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Egídio celebra volta ao time após má fase e lembra críticas: “Prefiro receber tentando que me omitir”

Novamente com status de titular no Fluminense, Egídio mostrou seu lado sincero e sem rodeios na entrevista coletiva desta sexta-feira, no CT Carlos Castilho. Ao fazer um balanço de sua temporada, o lateral-esquerdo de 34 anos admitiu que viveu má fase no início do Brasileirão, a creditou à maratona de jogos e lembrou que, mesmo passando boa parte do campeonato como reserva, é líder em assistências e desarmes na equipe.

– Iniciei o ano como titular e e acho que fui bem, junto com o time. Mas a sequência de jogos pós-pandemia quarta e domingo foi muito forte. Joguei 11 ou 12 jogos seguidos quarta e domingo. Aquilo ali deu uma carga excessiva para mim. Pesa para qualquer um, para um garoto de 20 anos. E pesou para mim. Aí vieram as críticas, que não me abatem, assim como os elogios não me empolgam. Não tinha tempo para treinar. Era jogar, “descansar” e jogar de novo. Quando saí do time, pensei: “não tenho o que reclamar, agora tenho tempo para treinar”. Foi o que fiz. Treinei, me preparei, aguardei, respeitei o momento do Danilo, para que quando voltasse ao time, fosse em alto nível. Foi isso que aconteceu. Estou tendo boas atuações. Lógico que temos sempre a melhorar, é o que sempre buscamos. É manter nossos pés no chão, para seguirmos firmes e fortes para que cada vez mais cresçamos, não só individualmente, mas no coletivo.No Brasileirão, Egídio jogou 18 das 35 partidas do Fluminense. Começou a competição como titular, perdeu a vaga para Danilo Barcelos, mas recuperou seu lugar e tem iniciado os jogos desde a 31ª rodada. Mesmo com quase metade das partidas, o lateral lidera o time na competição em duas estatísticas: são cinco assistências (nove na temporada) e 67 desarmes. Dados que o veterano destacou na coletiva, em tom de desabafo:

– Eu fiquei muitas partidas no banco e não perdi a liderança de assistências. Sou líder isolado, com nove, e de desarmes também. E sou lateral. A maioria dos meus passes para gol foi de bola rolando, não foi bola parada. As pessoas veem só os erros. Por que sou líder de assistência? Porque eu tento, vou no fundo e cruzo. Se eu ficasse só ali atrás tocando de lado, talvez eu não recebesse críticas. Prefiro receber tentando do que me omitir e não vir as críticas e não ter números bons. Se os números estão significativos para mim continuarei tentando. Não me preocupo com o que vem de fora. É por isso que tenho essa retomada com as boas atuações. Penso no Fluminense. Vestir essa camisa, dar meu melhor dentro de campo. E é isso que está acontecendo.

Com o Fluminense muito próximo de assegurar uma vaga na Pré-Libertadores e na briga por uma vaga direta para a fase de grupos, Egídio terá na próxima segunda-feira uma nova oportunidade para tentar ajudar o Tricolor. A equipe enfrenta o Ceará, às 16h, no Castelão, pela 36ª rodada do Brasileirão.

– Estão fazendo uma boa campanha no Brasileiro. Time difícil, que já ganhou de vários grandes. Temos que ter cuidado. Tem o Vina, que está em boa fase, faz uma boa temporada. Mas temos representado bem. Temos entrado em campo e dado a vida. A concentração e a dedicação estão sendo os diferenciais do nosso time. Se a defesa não tem tomado gols, não é só pela linha de quatro. São os onze e mais os que entram que têm dado conta do recado. É irmos com esse pensamento, esse foco, para buscarmos um bom resultado.

Confira todas as declarações de Egídio
VAGA NA LIBERTADORES
Primeiro objetivo nosso é concretizar a classificação para a Libertadores. Tem oito anos que o clube não vai para a competição. Meu outro objetivo é disputar a competição. Já disputei sete, por clubes diferentes, e é o único título que não tenho. Já cheguei longe. Libertadores é o que estamos mostrando nos últimos jogos. A raça, o empenho, a dedicação. Time tem que ser aguerrido para jogar a Libertadores. Não adianta só ter qualidade, jogadores de nome. É um campeonato diferente. Temos que ter o espírito de Libertadores para pensar em algo grande. E se conquistarmos essa vaga, vamos lutar muito para conseguir esse título. Porque para mim e para o Fluminense será muito precioso.

PRÉ OU FASE DE GRUPOS
Lógico que estamos buscando nos classificar para a fase de grupos. Aí teremos um tempo a mais para nos prepararmos para entrar. Mas a vaga na pré também já é bom também. A questão é que ficamos com um tempo muito curto. Depois de uma temporada tão desgastante fisicamente e psicologicamente pela pandemia, ter um curto tempo para se preparar para disputar uma Libertadores é ruim. Mas futebol, às vezes, nos coloca nessa situação e temos que estar sempre preparados.

RELAÇÃO COM O ELENCO
Os experientes se juntam. Sempre estamos trocando ideias para ver melhoras em nosso grupo. Com os jovens também tenho uma boa afinidade. Troco muita ideia com eles. Passo bastante visão para eles. Já fui um moleque. E aprendo com eles também. São bons de bola, promessas. E escutam. Não são esses moleques folgados. Eles respeitam a história de cada um e querem fazer a história deles. Isso é importante para quem quer chegar a algum lugar.

ROGER MACHADO
Não estou sabendo de nada. Nosso foco é o Brasileiro. O Marcão está focado, fazendo um bom trabalho junto com a comissão. Colocando o Fluminense onde é o grande objetivo, que é a Libertadores. Sabemos da capacidade do Roger. Se ele vier, será muito bem-vindo. Vamos recebê-lo de braços abertos, como o próprio Marcão falou na coletiva.

CRÍTICAS X ELOGIOS
Recebi muitas críticas. Mas não fiquei acompanhado. Quando as pessoas me veem na rua não falam, respeitam. É mais por rede social. Elas vêm quando você não se omite. Você quer sempre estar ajudando o time. As críticas normalmente vêm para os que se expõem. Eu não tenho medo de me expor. Eu quero sempre estar ajudando o clube. E quando você acaba se expondo, a tendência é que você erre um pouco mais. E nessa questão de eu voltar, retomar meu lugar e voltar a jogar bem… Eu não olho rede social. Minha esposa também não. Realmente não ligamos para críticas e não nos empolgamos com elogios. Procuramos um equilíbrio. Não olhava rede social e treinava, me preparava, para quando voltasse, estivesse bem. E, graças a Deus, tenho tido boas atuações.

CAMPEONATO SEM TORCIDA
Diferente, campeonato atípico. Está um mundo diferente com a pandemia. A volta dos jogos sem torcida parecia treino – apesar de sempre jogarmos para valer. Mas depois você vai acostumando com o tempo. Mas lógico que queremos que as coisas voltem ao normal. Não tem coisa melhor do que jogar com o estádio cheio.

MANDANTES X VISITANTES SEM TORCIDA
No início foi muito ruim jogarmos sem torcida, para nós, que estamos acostumados com grandes públicos. Depois você vai acostumando. Esse canto que colocam no alto-falante acho interessante. Dá um aspecto a mais de jogo. Mas, lógico, se a torcida tivesse presente, acredito que estaríamos melhor. Mas estamos fazendo uma boa campanha, o time está jogando bem. Espero que na próxima temporada volte tudo ao normal. Para que os torcedores possam voltar ao estádio torcer e nos incentivar, para que melhoremos cada vez mais e cheguemos em lugares ainda mais altos.

Fonte: Globo Esporte

 


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