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O brasileiro de 1,94m e 150kg que trocou a fazenda pela NFL: “Meu sonho era trabalhar com gado”

O estado de Mato Grosso, no Centro-Oeste do Brasil, é conhecido pela potência no agronegócio, principalmente na produção de soja, milhão, algodão e de rebanho bovino. Durval Queiroz Neto já tinha seu caminho traçado. Cresceu na fazenda, numa família de pecuaristas. Fez curso de técnico agrícola e depois se formou engenheiro agrônomo. Mas ele cresceu tanto, tanto, tanto, que virou Duzão e trocou o gado pelo futebol americano. Nesta segunda-feira, o Miami Dolphins anunciou a chegada do brasileiro de 26 anos, 1,94m e 150kg. O defensive tackle foi selecionado depois de passar pelo International Player Pathway Program do NFL Undiscovered, programa que seleciona estrangeiros para a liga.

“Meu sonho era trabalhar com gado, na fazenda, até que descobri o esporte”
– Sempre morei na fazenda, desde que nasci. Fiz curso de técnico agrícola na escola e depois passei na faculdade de Agronomia e me formei. Meu sonho era trabalhar com gado, na fazenda, até que descobri o esporte. Minha família trabalha com gado de corte. Somos uma família de pecuaristas – contou.

Filho de um empresário e de uma administradora, Duzão é o mais velho de três irmãos. O menino foi criado em meio a cavalos, bois, cabritos e tudo mais que envolve a pacata Diamantino, cidade com pouco mais de 20 mil habitantes a 190km da capital Cuiabá.

Judô ajuda no futebol americano
O primeiro esporte de Duzão foi o judô. Nos tatames desde pequeno, colecionou medalhas e títulos nacionais. Desenvolveu habilidades importantes que o ajudaram a ter um diferencial entre os sete atletas que passaram pela seleção dos estrangeiros na NFL. Velocidade e flexibilidade para um jogador de defesa, de 150kg.

– Lutei judô dos 4 aos 18 anos e cheguei à faixa roxa. Ganhei uns 10 campeonatos brasileiros. O judô me deu disciplina, respeito e, principalmente, a agilidade que tenho hoje. O judô me fez assim. Para conseguir chegar à NFL você tem que ter uma vida disciplinada desde cedo. E tudo isso foi o judô quem me deu. Cair e levantar rápido. Sempre estar pronto para outra. Nos EUA tem muito jogador que lutava wrestling (luta olímpica) antes de jogar futebol americano, e eles valorizam muito essa habilidade – disse o jogador, que hoje tem duas paixões: aviões e futebol americano.

Duzão descobriu a bola oval só mais velho. Quando mudou para Tangará da Serra para estudar, foi chamado por amigos para “derrubar” uns caras: “Quem vier você tem que parar”. Amor à primeira vista. Jogou no Tangará Taurus e depois foi levado pelo americano Kenneth “KJ” Joshen Jr. para o Cuiabá Arsenal. KJ virou amigo e agente do brasileiro. Apostou no potencial de Duzão, que ainda integrou a seleção brasileira de FA. Em 2017, os dois partiram para os EUA determinados a ingressar na NFL. Descobriram o NFL Undiscovered e chamaram a atenção do escritório de Londres, responsável pelos estrangeiros da liga.

O olheiro saiu da Inglaterra e viajou para ver Duzão jogar no Brasil. O defensive tackle agora defendia o Galo FA pelo FABR, o Brasileirão do futebol americano. O gringo parece ter gostado do que viu, pediu para o brasileiro se poupar e abriu o caminho para o programa nos EUA. O sonho estava mais perto. Neste ano, quatro jogadores ganharam vaga nos quatro times da Divisão Leste da Conferência Americana. Entre eles, Duzão, no Miami Dolphins; Valentine Holmes, australiano ex-jogador de rúgbi foi para o New York Jets; Jakob Johnson, alemão que atuava na liga do seu país está com o New England Patriots; e Christian Wade, britânico do rúgbi trabalha com o Buffalo Bills.

Duelo com Tom Brady e JJ Watt como ídolo
O brasileiro se apresenta ao Miami na próxima segunda-feira (15/04) e participa do training camp até o dia 26 de junho. O objetivo é ficar entre os 53 jogadores do elenco que defenderá o time na temporada 2019/2020. Se isso não acontecer, ele entra para o practice squad e pode ser chamado quando o time precisar. Os Dolphins estão na mesma divisão dos Patriots de Tom Brady, franquia atual campeã do Super Bowl e dona de seis títulos. Todo ano, as equipes se enfrentam pelo menos duas vezes. Duzão já se imagina frente a frente com o quarterback e sonha com um sack.

– Vai ser muito emocionante dividir o campo com Tom Brady, mas eu não pensaria duas vezes em jogá-lo no chão. Acho ele o melhor jogador de todos os tempos. Nem tem como imaginar um cara que trabalha sob pressão e consegue se manter calmo e passar a bola ao mesmo tempo, tendo inúmeras opções. Ele e (Bill) Belichick são dois gênios.

A admiração por outra fera da NFL é declarada: JJ Watt. O defensive end do Houston Texans foi selecionado cinco vezes para o Pro Bowl, ganhou três vezes o prêmio de melhor jogador de defesa do ano da NFL, além de ter sido nomeado vencedor do Walter Payton de 2017, prêmio dado ao atleta que mais contribuiu fora de campo para sua comunidade.

– JJ Watt é o cara! Você sente o coração do cara dentro e fora de campo. Não desiste da jogada e todo mundo tem medo dele. A bondade com as pessoas fora de campo. Esse é um exemplo para mim.

Caso esteja no elenco dos Dolphins para a próxima temporada, Durval se juntará a Cairo Santos, kicker do Tampa Bay Buccaneers, como os dois brasileiros da NFL. O caminho dos dois até a liga foi diferente. Cairo fez high school e college nos EUA. Já Duzão é o primeiro brasileiro a entrar na NFL vindo da FABR. O menino de Mato Grosso está abrindo portas e acredita que em pouco tempo o Brasil vai receber um jogo da NFL.

Fonte: Globo esporte


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