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Quase ida para a Juventus, time em reconstrução e luta por espaço: o ano de Paquetá no Milan

O meia Lucas Paquetá encerrou neste fim de semana a sua primeira temporada completa pelo Milan. O tradicional time italiano ficou em sexto lugar no campeonato nacional e garantiu vaga na próxima Liga Europa. Particularmente, o jogador da seleção brasileira encerrou a campanha na Serie A com 24 jogos disputados, sem gols marcados, uma assistência anotada, e média de aproximadamente 46 minutos em campo por partida. Nas palavras do próprio, um período de aprendizado.

O ge procurou conversar com pessoas que acompanham o dia a dia do Milan, além de outras próximas ao brasileiro, para entender a situação dele no clube. Segundo jornalistas italianos, a opinião geral é a de que ele ainda não correspondeu às expectativas. Muitos o consideram excelente tecnicamente, mas dizem que ele não entregou resultados concretos.

– Paquetá não jogou em alto nível até agora. É um bom meio-campista, que pode trabalhar de área a área. Mas na Itália um jogador dessa posição precisa ser mais rápido. Ele precisa apresentar algo mais para se firmar no Milan. Se o Paquetá está frequentemente no banco, isso significa que o técnico não o vê no mesmo nível dos outros – comentou o jornalista Bruno Longhi, do canal Mediaset.

No sábado, o meia publicou uma mensagem sobre as dificuldades do ano que passou, visto por ele como “diferente de todos” os outros.

É consenso entre as fontes consultadas o profissionalismo de Paquetá. Outro entendimento é que o fato de entrar num time em reconstrução atrapalhou. Foram três treinadores diferentes em um ano e meio, dois nesta temporada. Entre contratações, empréstimos e retornos, o Milan teve a passagem de pelo menos 24 novos atletas em 2019/20, em relação à campanha anterior. O elenco terminou o ano com esse mesmo número de jogadores.

– O Lucas chegou da Copa América e perdeu quase toda a pré-temporada. Logo no início, houve a troca de treinador. Muitos jogadores chegaram. Na janela de inverno, houve um movimento de transferência e isso teve peso. Dentro disso tudo, o Lucas acabou tendo que jogar fora de sua posição natural. Ele sempre esteve disposto a jogar. Mas há questões inerentes ao contexto do time. Foi uma temporada justa, em que refletiram nele as consequências de uma equipe ainda em formação, mas que tem tudo para encontrar estabilidade num futuro próximo, como fez na reta final – disse Eduardo Uram, agente do atleta.

Números de Lucas Paquetá na temporada:

Jogos: 27 (24 pela Serie A, três pela Copa da Itália)
Comparação titular/reserva: 13/14
Vezes sem sair do banco: 9
Ocasiões fora da relação: 5 (uma por lesão, uma suspensão)
Minutos em campo: 1199 (1099 na liga e 100 na Copa)
Gols: 0
Assistências: 1

Paquetá foi contratado pelo Milan em outubro de 2018, por mais de 38 milhões de euros, até 2023. Ele saiu do Flamengo e foi apresentado em janeiro de 2019, quando tinha 21 anos.
Apesar de pegar a temporada passada já no meio, ele disputou 17 jogos pelo Milan, sendo 16 como titular, e fez um gol, contra o Cagliari (assista no vídeo abaixo). Outra atuação elogiada no período foi no empate com a Roma. Em recente entrevista ao Caioba Game Show, Paquetá comentou que os primeiro seis meses no Milan foram positivos.

Só que no fim de maio de 2019, Leonardo deixou o cargo de diretor esportivo do clube. No mesmo dia, o técnico Gattuso foi demitido. Essas mudanças geraram certa insegurança. Principalmente a saída de Leonardo, pessoa influente dentro do Milan, que passava confiança ao jovem brasileiro e o ajudava fora de campo com outras questões.

Marco Giampaolo foi o contratado para o lugar de Gattuso. Segundo um ex-funcionário do clube, o novo treinador via o meia com dificuldades para seguir algumas orientações táticas e de posicionamento. Considerava esses aspectos como os mais relevantes e cobrava precisão dos movimentos coletivos: “Não importa quão bom você é, mas como é útil ao time”, comentou o ex-funcionário, a respeito dos pensamentos do comandante. Ele durou no cargo até outubro, após sete jogos (3v, 4d).

Enquanto isso, Lucas Paquetá foi convocado cinco vezes ao longo de 2019 para a seleção brasileira. Tite e sua comissão técnica enxergavam nele uma opção de solução para o problema do meio-campo, e um possível protagonista do novo ciclo. Após a Copa do Mundo de 2018, o pensamento inicial era ter o trio Casemiro, Arthur e Paquetá.

Mas eles foram reunidos como titulares apenas nos amistosos contra Panamá e Argentina. Nas duas ocasiões, o meia não ficou mais do que 60 minutos em campo. Ao todo, Paquetá disputou nove jogos no ano passado pela Seleção e foi campeão da Copa América. Ficou fora da lista mais recente, de março, para as eliminatórias da Copa do Mundo de 2022, cujas partidas nem chegaram a ser realizadas por causa do adiamento pela pandemia do novo coronavírus.

Por causa da Copa América, ele perdeu pelo menos 20 dias da pré-temporada do Milan com o técnico Giampaolo e não participou de amistosos. Sua representação foi em 29 de julho. Mesmo assim, começou a temporada como titular em agosto, contra a Udinese.

Desde outubro, o técnico do Milan é Stefano Pioli. Depois de um início com só uma vitória em seis jogos, a equipe passou a obter melhores resultados, principalmente em 2020 (15 vitórias, oito empates e duas derrotas). Antes em 10º lugar, terminou a Serie A na sexta posição. O treinador é visto como alguém que procura conversar com os atletas. A relação com Lucas é considerada boa, sem qualquer tipo de atrito.

Pioli mexeu na formação tática do time, deixando para trás o 4-4-2 de Giampaolo. As mudanças alteraram o posicionamento de Paquetá. O técnico frequentemente ressalta que o jovem precisa ter “mais impacto na área”, seja com gols ou assistências.

Depois da retomada do futebol na Itália, o Milan fechou o complemento da temporada invicto, com nove vitórias e quatro empates. Ao todo, 13 atletas diferentes marcaram gols no período. Ibrahimovic foi o artilheiro da reta final, com sete. Çalhanoglu vem logo atrás, com seis.

– As mudanças não colaboraram. Com Gattuso, Paquetá esteve bem no meio-campo com três peças, mais à esquerda, como “mezzala”. Pioli começou no 4-3-3, mas depois passou a jogar com uma linha com três meias mais ofensivos, atrás de Ibrahimovic, e Paquetá não deu respostas satisfatórias. Foi para o banco também porque Çalhanoglu vem muito bem – disse Marco Fallisi, repórter da Gazzetta Dello Sport.

Nesta temporada, Paquetá foi utilizado em diferentes posições: volante pela esquerda e pela direita; meia pela esquerda e pela direita; meia centralizado; ponta; e segundo atacante.

Em janeiro, Paquetá não entrou em três dos cinco jogos do mês. Em entrevista coletiva, Pioli afirmou na época que o meia deveria ter “a convicção de que é um jogador completo, mas pelas qualidades que possui, deve se tornar mais decisivo”. De acordo a imprensa italiana naquele momento, o Paris Saint-Germain tentou tirá-lo de Milão.

Mas o destino quase foi a Juventus. No período de transferências de inverno, houve um acordo entre todas as partes, restando apenas detalhes contratuais a serem resolvidos. O Milan, entretanto, mudou de posição na última hora, a poucos dias do fechamento da janela, e o negócio não foi sacramentado.

Após a paralisação por causa da pandemia, Paquetá disputou oito jogos: foi titular quatro vezes e permaneceu o tempo todo em campo em uma ocasião. Além disso, não saiu do banco de reservas em quatro partidas, incluindo a última do Milan na temporada.

Segundo o próprio Paquetá, em entrevista ao Caioba Game Show, a dificuldade de não jogar sempre faz parte do futebol, e ele vem buscando se adaptar aos treinadores que chegam ao Milan, sem perder a sua essência.

Milan também em busca de solidez
A situação de Lucas Paquetá no Milan tem como cenário o próprio momento conturbado do clube. Hoje a instituição é de propriedade do fundo de investimentos Elliot, do bilionário Paul Singer. O executivo em comando é Ivan Gazidis, desde 2018. O dirigente trouxe os ex-jogadores Zvonimir Boban e Paolo Maldini, de alta identificação com a associação, para ajudar na reconstrução do Milan.

Porém, segundo um agente estrangeiro com experiência em negócios com o clube, Gazidis não entendeu as exigências de uma instituição do porte do Milan, sete vezes campeão da Champions. O investimento em jogadores jovens deveria ter sido mesclado com atletas de maior “bagagem”, acostumados a contextos de pressão para vencer títulos.

O Milan ficou fora da Liga Europa em 2019/20 por irregularidades no Fair Play Financeiro
Boban e Maldini defendiam essa mistura. Mas o croata foi demitido em março deste ano, depois de criticar os donos do Milan pela negociação com Ralf Rangnick sem a anuência do  departamento de futebol. O alemão chegaria com poderes de técnico e diretor de futebol. Maldiniera contra. No fim, os bons resultados de Pioli o mantiveram no cargo até o fim desta temporada, e ainda renderam uma renovação até 2022.

Fonte: Globo esporte


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