- Política

Araújo diz que visita de Pompeo a Roraima não serviu de plataforma eleitoral para Trump

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou nesta quinta-feira (24) que a visita a Roraima do secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, não serviu de plataforma eleitoral para o presidente norte-americano Donald Trump, que tenta a reeleição em novembro.

Araújo participou de sessão da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, que o convidou para explicar a visita, na última sexta-feira (18).
Roraima faz fronteira com a Venezuela e é foco de uma operação do governo brasileiro, apoiada pelos EUA, para acolhimento de venezuelanos que deixam o país governado por Nicolás Maduro.

Araújo discordou das críticas à visita de Pompeo. A embaixada americana no Brasil informou que a visita do secretário teve por objetivo discutir com o chanceler brasileiro a imigração venezuelana na região.

A visita, que ocorre em meio à campanha presidencial nos EUA, foi alvo de críticas de parlamentares, entre eles o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que afirmou que a conduta do governo brasileiro no episódio não “condiz com a boa prática diplomática internacional” e afronta as políticas brasileiras externa e de defesa.

O chanceler brasileiro divergiu de comentários sobre o uso eleitoral da visita ao Brasil, a fim de criticar o governo venezuelano em momento de corrida presidencial.

Araújo argumentou que há uma “grande convergência” entre republicanos e democratas nos EUA sobre como se posicionar em relação à Venezuela – o país e o Brasil estão entre as nações que não reconhecem o governo de Maduro e consideram o opositor Juan Guaidó como presidente.

“Foi dito, e talvez seja uma das críticas principais à visita do secretário Mike Pompeo, que ela foi uma plataforma eleitoral para as eleições de novembro nos EUA. Bem, não é assim. Um dos elementos que mostra que não é assim é que existe nos Estados Unidos uma grande convergência entre republicanos e democratas sobre a situação na Venezuela”, disse Araújo.

Para o chanceler brasileiro, “tudo indica” que a posição dos EUA em relação à Venezuela e ao governo Maduro não mudará com uma eventual vitória da oposição, cujo candidato é o democrata Joe Biden.

“Não faz muito sentido pensar nisso como uma plataforma eleitoral, já que não há diferença substantiva entre posição de republicanos e democratas em relação à Venezuela. Ou seja, tudo indica que, se houver uma vitória democrata nas eleições de novembro, a atitude norte-americana para a Venezuela continuará exatamente a mesma”, disse Araújo.

Araújo foi questionado pela senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP) se o Brasil está preparado para o risco de uma derrota de Trump – o presidente Jair Bolsonaro é um admirador de Trump e não esconde a torcida pela vitória dele na eleição.

O chanceler disse que uma eventual vitória de Biden não trará mudanças nas relações entre os dois países.

“Não é fato que a proximidade do Brasil seja com Trump, e não com os EUA. Isso é uma interpretação, um direito da senhora, mas é ao contrário. Tudo o que estamos fazendo com os EUA tenho certeza que é de interesse permanente para os dois países. Um governo democrata, provavelmente, manteria esse mesmo enfoque, a menos que queiram trabalhar contra os seus próprios interesses, que tenho certeza que não seria o caso”.

Acordo Mercosul-UE
O chanceler Ernesto Araújo também foi questionado sobre o acordo de livre comércio entre Mercosul (Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai) e União Europeia, que ainda não entrou em vigor. Países europeus, em especial a França, vêm exigindo um compromisso do governo brasileiro com a redução do desmatamento da Amazônia para dar seguimento ao acordo.

Segundo o ministro, os parlamentos europeus poderão analisar o conteúdo do acordo, anunciado em 2019, e verificar que os termos são bons para o meio ambiente. Araújo informou que o tratado está em fase de revisão jurídica e ainda precisa ser assinado por representantes dos países e aprovados pelos parlamentos.

“[Os parlamentos de países europeus] vão ter a oportunidade de analisar realmente o que esse acordo é, para além dos clichês, para além das falsas premissas. E aí tenho certeza que ficará claro que é um acordo, inclusive, bom para o meio ambiente”, afirmou o chanceler.

Três parlamentos na Europa (Áustria, Holanda e o da região da Valônia, na Bélgica) anunciaram que não darão seu aval ao acordo e, entre os argumentos, citam questões ambientais.
Araújo ainda declarou que o governo acredita que há uma “percepção distorcida” sobre a preservação ambiental no Brasil, que leva em conta interesses, inclusive, contrários ao acordo Mercosul-União Europeia.

“A questão ambiental, obviamente, é uma questão que nos preocupa porque, claro, existe uma percepção em muitos setores internacionais de que o Brasil tem problemas ambientais sérios. Acreditamos que há uma percepção distorcida, que por trás dessa percepção existe uma uma má informação por um lado, e existem interesses, por outro, que não querem, por exemplo, o acordo Mercosul e União Europeia. Precisamos da verdade, dos fatos”, disse.

Fonte: G1


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