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Perto de concretizar adoção de gêmeos, Pezão celebra volta ao MMA em momento feliz da vida

Quem nunca escutou que a vida começa depois dos 40? Antônio Pezão, que completou 41 anos nesta segunda-feira, tem boas razões para acreditar no dito popular. Após mais de três anos sem lutar, o peso-pesado está de casa nova, o Taura MMA, e estreia em 30 de outubro, nos Estados Unidos. Melhor que isso só voltar a ser pai, não de um, mas de dois: Pezão está perto de concretizar um processo de adoção de gêmeos. Os meninos de dois anos e quatro meses estão com ele e a esposa desde que nasceram, em 2018, e faltam apenas os últimos detalhes para fechar a guarda legal das crianças. “Estou me sentindo um garoto”, diz o paraibano.

Um desejo antigo de adoção virou realidade para Pezão há dois anos, quando ainda morava nos Estados Unidos, já que é atleta da American Top Team, na Flórida. Por intermédio de um amigo, ele soube da história de uma mulher de 24 anos, grávida de gêmeos em Campina Grande, na Paraíba, que estaria disposta a entregar os bebês para adoção, pois já era mãe de cinco. Em contato com a genitora, Pezão deu suporte durante toda a gestão e se mudou com a esposa para o Brasil assim que as crianças nasceram, para começar o processo legal de adoção.

O peso-pesado associa o momento ruim que vivia na carreira – com apenas uma vitória nas últimas dez lutas, de 2013 a 2017 – mais a fatores psicológicos que técnicos. Agora, em um momento de grande felicidade, perto de fechar a transferência de guarda dos dois meninos, ele garante maior segurança para pisar no octógono novamente.

– 2018 foi um grande ano para mim e hoje me sinto num dos melhores momentos da vida. A cabeça manda em tudo. Lembro que numa luta contra o Frank Mir (em 2015, pelo UFC) eu estava muito bem preparado, mas na hora de entrar no octógono vieram problemas da minha vida pessoal na cabeça e meu corpo congelou. Não era medo, atleta de MMA não tem medo. Tem ansiedade, adrenalina, que fazem parte… mas naquele momento congelei. A cabeça mandou uma informação para o corpo e, infelizmente, perdi a luta. Aconteceram algumas coisas nesses anos e pensei: “deixa eu dar uma segurada e ver onde posso melhorar, o que tem para corrigir, o que posso fazer de melhor, posso ser um ser humano melhor”. E estou achando que esse é um momento mais que especial. Acordo e durmo sorrindo, eu acordava sempre bravo, agora já levanto rindo e satisfeito, cantando, coloco uma música de manhã. É um grande momento da minha vida e foi por isso que resolvi voltar agora, com o pé direito, para depois de um tempo terminar minha carreira assim como comecei – conta o atleta.

Desde 2018, quando retornou ao Brasil, Pezão chegou a passar nove meses em Natal, no Rio Grande do Norte, treinando na Pitbull Brothers com os irmãos Patrício e Patricky Pitbull, mas teve de retornar a Campina Grande, sua cidade natal e onde iniciou o processo de adoção. Lá, ao lado da esposa e dos dois meninos, recebe visitas periódicas de psicólogos e outros profissionais para concluir a transferência de guarda e poder voltar aos Estados Unidos, onde estão suas outras duas filhas, uma de 21 e outra de 11 anos.

Pezão fechou contrato de três lutas com o Taura em julho deste ano, já com adversário para estreia, o americano Bret Martin. Um mês antes ele retornara às atividades físicas e logo depois aos treinamentos na academia, após um tempo ocioso por conta da pandemia do novo coronavírus. Amigo de Rick Monstro, campeão peso-pesado do Taura, ele recebeu boas indicações sobre a organização nacional e destacou a possibilidade de fazer mais lutas no Brasil, além de ingressar em um evento que cresce em novas contratações e está em expansão no mercado internacional. Sobre o primeiro oponente, Pezão diz que encara quem for colocado em sua frente.

– O Djônatan (Leão, presidente do Taura) falou que tinha alguns nomes (possíveis adversários) e perguntou se eu queria olhar e escolher. Falei para ele que já estou no MMA desde 2004 e nunca escolhi oponente nem para “sim” nem para “não”. Minha primeira luta no UFC foi contra o Cain Velzaquez. Depois Travis Browne e (Alistair) Overeem… só me deram pedreira. Nunca fui de escolher ninguém. Sou empregado do Taura e tenho que lutar com quem eles acharem melhor para o evento. Aceitei de imediato e já estamos fazendo o trabalho focado nos lados positivos e também nos defeitos dele – explica Pezão, que não quis falar sobre as estratégias da luta por receio de que Martin pudesse ler.

Para a comemoração dos 41 anos, o peso-pesado ficou em casa apenas com a esposa e os dois filhos, em respeito às medidas de segurança contra a Covid-19. Ele lamenta a impossibilidade de receber a família e comemorar como gostaria, com “abraços” e “boa música”, mas ressalta que não é “o momento apropriado”. Com o desejo de entrar para a história do Taura, o veterano diz que não vai contar a virada de idade neste ano, pois ainda se considera com 40 e em 2021 deve comemorar em dobro.

– Estou me sentindo um menino, como se tivesse começando agora, dando início em tudo. Sendo pai novamente de bebês que hoje já estão com dois anos. Estou sentindo emoção e adrenalina como se fosse minha primeira luta. Mesmo com toda a experiência, tenho aquele frio na barriga. E acho isso bom, costumo dizer que quando você para de sentir isso está lutando só pelo dinheiro e não por amor, é seria a hora de parar. Mas sinto como se fosse minha primeira luta, quero sentir a emoção da vitória que infelizmente há alguns anos não chega na minha vida. Quero ter a adrenalina de ter o meu braço levantado novamente. É como se eu tivesse começando do zero. Mesma vontade de acordar, ir treinar, chegar em casa, descansar de noite e treinar novamente. Estou me sentindo um garoto. Idade é só número, o que importa é como você se alimenta e descansa, é estar bem consigo mesmo.

Fonte: Globo esporte


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