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Conselho deliberativo do Cruzeiro agenda reunião para votar exclusão de Wagner Pires de Sá

A votação para julgar os atos de Wagner Pires e deliberar sobre a exclusão do conselho deliberativo do Cruzeiro já tem data. Edital formalizado nessa terça-feira marcou para 07 de fevereiro, com votação iniciada às 19h (de Brasília), no clube do Barro Preto.

A convocação do presidente do conselho deliberativo do Cruzeiro afirma que a decisão pela convocação obedeceu os “parâmetros trazidos pelo Estatuto do Clube”, bem com os regimentos internos do conselho deliberativo e da comissão de ética.

Wagner será o primeiro conselheiro a ter o caso julgado. A renúncia do ex-presidente ao cargo ocorreu em dezembro de 2019.

Em novembro, o ge trouxe com exclusividade os detalhes do processo (com 459 páginas) do ex-presidente. Dos 18 itens apontados na representação inicial contra Pires de Sá, a comissão de ética e disciplina considerou metade delas, qualificando-as como “graves” alguns atos de Wagner. São eles:

  1. Favorecer o filho ao empregá-lo e remunerá-lo no Cruzeiro
  2. Outorgar poderes “amplos e ilimitados” a Itair Machado, sem exigir prestação de contas, “cujos excessos praticados contribuíram para a insolvência do clube”
  3. Utilizar cartão corporativo para compras pessoais
  4. Incluir o clube como devedor solidário da dívida de R$ 10 milhões de Fred com o Atlético-MG
  5. Omitir ganhos excessivos na intermediação da venda de Mayke ao Palmeiras
  6. Aumentar em “valores vultuosos” as despesas do clube
  7. Remunerar com altos valores – “fora do habitual de mercado” – funcionários e dirigentes, além de conselheiros (que não poderiam ser remunerados)
  8. Autorizar o pagamento de mais de R$ 500 mil a Itair Machado por “fator gerador ocorrido antes da posse”
  9. Ceder a marca Cruzeiro ao Instituto Cinco Estrelas pelo valor de R$ 20 mil em 24 parcelas

Dentre as alegações não consideradas, duas foram citadas no relatório. A primeira de “desrespeito à instituição Cruzeiro”, por uma declaração no fim de 2019. A outra diz que não foi constatada intervenção de Wagner Pires na autonomia do conselho fiscal.

Das alegações consideradas, foram anexados, por exemplo, os extratos de remuneração do filho de Wagner Pires, Humberto de Sá. Ele, inclusive, acionou o Cruzeiro na Justiça do Trabalho. Também estão incluídos os extratos dos cartões corporativos do Cruzeiro, o contrato de mútuo com o empresário Cristiano Richard, além de contratos e documentos assinados por Itair Machado quando gestor do Cruzeiro.

A defesa de Wagner
Wagner Pires de Sá apresentou defesa em 22 de julho deste ano sobre as alegações. De maneira resumida, estes foram os argumentos dentro da investigação no Cruzeiro:

  1. Sobre o filho de Wagner Pires: a defesa informou que Humberto Pires de Sá possuía “capacitação compatível” para as funções pelas quais foi contratado, que o filho “revitalizou a Toca I, que se encontrava deteriorada”, e que Humberto foi remunerado de acordo com os valores praticados no mercado.
  2. Dos poderes de Itair Machado: defesa argumentou que as condições estavam dentro do regulamento geral do Cruzeiro
  3. Cartão corporativo: Wagner Pires argumenta que não existem provas e notas fiscais do “alegado consumo pessoal”. Ainda disse que as contas da gestão foram aprovadas pelo conselho deliberativo.
  4. Contratação de Fred: “se deu dentro dos valores de mercado”. A defesa argumentou que a contratação ocorreu em meio a uma grande oportunidade. Caracterizou a inclusão do fato como “oportunista”.
  5. Pagamento de intermediação na venda de Mayke: argumentou que era preciso contratar uma “empresa intermediária para viabilização do negócio”.
  6. Aumento de despesas: a defesa aponta que Wagner “sofreu consequências de décadas de administrações temerárias. Alegou que as contas da gestão foram “chanceladas” pelo conselho deliberativo.
  7. Altos valores pagos a funcionários e dirigentes: a defesa alega que as quantias eram “compatíveis” aos praticados pelo mercado
  8. Valores pagos a Itair Machado por serviços de 2017: a defesa argumenta que “os poderes conferidos” a Itair foram dentro do limite do regulamento do Cruzeiro.
  9. Venda da marca Cruzeiro ao Instituto Cinco Estrelas: Wagner afirma que não houve irregularidade e que o “direito de uso da marca foi regularmente adquirido e devidamente pago” e que não houve concessão de uso vitalícia.

Após a apresentação do relatório ao conselho deliberativo do Cruzeiro, a defesa do ex-presidente pediu uma nova produção de provas (periciais e testemunhais). O pedido da defesa do ex-presidente foi realizado em 25 de outubro do ano passado e deferido em novembro.

Wagner apresentou o pedido para colher provas testemunhais de seis conselheiros natos da Raposa: Lúcio de Souza, Paulo Roberto Lopes Soares, José Galvão Silveira, Eliezer de Sousa Mattos, Délcio Pinto da SIlva e Guilherme Oliveira Cruz.

Este foi um dos motivos para que o processo não fosse avançado. Outro motivo também foi os problemas internos dentro da comissão de ética e disciplina. Depois de ser afastado, o então presidente da comissão de ética e disciplina do Cruzeiro, Fernando Torquetti, renunciou ao cargo.

Outros processos
Há, pelo menos, cinco processos de conselheiros natos já entregues à mesa do conselho deliberativo. Todos com a sugestão para exclusão dos quadros de conselheiros. Quatro deles relacionados à remuneração recebida do clube enquanto conselheiros: Eliezer de Souza Mattos, Geraldo Parreiras Miranda Filho, Gustavo Perrella e Marco Túlio Martins.

Há ainda um caso do conselheiro conhecido como “João Doido” por “desrespeito à instituição”. Já foi sugerida a exclusão do conselheiro, também. O caso do conselheiro não se assemelha aos demais, por não se referir à investigação sobre sobre remuneração.

O caso de Gustavo Perrella foi o que gerou o pedido de afastamento do então presidente da comissão de técnica. O pedido partiu dos conselheiros Pedro Lourenço e Alvimar Perrella e foi aceito pela presidência da Raposa e pelo presidente do conselho.

Fonte: Divulgação


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