- Política

Kassab pede licença do cargo de secretário da Casa Civil em SP antes de assumir

O ministro Gilberto Kassab (PSD) pediu licença do cargo de secretário da Casa Civil do governo estadual de São Paulo antes de assumir no dia 1º de janeiro. O pedido foi feito após Kassab ter sido alvo de uma operação da Polícia Federal, na semana passada, depois de uma delação da J&F acusá-lo de receber propina da empresa entre os anos de 2010 e 2016.

O afastamento ocorreu nesta quinta-feira (27) e foi “prontamente atendido” pelo governador eleito João Doria (PSDB). Neste período, Kassab não receberá salário, já que o pedido de licença foi com “perda de vencimentos”.

O ministro disse que a obrigação de comparecer à Brasília com frequência para tratar de questões pessoais dificultaria sua atividade como secretário.

“Absolutamente tranquilo sobre sua conduta ao longo da vida pública, Kassab decidiu licenciar-se do cargo para se dedicar à organização e ao encaminhamento das informações solicitadas por sua defesa, que comprovarão a lisura de seus atos”, disse em nota.

Kassab voltou a reafirmar sua confiança na Justiça brasileira, no Ministério Público e na imprensa. Ele diz que “entende que quem está na vida pública deve estar sujeito à especial atenção do Judiciário” e reforça estar à disposição para quaisquer esclarecimentos.

Como secretário da Casa Civil, Kassab seria um dos homens fortes da gestão do tucano João Doria e seria o responsável pela articulação política entre os deputados da Assembleia Legislativa e o Executivo.
Propina
Em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, disse que há suspeitas de que executivos do frigorífico JBS repassaram R$ 58 milhões ao ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab, e ao PSD, partido fundado por ele.

As suspeitas embasaram os mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal no dia 19 de dezembro, autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal – secretário de Transportes durante a gestão de Kassab na Prefeitura de São Paulo. Na ocasião, a PF apreendeu R$ 300 mil em espécie no apartamento do ministro no Itaim Bibi, na Zona Sul da capital paulista.

Kassab disse que “não há nada que macule” sua imagem. “Ao longo de todos esses anos de vida pública não há nada que me comprometa no campo da imoralidade. Estou tranquilo porque sempre respeitei os princípios da ética. Estou à disposição do Ministério Público e do Poder Judiciário”, disse por telefone.

Em nota, o governador eleito de São Paulo disse que confia na “conduta da Justiça e no amplo direito de defesa do ministro para os esclarecimentos necessários”.

Repasses a Kassab
O ministro passou à condição de investigado após os executivos da JBS Wesley Batista e Ricardo Saud narrarem, em delação premiada, pagamentos a ele em troca de apoio político enquanto ele era prefeito de São Paulo e, depois, como ministro de Estado, além de apoio ao PT na disputa presidencial de 2014.Segundo o documento enviado pela PGR ao Supremo, Kassab teria recebido uma mesada de R$ 350 mil entre 2010 e 2016.

De acordo com os delatores, os repasses mensais tinham como objetivo “eventual influência política futura em demandas de interesse da JBS”.

Para viabilizar os repasses, os delatores narraram que foram firmados contratos fictícios de prestação de serviço entre a JBS e uma empresa da qual Kassab foi sócio até 2014. Os pagamentos, segundo a delação, foram feitos, inclusive, no período em que o ministro já estava na chefia da pasta da Ciência e Tecnologia.

“Parte dos pagamentos relatados coincidem com o exercício atual do cargo de ministro de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, por parte de Gilberto Kassab, cuja nomeação ao referido cargo ocorreu em 12/05/2016”, diz a PGR no inquérito.

Raquel Dodge também destaca que os delatores narraram em depoimentos que Kassab teria vendido apoio político do PSD à campanha da ex-presidente Dilma Rousseff à reeleição em 2014.

A PGR afirma que o repasse ao diretório do PSD foi operacionalizado por meio de doações oficiais de campanha, além da quitação de notas fiscais falsas de prestação de serviços e da entrega de dinheiro em espécie aos envolvidos no esquema.

Fonte: G1


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