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Mulheres assumem protagonismo do Brasil na natação, e Daniel Dias pode reduzir provas em Tóquio

Para quem se acostumou aos multimedalhistas homens na natação paralímpica, o Mundial de Londres representou uma mudança significativa do perfil da delegação do Brasil. Com a maior representatividade feminina veio também a qualidade.

Pela primeira vez na história da competição as mulheres conquistaram mais pódios para o país. Foram nove medalhas, sendo três de ouro, contra oito dos homens. A 17ª medalha do país veio num revezamento misto, também com grande desempenho feminino.

O Brasil chegou à Inglaterra com o dobro de mulheres em relação à última edição do Mundial, na Cidade do México. Aqui foram 12 representantes, e metade voltará para casa com ao menos uma medalha na bagagem. Maria Carolina Santiago termina o evento como a maior vencedora do país, com dois ouros e duas pratas em cinco eventos disputados.

Lucilene Sousa, Maria Carolina Santiago, Carlos Farrenberg, Wendell Belarmino. Reservas: Matheus Rheine e Guilherme Silva

Uma das veteranas do grupo, Edênia Garcia sagrou-se tetracampeã mundial dos 50m costas S3. Em seu sétimo Mundial, ela foi testemunha dessa mudança na delegação. Destaca não apenas a presença feminina, mas a maior distribuição de medalhas entre toda a delegação.

– O mais importante é que todo mundo sempre fala de aumentar o número de mulheres no esporte. Não só aumentou o número, mas a qualidade. É espetacular. A gente vê que estão distribuindo mais as medalhas, não está mais concentrado só em poucos atletas, no Daniel e no Andre. Isso mostra que a gente consegue melhorar cada vez mais, que tem uma geração nova de mulheres chegando. E de homens também. Acho que Tóquio vai ter um quê a mais de mulheres, de mais qualidade e mais resultados também.

Brasil cai para 11º no quadro de medalhas
O Brasil mostrou uma maior força coletiva nesta edição do Mundial, alcançando 57 finais, 15 a mais do que o Mundial de Glasgow – não usamos o Mundial de 2017 como referência porque a competição foi adiada em função de um terremoto e várias potências não estiveram presentes, como Grã-Bretanha e Rússia. Mas, depois de uma campanha histórica nos Jogos Parapan-Americanos de Lima, o evento em Londres foi um duro choque de realidade.

A delegação brasileira cresceu nas provas para cegos (S11 a S13) e para deficientes intelectuais (S14). Mas não pôde contar com os tradicionais multimedalhistas e despencou no quadro de medalhas. Foi do 4º para o 11º lugar. A Itália, que nunca tinha ficado à frente do Brasil na classificação, surpreendeu e terminou na liderança do evento, com 50 medalhas, sendo 20 de ouro.

– Mais do que o fortalecimento da Itália são as medalhas que o Brasil perde. (Perdemos) pelo menos cinco medalhas de ouro aqui, porque o chinês (Lichao Wang) nadando livre, o Daniel não conquista mais nenhuma medalha de ouro pelos tempos que a gente viu aqui. Óbvio que o crescimento da Itália vai impactar, e o desafio se torna ainda maior pelas medalhas que o Brasil deixa de ganhar por conta do processo de classificação – disse Mizael Conrado, presidente do Comitê Paralímpico do Brasil (CPB).

Daniel Dias pode nadar menos em Tóquio
A baixa na equipe começou pela inelegibilidade de Andre Brasil, um dos maiores nomes da história da classe S10, para atletas com deficiência motora mínima. O CPB está recorrendo da decisão, mas no momento o carioca está impedido de competir no esporte paralímpico. Phelipe Rodrigues, maior medalhista do Parapan com sete pratas e um bronze, até fez bons tempos levando em consideração suas melhores marcas pessoais, mas deixou a Inglaterra com apenas um pódio.

Daniel Dias ainda se manteve entre os principais vencedores da competição, com pódios nas quatro provas individuais que disputou – o que não conseguiu nos dois revezamentos em que liderou a equipe.

Mas penou diante do aumento significativo de competitividade na classe S5, que recebeu vários atletas que até 2018 competiam na classe S6, para nadadores com menor comprometimento físico. O novo cenário pode, inclusive, fazê-lo rever o programa de provas para os Jogos de Tóquio 2020.

Fonte: Globo esporte


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