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Pesca, música, família e, enfim, vôlei de praia: Ana Patrícia e Rebecca voltam a treinar “mais motivadas”

Pescar. Ter aulas de música. Brincar com a filha. E depois de quatro meses separadas, voltarem a treinar. Classificadas para as Olimpíadas de Tóquio, Ana Patrícia, de 22 anos, e Rebecca, de 27, passaram a quarentena distantes. Uma em Minas Gerais e outra no Ceará. E na semana em que os Jogos de Tóquio deveriam estar começando, retornaram à quadra em Fortaleza para novamente formarem uma dupla de vôlei de praia. A viagem para o Japão ficou para daqui a um ano. O recomeço do caminho é agora.

– A gente está muito feliz em retornar e fazer o que mais gosta. Sempre bom poder voltar a trabalhar. Todo esse tempo deixou muita saudade e é muito boa essa volta, mais motivadas, com ainda mais vontade de trabalhar. A expectativa é conseguir fazer o planejado como antes disso tudo. Começar a fazer a nossa melhor preparação possível para os campeonatos que vão vir e consequentemente para a Olimpíada – afirma Ana Patrícia, que oi campeã dos Jogos Olímpicos da Juventude, em 2014, com Duda Lisboa, e estava perto de fazer a estreia nas Olimpíadas com Rebecca quando a pandemia de Covid-19 adiou o calendário olímpico.

– Estou muito feliz que a gente realmente voltou a treinar com bola nesta semana. Fortaleza foi pico de casos nesta pandemia, então a gente teve que esperar um pouquinho a mais. Consegui aproveitar bastante esse tempo em casa, fiquei bastante com a minha família. Pude aproveitar as datas que normalmente estou fora e pudemos comemorar com todos juntos. Estou bem feliz, acho que, apesar de tanto tempo longe, com a dificuldade de treinar em casa, a gente tentou se manter firme psicologicamente e fisicamente – explica Rebecca que conseguiu passar o Dia das Mães com a filha Isabella, de 6 anos.

Em meados de maio, A CBV (Confederação Brasileira de Voleibol) anunciou o encerramento da atual temporada do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia devido à pandemia do novo coronavírus. Com o encerramento forçado do campeonato, a confederação declarou Ana Patrícia e Rebecca campeãs do circuito feminino. Elas lideravam o ranking da competição com ampla vantagem em relação às perseguidoras e precisavam apenas entrar em quadra na etapa do Rio para ratificar o título. Enquanto isso, nas últimas semanas, torneios de vôlei de praia começaram a retornar na Europa.

– Eu acho que não preocupa [as rivais terem voltado a treinar antes]. Com certeza a gente gostaria de ter nosso Circuito Nacional, como os países da Europa estão tendo. Mas é o momento de retornar aos treinos, aos poucos a gente vai conseguir retomar nossa rotina. E aos poucos esperamos que nosso circuito retorne. Se retornar em setembro, como tem previsão, seria muito bom, mas agora temos que focar no trabalho e correr atrás do que a gente não pode devido à pandemia. E sempre tentando manter a segurança, pois independentemente de qualquer coisa, a saúde ainda é o que a gente tem de mais importante – refletiu Ana Patrícia, mineira de Espinosa, onde passou parte da quarentena.

– Fui pra casa da minha família, foi um tempo muito bacana. Tudo tem o lado bom e o ruim. A quarentena permitiu que eu ficasse perto de quem eu amo e isso foi bom para mim. Construí uma quadra lá para manter os treinamento e, depois, retornei para Fortaleza. Voltei a pescar, o que eu amo fazer, fiz aulas de teclado, consegui ocupar meu tempo com coisas bacanas – completa Ana Patrícia.

Rebecca nasceu e mora na capital do Ceará, estado que já teve mais de 150 mil casos e 7 mil mortes devido à Covid-19. Mesmo assim, os números oficiais mostram uma queda nos números nas últimas semanas e a retomada das atividades, como os treinos delas, está avançando. Uma notícia que traz um certo alívio para quem deveria estar em Tóquio neste momento, se preparando para a cerimônia de abertura dos Jogos, adiada para 23 de julho de 2021. O torneio de vôlei de praia começará um dia depois.

– Hoje iniciaria a Olimpíada, mas agora temos mais um ano. Então temos esse tempo ainda para voltar ao normal. Esperamos que vá haver torneios ainda este ano e podemos nos organizar melhor para começar o ano que vem com etapas do Brasileiro e do Circuito Mundial, claro, se preparando para a Olimpíada – conclui Rebecca.

Fonte: Globo esporte


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