- Esportes

Belfort quer ONE no Maracanã, cita lutas contra Spider, Wand e Sonnen e promete “fazer história”

A carreira de Vitor Belfort se encaminha para o fim, e o lutador, contratado pelo ONE Championship, principal evento de MMA do mercado asiático na atualidade, vai atuar, também, fora do cage. O “Fenômeno” se reuniu na última semana, no Rio de Janeiro, com o governador da cidade, Wilson Witzel, para tratar da realização do evento no país. E ele assegura que isso não vai tardar a acontecer.

Vitor Belfort concedeu entrevista exclusiva ao Combate.com e demonstrou entusiasmo com o projeto do ONE Championship. O ex-campeão do UFC espera estrear pela organização no estádio do Maracanã, no fim deste ano ou no início de 2020.

– A organização está indo para o Brasil. O One já já está abrindo um escritório no Brasil e o evento vai estar chegando aí em breve. A ideia é solidificar o esporte cada vez mais no Brasil. Vamos fazer história de novo. Fiquem atentos.

Belfort espera que o ONE consiga viabilizar o casamento de lutas contra atletas de outras organizações para, por exemplo, ser possível enfrentar Anderson Silva, Chael Sonnen, Wanderlei Silva e Fedor Emelianenko.

– (…) Um cara que eu adoraria poder lutar e todo mundo queria ver, era o Anderson. Quem seria o cara para o Anderson lutar no UFC? Não tem ninguém para ele lutar lá, só tem essa nova geração. Não é uma coisa que caia… O Anderson merecia lutar comigo de novo, é uma luta que eu adoraria ver. Eu e Wanderlei, eu contra o Chael Sonnen, eu contra o Fedor (Emelianenko). Tem muitas lutas legais, mas, para isso, os fãs têm que pressionar as organizações para que isso aconteça.

– Foi ótima a conversa, eles foram super abertos, são visionários. Estão revolucionando o esporte na Ásia, estão colocando os pés deles nos Estados Unidos. Quando eu assinei, eu falei: “Gente, existe um mercado… O Brasil não é só o grande exportador de talentos, mas do próprio esporte”. Tudo começou no Brasil, com a família Gracie, depois a criação do UFC com o Rorion Gracie e o Art Davie e houve uma evolução. O Brasil está um pouco abandonado com essa confusão politica, que afetou muito o país, tem a crise… mas é na crise que temos as oportunidades. Falei que queremos apoiar os promotores locais, fomentar o esporte, criar a base do esporte no Brasil. Temos que fomentar a base e, com um networking gigante, traremos um evento internacional com a minha presença no card.

– Eles querem um evento que possa marcar história. A visão do ONE Championship é trazer o que há de melhor nas artes marciais, um evento com várias disputas de cinturão, com outros esportes, como kickboxing, muay thai, boxe e MMA. É um evento que abraça a arte marcial por completo. Falar em arte marcial é falar de valores e de outras modalidades. O que falta hoje é algo diferente. Estamos chegando em um momento de fazer o esporte crescer no país.

Encontro com o governador do Rio, Wilson Witzel

– O Witzel foi nota mil (…). É gratificante levar um evento para a cidade que abraçou o esporte, tudo começou aí. O Carlson lutando no Maracanãzinho. O Estado e o país merecem um evento no Maracanã. Ele ofereceu o Maracanã, sabendo que o estádio também é do Mengão, mas quem sabe a gente não possa fazer algo grandioso e levar o evento que mais cresce no mundo? O Chatri (Sityodtong, fundador e CEO do ONE Championship) é visionário e, junto com os sócios dele, quer embarcar para o Brasil com uma estrutura apropriada para o esporte e para o entretenimento.

Previsão

– A gente fala em algo para o fim do ano ou início do ano que vem. Esse é o objetivo. Será algo duradouro, algo que a gente possa implantar. Tem o ONE Warriors ou ONE Heroes, que são eventos locais, que você cria o lutador para entrar na plataforma internacional. Eles já pensam no ONE Brasil. A gente vai entrar no Brasil com força. (…) Não queremos só entrar com o esporte, queremos gerar emprego, turismo, educação na arte marcial, implantar nas comunidades, ajudar as academias locais. O ONE tem o objetivo de ajudar as pessoas que já tenham seus projetos sociais, enfim, colaborar para que os novos talentos surjam.

Motivação

– Estou muito empolgado, muito feliz, é uma decisão muito sábia minha poder encerrar minha carreira em um evento como esse, de outro porte. Ali vai ser o encerramento dela, de maneira participativa. O esporte precisa entrar em uma revolução, e o ONE está abraçando essa causa em si. Estou muito satisfeito com essa oportunidade. Vai ser algo maravilhoso. É o que posso falar, vai marcar história. Não teve a luta do Muhammad Ali e do George Foreman, o Rumble in the Africa? Vamos para o Rumble in Brazil, o Rumble in the Wonderful City.

– Luta nunca é para mim, é para os fãs. O bom promotor, o bom agente, não é o que faz o produto para ele próprio, é o que faz o produto que as pessoas gostam. O Iphone não é o melhor telefone, mas é o que todo mundo quer. O ONE Championship quer algo para os fãs. O Chatri já avisou que está afim de co-promover com o UFC, com outras organizações, está aberto a fazer lutas que as pessoas queiram ver. Do que adianta fazer uma luta que ninguém quer assistir? A gente vê os promotores criando seus próprios heróis, querendo forçar goela abaixo.

Possíveis adversários

– Eu sempre fui um visionário no mundo da luta, me criticavam, mas chegou a hora de as pessoas pararem de pensar nos seus umbigos. (…) Os fãs querem ver o lutador do Bellator com o do UFC, o lutador do UFC lutar com o cara do ONE. Chegou esse momento e nada melhor do que fazer isso com as lendas. Exemplo… Um cara que eu adoraria poder lutar e todo mundo queria ver, era o Anderson. Quem seria o cara para o Anderson lutar no UFC? Não tem ninguém para ele lutar lá, só tem essa nova geração. Não é uma coisa que caia… O Anderson merecia lutar comigo de novo, é uma luta que eu adoraria ver. Eu e Wanderlei, eu contra o Chael Sonnen, eu contra o Fedor (Emelianenko). Tem muitas lutas legais, mas, para isso, os fãs têm que pressionar as organizações para que isso aconteça. No fundo, todas elas querem ganhar dinheiro, tem que ser algo que todo mundo ganhe. As lendas precisam começar esse novo feito, que irá acontecer. Acontece no boxe hoje em dia. Chegou o momento que as lutas precisam acontecer. Essas lutas vão ser necessárias e vão acontecer em breve.

Preparação

– Estou começando a treinar luta agora, venho de uma recuperação muito longa no meu ombro. Fiz uma cirurgia, uma limpeza, porque meu bíceps rompeu. Mas está tudo ótimo, até o fim do ano teremos boas notícias.Estou feliz, contente, grato. É passo a passo, um de cada vez. Tem uma regra que fala que a gente só consegue chegar a determinado lugar passando por um processo. Não tem como pular etapa. Agora é a etapa de plantar. O ONE chega para somar ao mercado brasileiro, o segundo maior do mundo no MMA. É um mercado que está abandonado.

Gostaria de levar algum talento para o evento?

– Tem muito lutador no Brasil sem opção, precisando de uma oportunidade. Tem o Cassiano (Tytschyo), a Cyborg virando free agent (agente livre), o (Rafael) dos Anjos, tem tanto cara bom… O ONE está querendo abraçar o Brasil, trazer os talentos, as pessoas que fazem parte da história, talentos que vão surgindo. A gente fala em Manaus, Rio de Janeiro, Sul, Bahia… Tem tanta gente boa. Em cada esquina deve ter, pelo menos, dez Belforts, Andersons, Ciganos, Minotauros, prontos para uma oportunidade. Muitos estão virando free agent, acho maravilhoso para o lutador. Se ele souber não entrar no jogo do promotor, não deixar a vaidade prevalecer… É entender que é um mundo de negócios. Isso falta ao lutador. Muitas vezes, o lutador entra em uma coisa pessoal, seja lutar por ombridade, ou por cinturão. (…) Acabei de ver a entrevista do Dana White falando da Cris Cyborg, pressionando-a para assinar. Ela está no momento dela, de virar free agent. Se souber usar isso a favor dela… As pessoas têm medo de arriscar algo novo, eu nunca tive medo. Em toda a minha carreira, meus altos e baixos, fizeram parte para eu aprender e passar adiante. O lutador, hoje em dia, tem opção. A visão do ONE é pegar a história do herói e dividir com as pessoas.

Adequação ao mercado brasileiro

O Brasil tem 60 milhões de apaixonados por esse esporte. Quando a gente fala em evento local, a gente fala em evento para o local. Por exemplo, queremos que o horário seja apropriado. Antigamente eu tinha que lutar 4h da manhã, dava dor no coração o pai ter que acordar a criança pra ver minha luta. Não é justo com o local fazer às 4h. Queremos tudo relacionado ao Brasil, vai ser um evento que vai marcar história para o brasileiro e exportado para o mundo. O ONE está em mais de 140 países, são 40 milhões de pessoas assistindo. Será um feito grandioso para o nosso país. Estou satisfeito de participar dessa próxima etapa da minha vida, fazer algo que sempre acreditei. Sempre revolucionei o esporte no Brasil, com o UFC. Ajudei muito o esporte, alavanquei, assim como outros atletas. É uma oportunidade muito boa.

Fonte: Globo esporte


There is no ads to display, Please add some

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *