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Um olho na bola e outro no livro: Honda, do Botafogo, quer criar projeto educacional no Brasil

A relação entre Botafogo e Keisuke Honda envolve resultados extracampo que os dois lados pretendem alcançar, mas influência do meia no Brasil pode ultrapassar os limites de General Severiano e do esporte. Desde que chegou, o japonês se mostrou preocupado com questões sociais e, principalmente, com o acesso de crianças à educação.

Ao GloboEsporte.com, Honda disse que pretende criar um projeto voltado para jovens no Brasil, mas ainda estuda como colocar em prática.

Para entender melhor a realidade dos brasileiros, Honda conversa frequentemente com os companheiros de Botafogo. Em um vídeo flagrado pela TV do clube, um desses momentos chegou a virar piada e viralizar nas redes. O japonês pergunta a Marcelo Benevenuto como foi o acesso dele à educação na infância e adolescência.

– A escola que você estudou era ruim? Pode me explicar o que você aprendeu na escola? – perguntou Honda.

A realidade cruel de muitas crianças nas ruas do Rio de Janeiro chamou a atenção de Honda, que começou a olhar para a situação com vontade de mudá-la. O assunto foi destacado pelo tradutor do jogador, Jean Abreu, em entrevista ao canal do youtube “BrauneFogo”.

– Indo para os treinamentos, no caminho, ele vê os meninos na rua e fala o tempo inteiro que isso não está certo. Que era para estarem estudando. Que deviam ter o mínimo de educação e condições básicas. Aí no primeiro dia de treino do Matheus Nascimento, foram apresentar os dois, e a primeira coisa que o Honda perguntou ao Matheus foi como estava na escola, se ele estava estudando. Ele é muito preocupado com isso – disse Jean.

Ativo em seu perfil no Twitter, onde aborda assuntos diversos, o meia do Botafogo também trouxe o assunto “educação” à tona ao perguntar se as pessoas o ajudariam a fazer uma escola online para crianças no Brasil.

Outro passo do japonês foi uma troca de mensagens com Rene Silva, criador do “Voz das Comunidades”, jornal comunitário com notícias das favelas do Rio de Janeiro. Os dois conversaram sobre projetos sociais nas comunidades, e Honda mostrou interesse em ajudar.

Além do Japão, Honda passou por Holanda, Rússia, Itália, México e Austrália antes de chegar ao Brasil. Nesses países, o meia alvinegro também teve atuação importante fora de campo, como destacou quando foi anunciado como reforço do Botafogo.

O japonês é ativo fora de campo, seja no mercado ou com atividades filantrópicas. No futebol, é dono de dois clubes – um em Uganda e outro no Camboja – e de diversas escolinhas espalhadas pelo planeta. Fora do mundo da bola, tem companhias, aplicações e participação em fundo de investimentos.

– Tenho atividades como educador, investidor e também empreendedor. Em 2008, comecei a jogar em outros países e vi as crianças e pessoas em situações lamentáveis. Portanto, quis ajudá-los.

Honda tem contrato com o Botafogo até o fim de 2020, mas o vínculo deve ser renovado pelo menos até meados de 2021, já que um dos grandes objetivos do meia é manter a forma para disputar as Olimpíadas do Japão, adiadas para o ano que vem. A diretoria está confiante na permanência do japonês pelo menos até o fim da próxima temporada.

Fonte: Globo esporte


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