Juliana Velasquez será a desafiante ao cinturão peso-mosca da americana Ilima-Lei MacFarlane no duelo principal do Bellator 254, nesta quinta-feira, em Connecticut, nos Estados Unidos. Para a brasileira, o título ainda vale mais que uma conquista esportiva.
Em entrevista ao Combate.com, ela dedicou a luta mais importante da carreira ao irmão, Rafael, morto em 2016, aos 31 anos, vítima de broncoaspiração durante uma crise convulsiva.
— Como atleta, vou dizer que (esse cinturão) representa uma medalha olímpica que não tive. E, na minha vida pessoal, representa uma grande homenagem ao meu irmão, quero muito poder dedicar esse cinturão a ele e a toda a minha família. A gente conversava bastante e meu irmão ficava muito feliz com as minhas conquistas, comentava com todo mundo. Ele realmente é meu grande fã e, hoje, meu anjo da guarda.
Durante a pesagem oficial do evento, Juliana mostrou a tatuagem que tem de uma caricatura de Rafael, ao mesmo tempo em que apontava para o céu com o outro indicador (foto acima). Os traços originais são do próprio irmão, mestre em Antropologia que gostava de desenhar nas horas vagas. Ele faria aniversário no último dia 24.
— O meu pai tinha mania de gravar a televisão com uma câmera quando eu lutava. Ele não entende muito de tecnologia e fazia isso. E meu irmão sempre assistia ao lado dele. Então depois eu via a gravação e escutava os comentários e a vibração deles. Eu não gostava que eles fossem nos eventos. Nas duas vezes em que lutei no Rio, um foi fechado e no outro pedi para não irem. Eu ficaria muito nervosa sabendo que eles estavam ali e eu poderia me machucar. Se um dia eu abro a cabeça, a cara… sempre pedi para eles assistirem de casa, meu pai fica muito nervoso — diz a peso-mosca.
Rafael não pôde ver Juliana ingressar no Bellator, em dezembro de 2017, mas estaria orgulhoso do desempenho da irmã, que tem cinco vitórias em cinco lutas na companhia. Atleta da academia Team Nogueira, no Rio de Janeiro, ela é oriunda do judô e está no MMA desde 2014, com cartel invicto de dez triunfos, mais por nocaute (4) que por finalização (1). Diante do estilo da adversária desta quinta, pretende honrar a origem na luta agarrada.
— Ela é bem forte no grappling, mas lá na academia temos atletas que são maravilhosos nessa área também. Fiz a maior parte do meu camp com o Gabriel Silva, do UFC, que é grappling puro. Vai ser uma guerra, um grande espetáculo, e vocês vão ver uma Juliana um pouquinho diferente. Todos estão acostumados a me ver “trocar” muito, mas essa vai ser uma oportunidade de colocar também o meu judô em dia, mostrar que tenho a parte de grappling tão forte quanto a trocação — afirma.
Caso a carioca vença, o Brasil terá cinco dos nove cinturões do Bellator — Patrício Pitbull (com dois), Cris Cyborg e Douglas Lima já são campeões e fazem do país o maior vencedor na organização atualmente. Já a americana MacFarlane é campeã peso-mosca desde a inauguração da divisão na companhia, em novembro de 2017. Assim como Juliana, nunca foi derrotada e soma 11 triunfos, seis por finalização.
A brasileira diz que não se atém aos números, sejam seus ou da adversária. O encontro já era aguardado desde dezembro do ano passado, quando conquistou sua última vitória no Bellator e se credenciou para o “title shot”. A pandemia do novo coronavírus adiou a disputa, e Juliana cita que o controle sobre a própria alimentação foi um desafio particular durante os dias de isolamento. No último camp, a atleta teve um ganho de peso um pouco maior que o de costume.
— Não vou esconder que fiquei um pouco ansiosa, estava louca para disputar esse título. Mas consegui me conter, meus professores me ajudaram muito nessa parte. Quando (o evento) estava voltando, já acreditei que a gente fosse lutar nesse ano, mas não imaginei que fosse ser tão tarde. O importante é que veio. Desafio é o corte de peso (risos), para mim e para todos. Na pandemia a gente acabou dando uma relaxada no começo. É a ansiedade que faz comer, e quando mexe com comida é complicado. Mas sempre faço o corte de peso com muito cuidado e antecedência — comenta a peso-mosca.
Nesta semana, durante uma sessão de fotos oficial do Bellator, Juliana teve uma prévia do sabor que pode sentir ao final desta quinta. Ela pegou no cinturão da companhia e, pelo menos por alguns segundos, pôde ser a dona do título (veja o vídeo abaixo).
— Deu vontade de quero mais, de sair correndo com ele ali na minha mala e ir embora para o Brasil. Deu mais vontade e mais gana de entrar lá e fazer o melhor — recorda a carioca, que durante a sessão descreveu a sensação de ter o cinturão em sua posse — Me sinto bem. Isso é uma loucura, é incrível!
Aos 34 anos, com cartel irretocável e diante do maior desafio de sua trajetória, Juliana prefere não falar sobre planos. Concentrada no atual desafio, deseja apenas um descanso no início do próximo ano em caso de vitória.
— Eu penso uma coisa de cada vez. Minha cabeça agora está focada nessa luta, em ganhar o cinturão. Depois eu quero… férias. Não tive férias, foi um ano muito complicado, atípico, a gente não sabia quando lutaria, então tive que manter os treinamentos e o corpo sempre no auge, porque a qualquer momento eu poderia ser chamada — diz.
Fonte: Globo esporte
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