A percepção no Congresso é de que a relação com o Planalto ficou totalmente estremecida após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de retomar o decreto presidencial que aumentou a alíquota do IOF, e o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao aumento no número de deputados.
Ainda nesta quinta, em uma reação às duas decisões consideradas derrotas para o Legislativo, a Câmara aprovou, na noite dessa quarta-feira (16), uma “pauta-bomba”.
A situação começou a se agravar ainda no fim de junho, quando houve a derrota humilhante do governo com a derrubada do decreto de IOF pelo Congresso.
Desde então, ocorreram diversos momentos de tentativa de reconciliação, inclusive, com reuniões na semana passada. Mas, o entendimento é que o debate eleitoral já tomou conta do Congresso.
Esse cenário irá criar um ambiente permanente de instabilidade entre Executivo e Legislativo até o período eleitoral.
A percepção no próprio governo é que o Centrão só não irá desembarcar da base do presidente Lula agora por uma questão de pragmatismo político. O objetivo é ainda se aproveitar de espaços dentro do governo e da máquina, como a presença em ministérios.
O governo, por sua vez, não pretende tomar a iniciativa de tirar cargos do Centrão porque sabe também que, em algum momento, vai precisar desse apoio em algumas votações. O estopim dessa separação deve ocorrer em abril.
O presidente ouviu auxiliares próximos e entendeu que iria assumir, caso sancionasse ou evitasse se manifestar sobre o tema, um desgaste que cabe ao Congresso. O de enfrentar uma pauta extremamente impopular e inconstitucional.
Mas, depois da derrota do 7 a 1 — com a derrubada do IOF, a percepção é que o presidente Lula também não tem nenhum compromisso com pautas impopulares do Congresso Nacional.
Fonte: G1
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