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Lucão explica máscara durante jogos e revela cuidado com o filho: “Tenho um pouco de medo”

Ao final do rali, Lucão se afasta dos companheiros por alguns segundos. Sem ninguém à sua volta, desce um pouco a máscara e respira. Como de costume, o central é o único dentro de quadra a usar a proteção contra a pandemia de coronavírus. Desde o retorno do vôlei brasileiro, com a disputa do Campeonato Paulista, Lucão tem treinado e jogado sempre assim pelo Taubaté. Tanto cuidado tem algumas explicações.

O Taubaté entra em quadra nesta terça-feira para a estreia na Superliga Masculina. A equipe do interior paulista encara o Uberlândia na casa dos rivais. Os times se enfrentam às 21h30, com transmissão do SporTV2.

No esporte profissional, são poucos os atletas que têm atuado de máscara. No Brasil, Lucão é o único que tem jogado o tempo todo assim. Seu companheiro de time, Maurício Borges, também começou a usar em alguns momentos. Ainda que o uso da peça durante a prática esportiva não atraia muitos fãs, profissionais ou não, o central da seleção diz não ter sentido nenhuma perda de desempenho. Assim, optou por seguir de máscara fora ou dentro de quadra.

– Eu tomei essa opção de usar a máscara desde que os treinamentos voltaram com um grupo maior. Primeiro porque a gente não tem controle sobre o vírus, mesmo fazendo testagem a cada 14 dias. Mas existe esse lapso no meio, e a pessoa pode ser infectada ou não. Eu sei do jeito que estou me cuidando, mas sei que posso pegar. São muitas pessoas para ficarmos de olho, sem saber o que estão fazendo no dia a dia. Foi um jeito que eu achei de minimizar a chance de contrair a doença para não ter que parar – disse o central.

O principal fator, porém, foi com o cuidado dentro de casa. Com uma rotina intensa de treinos e jogos, Lucão se preocupa com a saúde de seu filho, Théo, de quatro anos.

– Outra coisa também é que meu filho tem sintomas de febre direto a cada 15, 20 dias, porque tem um pouco de problema de garganta e bronquite. Então, tenho um pouco de medo.

A decisão de usar a máscara durante os jogos foi bem aceita no Taubaté. Lucão diz que a peça, claro, incomoda em alguns momentos, principalmente nos ralis mais longos. Mas, como o vôlei exige menos da parte aeróbica, o uso foi facilitado.

– Desde o começo, deixaram a opção. A máscara incomoda um pouco, principalmente na partde de cárdio, que exige um pouco mais, na hora de um rali. Mas a sorte é que, no nosso esporte, é mais de explosão, os ralis são mais curtos, às vezes é só uma ação que você faz. No vôlei masculino, então é menos ainda. No vôlei masculino é menos ainda. Quando o rali dura 10 ou 15 segundos, já é muito. Isso facilita muito o uso da máscara, principalmente em relação ao futebol, ao basquete, que exige mais essa parte aeróbica. Claro, quando tem um rali, me afasto, levanto a máscara para poder respirar normalmente. Mas, na grande maioria das vezes, é tranquilo.

A ideia, segundo Lucão, é seguir usando a máscara até a liberação da vacina. Apesar de todo o cuidado, o jogador acredita que não seria possível esperar por mais tempo para que os esportes voltassem. Diante do cenário econômico do esporte e da sociedade brasileira, Lucão afirma que a única solução é se cuidar.

– Querendo ou não, o Brasil e o vôlei, entre outros esportes, não são como a NBA, que pode usar o orçamento de US$ 1 bilhão para montar uma bolha e todo mundo jogar lá. Ainda mais porque estamos em uma pré-temporada, estamos no início. Não é como lá, que já estavam nos playoffs. É mais fácil de juntar as equipes e jogar. Então, estamos correndo riscos, riscos que eu julgo necessários para que o esporte volte a rodar, para que as pessoas voltem a estarem empregadas, para que os patrocinadores tenham visibilidades e para que o público tenha entretenimento também. Então, vejo com naturalidade essa volta. Vamos nos cuidar ao máximo.

Fonte: Globo esporte


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