- Política

Para Aécio, delação valia contra Dilma, em 2014, mas não contra ele, agora

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi à tribuna da Casa responder sobre os crimes atribuídos a ele. O tucano disse que acusações em delações não devem valer e que há “mentiras e omissões” na delação do empresário da JBS, Joesley Batista.

“O que se busca, na verdade, dando voz e credibilidade ao que diz o senhor Joesley, repito, cuja delação foi questionada pela PGR [Procuradoria-Geral da República] pelas suas mentiras e pelas suas omissões, nós estamos seguindo 1 caminho para absolver o culpado e condenar o inocente. E sei que este não é o papel da Justiça brasileira”, disse durante discurso de 20 minutos feito na noite de 4ª feira (12.dez.2018).

Foi o pronunciamento de despedida de Aécio do Senado. A partir de fevereiro de 2019, o tucano assumirá mandato de deputado federal.

Em 2014, entretanto, o advogado do tucano, Eduardo Alckmin, defendia derrubar a eleição de Dilma Rousseff (PT), e colocar Aécio, 2º lugar das eleições de 2014, na Presidência, com base na delação do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa.

A ideia era usar a delação para impedir Dilma de assumir o Planalto. Leia a íntegra.

O principal argumento utilizado pelo PSDB para pedir a declaração de inelegibilidade de Dilma era o de que campanhas do PT teriam sido financiadas com dinheiro de corrupção, o que tornaria a eleição da petista “ilegítima”.

O partido destacava que Paulo Roberto Costa havia afirmado ao Ministério Público Federal, em colaboração premiada, que a campanha de Dilma para a Presidência, em 2010, havia recebido recursos de desvios cometidos na Petrobras.

A representação reforçava que, segundo Costa, o pagamento de campanhas com recursos PT e o PMDB (hoje MDB) eram os maiores beneficiários do esquema de corrupção.

“Resta evidente, portanto, que o dinheiro desviado da Petrobras financiou direta e indiretamente a campanha dos requeridos, não se podendo olvidar que os 2 partidos que mais receberam recursos das empreiteiras envolvidas com o escândalo da Petrobras foram o da candidata a Presidente da República, o PT, e o do candidato a vice-presidente da República, o PMDB”, escreve o advogado de Aécio em trecho da representação.

O que é a Operação Ross
De acordo com depoimentos de Joesley Batista e Ricardo Saud, do grupo J&F, o senador mineiro captou R$ 128 milhões em vantagens indevidas, sendo R$ 109,3 milhões para a campanha presidencial de 2014.

O dinheiro teria sido destinado ao próprio Aécio e a 12 partidos que o apoiaram na disputa presidencial, como o DEM, Solidariedade e PTB.

Com base nesses fatos, os investigadores deflagraram a Operação Ross e pediram ao Supremo Tribunal Federal uma série de mandados de busca e apreensão contra Aécio e outros congressistas.

O mineiro afirmou no seu último discurso como senador que tem vivido “dias extremamente difíceis“, mas que “não perde a fé“. O ex-presidente do PSDB nega as irregularidades e disse que Joesley manipulou as acusações.

Fonte: Msn


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