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Aldo deixa futuro em aberto, volta a falar em título no UFC, e revela confusão com nome de adversário

Os planos de José Aldo para encerrar a carreira já foram expostos pelo lutador ao longo deste ano em diversas entrevistas. Aos 32 anos, o ex-campeão peso-pena do UFC quer fazer as duas lutas que ainda restam em seu contrato e colocar fim à sua história no MMA. Depois, sonha em fazer uma breve carreira no boxe. Mas, como tudo na vida, os planos estão aí para serem mudados. Se vencer o australiano Alexander Volkanovski no dia 11 de maio, no UFC Rio 10, Aldo sabe que um horizonte de possibilidades pode surgir diante de si.

– Pois é, tudo depende de como será. Estou planejando sim que sejam as duas últimas (lutas), mas lógico, isso pode mudar também no futuro. Estou pensando já em seguir outro segmento, já tenho a cabeça feita quanto a isso, quero sentar e ver a proposta deles, e em cima disso tomar uma decisão. Mas para mim já estou chegando numa reta final, sonho em ser campeão se tiver essa oportunidade – afirmou o lutador, em entrevista exclusiva ao Combate.

Aldo é hoje o número 1 no ranking entre os desafiantes ao título dos penas, mas o campeão é Max Holloway, que já venceu o brasileiro duas vezes. Uma trilogia, segundo a própria equipe de Aldo, é difícil de acontecer. Mas se enfileirar o quarto colocado no ranking depois de bater Renato Moicano – à época em #2 – e Jeremy Stephens – à época em #4 -, talvez o brasileiro obrigue o Ultimate a fazer a terceira luta com o havaiano. Ou Holloway pode subir de vez para os leves, já que no dia 13 de abril luta com Dustin Poirier pelo título interino.

– Acho que o cenário ideal (para o fim da carreira), respeitando o próximo passo que é o Volkanovski, seria terminar como o campeão. Ou até mesmo essa luta pode se tornar também um título. A gente não sabe porque lutamos depois do Max Holloway, então pode acontecer. Mas o cenário ideal para mim seria eu me aposentando e saindo do Ultimate com o cinturão (…). Eu não escolho adversário, quero estar sim lutando pelo título, sendo campeão. Mas lógico, se eu tivesse a oportunidade de lutar com o Holloway novamente seria ideal para mim.- disse o lutador, que antes de enfrentar Moicano preferia nem falar em título.

Aldo também reafirmou seu desejo de lutar boxe. Desde 2004 como lutador profissional de MMA, o amazonense também sonha em ter uma chance de disputar um título na nobre arte.

– O meu sonho, acabando o contrato com o Ultimate, é fazer sim uma carreira no boxe. Que seja curta também, porque não penso em lutar por muitos anos. Queria ao menos disputar o título mundial se tivesse capacidade. Lógico, esses são os meus planos, mas tudo pode mudar. O meu próximo passo é lutar com o Volkanovski, vencer, e aí sim sentar com a família e o Dedé (Pederneiras, empresário) e ver qual é o melhor caminho a seguir.

Confusão com o nome de Volkanovski

Na coletiva após o UFC Fortaleza, em fevereiro, José Aldo não reconheceu o nome de Alexander Volkanovski quando perguntado sobre do australiano, que momentos antes o tinha desafiado ao assistir a vitória do brasileiro contra Renato Moicano. Aldo explicou que, na verdade, já queria pedir por essa luta após a vitória, mas se confundiu com os nomes.

– Já conhecia sim, vi a luta dele contra o Chad Mendes (em dezembro), uma luta bem disputada e que ele venceu. Só que naquele dia falaram Volkanovski, e eu já ia falar dele e pedir essa luta contra o Alexander. Eu estava na minha cabeça com Alexander, e ele falou Volkanovski e eu não conhecia. Vinha da luta também e estava de cabeça meio virada (risos). Mas ele sim era o meu próximo adversário, já queria ter falado isso dentro do cage. Já o conhecia sim e sabia que ele seria o próximo, até pelo fato de ser um cara ideal para enfrentar nesse momento.

Aos 30 anos, Alexander Volkanovski está invicto desde a chegada ao Ultimate. Em 2016, ele estreou vencendo Mizuto Hirota por decisão unânime. Repetiu a forma contra Shane Young em 2017. No ano passado, nocauteou Jeremy Kennedy, venceu Darren Elkins por pontos e bateu Chad Mendes por nocaute. Aldo analisou os pontos fortes do australiano.

– Ele é um cara que joga golpes em curva, cruzado, joga bem forte, procura atacar o tempo todo andando para frente, tentando pressionar seu adversário. Quando não encaixa muito bem a mão, ele tenta colocar para baixo também. A gente já está estudando o jogo dele, temos tudo em mente.

Rio de Janeiro: um lugar especial

Aldo enfrenta Volkanovski num lugar que já considera sua casa. No Rio de Janeiro, o ex-campeão já lutou quatro vezes, com três vitórias e uma derrota. A sensação é diferente, ressalta ele.

– Lutar no Rio de Janeiro é muito especial, é onde moro hoje, onde tenho meus amigos e família, todo mundo presente, companheiros de treino… Lutar no Rio sempre tem um sabor diferente por isso tudo. E pela galera daqui, espero sempre fazer uma grande luta para eles, isso tem um grande valor para mim.

Além de ter a torcida toda a seu favor lutando na cidade em que mora desde 2003, quando saiu da capital do Amazonas para tentar a vida através do jiu-jítsu, José Aldo pode contar com todo o suporte da família e da Nova União mesmo ao longo da semana.

– Acho que (aqui) a gente pode fazer as mesmas coisas do dia a dia, já estou acostumado com a alimentação, então você só dá um telefonema (e consegue as coisas), não se desloca, não tem um clima diferente, tudo aquilo você já está adaptado. Lutar no Rio de Janeiro tem o diferencial por esse lado também. A recuperação de peso também ajuda bastante porque já só mantemos a alimentação que fazemos. Para mim, isso já ajuda bastante (…). A gente queria passar muito mais tempo em casa, ainda cumprindo todas as agendas, mas eles (UFC) não deixam. A gente vai sim em cima da hora para o hotel e fica concentrado, mas como estamos muito próximos, qualquer coisa que precise ligamos e trazem. É praticamente estar em casa.

Dono de um cartel com 28 vitórias e apenas quatro derrotas – apenas Max Holloway (duas vezes), Conor McGregor e Luciano Azevedo foram capazes de vencê-los em 15 anos -, José Aldo admite que os questionamentos após derrotas recentes serviram de motivação.

– Isso motiva bastante. Quando colocam em dúvida, a motivação cresce bastante. Uma coisa que tenho na minha cabeça é que a gente nunca pode duvidar de um atleta que teve um domínio muito grande, que tem um diferencial. Todos os atletas têm um diferencial, mas aqueles como eu, Anderson Silva, Jon Jones, entre outros, já provaram que a gente pode cair, mas pode chegar lá em cima mais rápido. Todo mundo estava achando que já era meu fim, que era um ex-atleta em atividade, mas pude mostrar tanto contra o Jeremy como contra o Renato, com duas vitórias bem convincentes, o Aldo que todo mundo estava acostumado a ver. Em um momento, (as dúvidas) me colocaram fora de uma zona de conforto, e eu pude chegar e provar para todo mundo. Me motivou bastante, isso me motiva cada vez mais a estar sempre calando a boca daqueles que falam que a gente não pode conseguir – concluiu.

UFC 237
11 de maio de 2019, no Rio de Janeiro
CARD DO EVENTO (até o momento):
Peso-palha: Rose Namajunas x Jéssica Bate-Estaca
Peso-pena: José Aldo x Alexander Volkanovski
Peso-médio: Jared Cannonier x Anderson Silva
Peso-meio-pesado: Rogério Minotouro x Ryan Spann
Peso-galo: Bethe Correia x Irene Aldana
Peso-mosca: Wu Yanan x Luana Dread
Peso-galo: Jessica-Rose Clark x Talita Bernardo
Peso-meio-médio: Thiago Pitbull x Laureano Staropoli
Peso-leve: B.J. Penn x Clay Guida
Peso-galo: Raoni Barcelos x Said Nurmagomedov
Peso-leve: Thiago Moisés x Kurt Holobaugh
Peso-meio-médio: Warlley Alves x Sérgio Moraes
Peso-leve: Francisco Massaranduba x Carlos Diego Ferreira

Fonte: Globo esporte


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