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Superliga 2022/23: nova regra tira ponto de clubes por discriminação

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) anunciou uma nova regra contra qualquer tipo de preconceito. Na Superliga 2022/23, que começa nesta sexta, qualquer ato ou caso de discriminação (raça, gênero, orientação sexual, religião, pessoas idosas ou com deficiência) trará consequências ao clube, que deve encontrar os responsáveis e adotar medidas. Se não acontecer, a equipe de quem cometeu o ato perderá um ponto. A nova regra vale para a edição masculina e feminina, incluindo todos os envolvidos: atletas, treinadores, dirigentes, comissão técnica e torcedores. Quem confirmará a decisão do caso será o STJD.

Para conferir a repercussão da medida, assista à reportagem!

– Um episódio de discriminação, ele precisa ser, obviamente, denunciado propriamente, aos delegados da partida, mas também denunciado às autoridades pra que o STJD fazendo esse julgamento. Comprovando a existência disso, o clube seja punido com um ponto na tabela de classificação – contou Marcelo Hargreaves, gerente de Superliga e novos negócios da CBV.

Quem já passou, apoia
O vôlei, hoje, é uma comunidade agregadora definida por quem está nela, isso não significa que os casos nunca aconteceram. Wallace, jogador do Cruzeiro, passou por isso em 2012 na competição, e a Fabiana, jogadora do Osasco nessa temporada, em 2015.

– Eu acho que esse é o princípio: não acontece muito no voleibol, mas não pode nem acontecer – comentou Luizomar de Moura, técnico do Osasco.

– É triste ainda a gente pensar que a gente precisa dessa punição, é triste ainda vir aqui, falar sobre esse assunto, mas é necessário. Infelizmente, se as pessoas não estão entendendo da melhor forma, então acho que tem, sim, tem que punir, sim, porque tem que ter um limite, né? – Fabiana, meio de rede do Osasco.

– Eu acho que vai pensar duas vezes porque vai prejudicar o time, então acho bem válido. Em pleno século XXI, a gente estar desse jeito, ter que colocar uma regra pra ver se inibe um pouco da discriminação, chato, chato, mas são algumas coisas que eu acho que, talvez, façam a cabeça das pessoas que pensam em fazer isso, dar uma mudada – Wallace, oposto do Cruzeiro.

Exemplos contra o preconceito
Dessa forma, não há diferenças que não possam ser aceitas. Primeira atleta trans da Superliga, Tiffany Abreu defende o combate ao preconceito.

– Isso não é chororô, não é mimimi, até porque isso tira a vida de muitas pessoas e acaba com carreira de atletas. As pessoas usam a internet ou, às vezes, a própria câmera para nos atacar, e esquecem que nós somos pessoas, seres humanos, que sofremos muito com as coisas que falam dentro e fora de quadra. Queremos também respeito, que é muito importante, – defendeu Tiffany, ponta do Osasco.

Outro exemplo de felicidade e acolhimento dentro do vôlei é o casal, que defende o clube Suzano, Luís Rodrigues e Angellus. Eles namoram há mais de um ano e desde que anunciaram publicamente, receberam uma chuva de amor e poucos comentários negativos. Eles esperam que nova regra impeça a repetição de casos de discriminação.

– No começo, eu tinha certo receio do que o povo ia pensar, do que a galera ia falar, do que a torcida ia achar, mas depois que se tornou público tudo mudou pra mim, eu achei que eles iam ter tal reação, mas foi uma reação muito boa, de carinho – falou o oposto/ponteiro do Suzano, Angellus Costa.

– A gente não tá fazendo nada de errado, sendo feliz, pagando suas contas e fazendo seu trabalho, então, pra gente, isso, com certeza, dá um empurrão assim gigantesco – concluiu Luís Rodrigues, levantador do Suzano.

Fonte: Globo Esporte


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