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Renato Moicano relembra José Aldo campeão em 2009 e admite: “Realização de um sonho”

Há quase dez anos, em 2009, Renato Moicano frequentava o curso de Direito numa faculdade em Brasília. Os colegas de sala de aula nem faziam ideia de que aquele garoto franzino de 20 anos praticava jiu-jítsu e estava prestes a se tornar lutador de MMA. Naquele mesmo ano, em novembro, José Aldo se sagrava campeão peso-pena (até 66kg) do WEC, evento que depois foi incorporado ao Ultimate. No próximo sábado, no UFC Fortaleza, eles se enfrentam num duelo de gerações, mesmo com apenas três anos de diferença na idade.

Mesmo diante da maior luta na carreira, e à beira de ter a chance de disputar o cinturão do UFC, Renato Moicano não esconde que o seu próximo adversário é um ídolo. Numa conversa exclusiva com o Combate, ele detalhou que já acompanhava José Aldo antes mesmo de se tornar lutador profissional.

– Me lembro bastante (das lutas do Aldo naquela época), antes de eu competir profissionalmente, quando competia no amador. Treinava e já assistia ao WEC. E é engraçado que hoje tenho a oportunidade de treinar com o Mike Brown, acompanhei a luta dele com o Aldo. O MMA é um esporte novo, mas que está mudando, a gente está vendo chegar alguns atletas novos e outros saindo. É muito legal ver essa transição. Nunca me imaginei lutando com o Aldo antes (…). Tem sido uma grande experiência, a realização de um sonho, e eu o via sim como um ídolo e ainda vejo. Em 2009 eu já acompanhava as lutas dele, e desejo que façamos uma boa luta no sábado.

Naquele ano em que José Aldo vencia Mike Brown por nocaute no segundo round, em evento em Las Vegas, no WEC 44, Renato Moicano se dedicava ao jiu-jítsu e se arriscou em algumas lutas de muay thai, o que o levou depois às artes marciais mistas.

– Lembro muito bem dessa época, ainda não tinha estreado (no MMA). O ano de 2009 foi quando tive minha primeira competição de muay thai. Ainda treinava jiu-jítsu e um professor da academia disse que eu levava jeito, mas primeiro eu disse que não, que meu negócio era chão. Tinha aquele negócio de jiu-jítsu para lá e muay thai para cá, e eu: “Não, sou do jiu-jítsu”, mas depois comecei a treinar o muay thai. Falei: “Vou competir o muay thai para pegar o MMA, tenho que ter uma base em pé”. E esse treinador falou que eu ia competir, e em 2009 foram quatro lutas de muay thai, em que ganhei três e perdi uma (…). E me lembro exatamente de assistir às lutas do Aldo e de ver uma entrevista dele no Combate quando ele ainda ia lutar com o Faber. Me lembro dele contra o (Alexandre) Pequeno no WEC, contra o Cub Swanson, então me lembro bem da carreira dele.

Hoje com 29 anos, três a menos que Aldo, Renato Moicano estreou no MMA em março de 2010, no Jungle Fight, quando venceu Alexandre Capitão. A luta pegou os colegas da turma de Direito de surpresa.

– Na época foi até um espanto para o pessoal. Estreei em 2010 e não falava para ninguém (que treinava). Lembro que tinha um professor que era muito bravo com esse negócio de você querer ser lutador, então não podia falar para ninguém. Ia para academia e para a faculdade e ninguém sabia. Um dia lutei diretamente no Jungle Fight, porque um cara se machucou uma semana antes e meu professor que tinha um contato e me pôs. Já apareci no Canal Combate logo na primeira luta. Ninguém (na faculdade) imaginava, via um cara magrinho… E ainda continuei na faculdade alguns semestres, mas depois resolvi abandonar para me dedicar totalmente às lutas. As coisas foram dando certo, ganhei cinco seguidas, todas no Jungle Fight, e comecei a ver que a possibilidade de engrenar nessa carreira.

Hoje quarto colocado no ranking do peso-pena, Moicano é dono de um cartel com 13 vitórias, uma derrota e um empate. Seu último compromisso foi em agosto de 2018, quando finalizou Cub Swanson no primeiro round. Para enfrentar se ídolo, ele tem usado de uma fórmula simples: esquecer isso.

– Se a gente ficar pensando muito: “Ah, é José Aldo, José Aldo, é um ídolo”… O que costumo fazer é não pensar, simplesmente vou e faço (…). Muitas vezes na vida a gente quer uma coisa e fica pensando: “Será que eu posso? Será?”, e você pensa e acaba que não faz nada. Procuro traçar os planos e na hora de fazer não pensar em mais nada. Passei um mês e meio treinando, pensando, mentalizando a vitória, vendo os jeitos que posso ganhar dele, vendo os jeitos que ele pode ganhar de mim, os que posso ganhar dele ganhando todos os rounds, analisando todas as possibilidades. Esse tempo de treinamento acabou sábado passado, estamos na semana da luta e não penso em mais nada. Só vou pensar em bater o peso, cumprir os compromissos com tranquilidade e agora não tem mais o que fazer, é aproveitar a jornada. E vou mostrar meu respeito, que o Aldo merece – concluiu.

Na próxima sexta-feira, dia 1° de fevereiro, o Combate, SporTV 3 e Combate.com transmitem ao vivo a pesagem cerimonial, a partir de 19h (de Brasília). No sábado, o Combate transmite todo o card do UFC Fortaleza com exclusividade e ao vivo, a partir de 20h (de Brasília), enquanto o SporTV 3 e o Combate.com exibem as duas primeiras lutas ao vivo. A Rede Globo transmite o card principal com delay após o Altas Horas.

UFC Fortaleza
2 de fevereiro de 2019, no Ceará
CARD PRINCIPAL (23h, horário de Brasília):
Peso-galo: Raphael Assunção x Marlon Moraes
Peso-pena: José Aldo x Renato Moicano
Peso-meio-médio: Demian Maia x Lyman Good
Peso-leve: Charles do Bronx x David Teymur
Peso-meio-pesado: Johnny Walker x Justin Ledet
Peso-palha: Livinha Souza x Sarah Frota
CARD PRELIMINAR (20h, horário de Brasília):
Peso-médio: Anthony Hernandez x Markus Maluko
Peso-mosca: Mara Romero Borella x Taila Santos
Peso-meio-médio: Thiago Pitbull x Max Griffin
Peso-pesado: Júnior Albini x Jairzinho Rozenstruik
Peso-galo: Ricardo Carcacinha x Said Nurmagomedov
Peso-mosca: Magomed Bibulatov x Rogério Bontorin
Peso-pena: Geraldo de Freitas x Felipe Cabocão

Fonte: Globo esporte


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