- Política

Murad Aziz, alvo de operação contra desvios na Saúde, se entrega à Polícia Federal

O empresário Murad Aziz, irmão do senador Omar Aziz e suspeito de fazer parte de uma quadrilha que desviou pelo menos R$ 500 milhões da Saúde do Amazonas, se entregou à Polícia Federal na tarde desta quinta-feira (11), em Manaus. Segundo as investigações da Operação “Cashback”, ele usava de influência para auxiliar os integrantes do esquema de fraudes.

A defesa de Muradi Aziz disse que não poderia atender às ligações e desligou o telefone. Muradi era considerado foragido da Justiça, mas se entregou na sede da Superintendência da Polícia Federal por volta de 17h.

Com a prisão do empresário, sobe para 11 o número de presos na Operação “Cashback” – que é um desdobramento da “Maus Caminhos”, que prendeu o ex-governador José Melo e ex-secretários de saúde do estado em 2017.

“Encontramos indícios que ele [Murad Aziz] operava nesse sentido com tráfico de influência e lavagem de dinheiro”, disse o superintendente da Polícia Federal no Amazonas, delegado Alexandre Saraiva.

Nesta madrugada, a Polícia Federal cercou a casa de Murad Aziz, uma mansão de 500 metros quadrados, com duas piscinas e duas guaritas, Zona Centro-Sul de Manaus. O empresário ainda é dono de uma academia, vizinha da residência dele. Há uma passagem que liga os dois imóveis.

Além de Murad Aziz, também foi preso o advogado Lino Chíxaro, que atuava na defesa de suspeitos presos na “Maus Caminhos”. A operação apontou que ele também colaborava com a atividade ilícita e recebia dinheiro como prestador de serviços das empresas que receberam recursos por superfaturamento.

Alvos da ação
Murad Aziz, empresário e irmão do senador Omar Aziz, usava de influência para auxiliar os integrantes do esquema fraudulento, segundo a Polícia Federal.

O advogado Lino Chíxaro, ex-diretor-presidente da Companhia de Gás do Amazonas (Cigás), foi preso nesta manhã em um condomínio de luxo na capital.

O deputado federal Sabino Castelo Branco, do PTB, também aparece entre os citados. No entanto, não será preso porque está internado para tratamento em São Paulo.

O empresário Sérgio Bringel, que tem uma empresa que presta serviços hospitalares para o estado, também é um dos alvos e foi preso pela PF. De acordo com a Polícia Federal, somente um dos contratos da empresa de Bringel com estado é no valor de R$ 550 milhões pelo período de 12 anos, para prestação serviços de esterilização. A CGU identificou indícios de irregularidades e a prática reiterada.

O que dizem os envolvidos
A defesa de Murad Aziz não se pronunciou.O advogado de Lino Chíxaro disse que todos os honorários, que foram pagos para o ex-escritório e foram considerados altos, foram justificados e declarados no Imposto de Renda. “Importante frisar que isso tem referência na sociedade antiga do doutor Lino. Estamos tomando as medidas necessárias judicialmente para reparar esse equívoco”, disse a defesa.

A defesa do empresário Sérgio Bringel disse que não havia necessidade da prisão ter sido decretada e que deve ingressar com um pedido de revogação da prisão temporária. Segundo o advogado Alberto Simonetti, “as acusações são totalmente infundadas contra Bringel e as empresas dele e isso será demonstrado no transcorrer procedimento”.

Em relação a operação deflagrada nesta quinta (11), a defesa de Mouhamad Moustafá afirmou que desconhece “o cumprimento de qualquer medida em desfavor do meu cliente”.

A Secretaria de Estado da Saúde (Susam) informou, em nota, que os fatos relativos à operação Cashback não são desta gestão, que assumiu a pasta em outubro de 2017. “São fatos ocorridos em administrações passadas”.

Operação Cashback
De acordo com Polícia Federal, a operação é resultado da perícia realizada em celulares e computadores dos suspeitos identificados na “Maus Caminhos”, que identificou trocas de mensagens entre os investigados e descobriu mais empresários, advogados e políticos envolvidos no esquema de corrupção, com falsificação de notas fiscais, empresas fantasmas e lavagem de dinheiro.

Nesta nova fase os alvos são, ao menos, 30 empresas que não tinham sido investigadas nas outras etapas da operação. O grupo detém cerca de 90% dos contratos do estado e teria emitido R$ 100 milhões em notas fiscais frias.

De acordo com a PF, o principal crime identificado é de peculato, que consiste na apropriação de dinheiro público.

A “Operação Cashback” investiga a prática de crimes de peculato, lavagem de capitais e organização criminosa.

O grupo teria ligação com o empresário e médico Mohamed Mustafá – dono de uma cooperativa de saúde e apontado como chefe esquema. Conforme a investigação, ele ganhava licitações para prestar serviços em troca de pagamento de propina a políticos e funcionários públicos. O médico está em liberdade por causa de um habeas corpus.

Fonte: G1/Am


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