada. Dizem que trabalho duro vence o talento se você nao estiver se esforçando, e eu ali fiquei muito próximo de perder. Foi algo que me mudou para sempre, a partir daquela luta eu comecei a dar muito mais atenção para as demais. Foi ali que eu percebi que não era invencível – disse o americano.

Com a opção de Daniel Cormier em lutar nos pesos-pesados, o confronto principal em Las Vegas vai coroar um novo campeão da categoria até 93kg. Confiante na vitória, Jones projeta sonhos maiores.

– Finalizá-lo é muito importante para mim. Muita gente acha que perdi a primeira luta e eu quero acabar com essas dúvidas na cabeça das pessoas. Mas, acima de tudo, pegar o meu título de novo é muito mais importante. Minha missão é ser considerado um dos melhores lutadores que já viveu. Eu quero ser o melhor lutador da história do UFC. O maior campeão, o mais dominante. Eu sei que isso vem com derrotas, vitórias, desapontamento, muita falação… Eu estou aqui disposto a encarar tudo isso. Gustafsson é so mais uma peça nesse quebra-cabeça de domínio.

Na entrevista, Jones ainda falou sobre como lidou com o tempo parado por conta da suspensão por doping, a preparação para a luta e o futuro no Ultimate. Confira abaixo a entrevista completa.

Lidar com o doping
Foi uma coisa difícil de se passar, como um atleta. Eu acho que fãs de esportes podem ser compreensíveis com muitas coisas, mas uso de esteróides é algo que as pessoas não perdoam. Foi difícil ter que passar por isso. A situação me fez mais forte, me ensinou a como me manter com a cabeça alta na vida mesmo nas situações mais terríveis. Honestamente, foi ótimo ver todos os meio-pesados que eu venci dando entrevistas falando que deve ter sido essa a única razão por eu tê-los vencido. Isso me fez ver quantos frouxos têm na divisão dos meio-pesados. Eu passei por isso, estou onde eu mereço e competindo pelo lugar mais alto.

Período suspenso
Durante o tempo da minha suspensão eu fiquei muito antissocial. Tentei me manter positivo, afastado dos problemas, focado na minha família. Mas não deixei de treinar, apesar de ter recebido um técnico em casa, acabei fazendo um treino mais individual que melhorou muito meu boxe nesse tempo. Eu também fui muito para a terapia nesse verão para me ajudar a lidar com a situação, com esse estresse, com todo esse trauma. É muito ruim ter esteroides no seu corpo e não ter uma pista de como ele foi parar dentro de você. E o mundo inteiro acha que você é esse mentiroso de m***. Isso me pegou. Eu pedi ajuda profissional por conta disso e me sinto muito grato por ter meu trabalho de volta.

Primeira luta contra Gustafsson
Eu era um cara muito novo, vencendo todas as lendas do nosso esporte. Em um nível espiritual, eu achava que Deus tinha me abençoado como lutador e que não ia me deixar perder. Eu me achava muito dominante, anos-luz à frente de todos da categoria. Foi uma época animal na minha vida. Eu lembro que eu falei para o meu treinador de wrestling no caminho para o hospital após a luta: se tinha alguma luta que eu deveria ter perdido na vida, deveria ter sido aquela. Eu sabia, no meu coração, que eu não deveria ter vencido aquela luta, não pelo jeito que ela se desenrolou, mas por conta do treinamento para ela.

Aprendizados da luta
Aquela luta me mostrou muita coisa: que meu corpo e meu pulmão não estavam preparados para lutar intensamente durante 25 minutos contra um matador como ele, mas que meu coração e orgulho estavam no lugar certo. Não tinha jeito de nenhum de um homem me vencer. Para isso, ele teria que me matar ou me nocautear. Aprendi naquela luta que eu tenho um coração gigante.

Preparação para a segunda luta
Não acho que estou fazendo algo diferente para essa luta. Se não está quebrado, não tem porque consertar. A nossa mentalidade é voltar do ponto onde paramos, e onde paramos foi com um nocaute em cima de um dos melhores do mundo, que é Daniel Cormier. Eu não trouxe absolutamente nenhum parceiro de treinos para esse camp, apesar de saber dos desafios por conta da envergadura e do trabalho na parte em pé. Mas eu nunca contratei atletas especiais para imitar outro atleta. Eu acredito no que eu vou fazer, no que eu tenho para oferecer, e no trabalho do meu time.

Imagem com os fãs
Meus fãs perceberam que não sou o tipo perfeito de campeão. Eu acho que, para ser o campeão, você deve ser o melhor cara do pedaço. Não é só usar terno, falar de uma forma articulada, ou ter a imagem perfeita. Não acho que ser campeão seja isso, e sim ser o melhor atleta. Isso é o que ser um campeão significa para mim. Eu acho que me libertei dessa coisa de querer ficar agradando as pessoas e sendo o que todo mundo queria que eu fosse. Eu só foquei nesses dias no que eu posso controlar, e isso é ser o melhor homem que eu posso ser para as pessoas que eu conheço e a minha família, e trabalhando duro. Acho que é isso para mim.

Dinheiro e fama
Desde que McGregor apareceu ele mudou bastante o cenário para todos nós, temos sido “cuidados” de uma forma muito melhor. Eu sempre tive muitas performances boas e fui muito bem remunerado pelo UFC por causa disso. Sou muito grato. No fim das contas, o que penso de dinheiro e fama é que eles não importam. É legal poder entrar numa boate sem pegar fila, essas coisas, mas tem muita coisa negativa que você carrega por ser uma figura pública. Se eu, honestamente, pudesse voltar atrás, não gostaria de ter toda essa fama. A parte financeira é muito boa, claro, para você poder dar tranqüilidade para a sua família. Você aprende a dar valor ao que vai estar lá para sempre: a família.

Futuro
Não sei o que vem depois: superlutas, Daniel Cormier nas duas categorias, vários desafiantes no meio-pesado. Quero só ver como vai ser minha performance e pensar a partir daí.

Fonte: Globo esporte


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