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Polícia indicia 14 pessoas após agressão a médica que tentou acabar com festa no Grajaú

A Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou 14 pessoas no caso da médica Ticyana D’azambujja, que foi espancada por frequentadores de uma festa no Grajaú, na Zona Norte do Rio, como mostrou o RJ2 nesta terça-feira (7).

Ticyana foi agredida no dia 30 de maio, ao tentar impedir a festa na pandemia.

Todos os 14 indiciados vão responder por infração sanitária preventiva – por participar de uma aglomeração no meio de uma pandemia. A pena pode chegar a 1 ano de prisão.

Cinco indiciados por lesão corporal
Além disso, o proprietário da casa, Rafael Presta – que aparece nas imagens carregando Ticyana – e Rafael Pereira – que agrediu a médica e socou um vizinho que desceu para tentar ajudá-la – foram indiciados por lesão corporal grave. O dono da casa também está proibido de fazer novos eventos.

Outras três pessoas vão responder por lesão corporal leve.

“Ela tava combatendo a pandemia e o fato dela por 30 dias estar afastada disso já caracterizou a lesão grave e, dependendo do caso, isso vai demorar alguns meses pelo laudo pericial, alguns meses se comprovada a incapacidade permanente pro trabalho, pode ser aditada a denúncia para lesão gravíssima”, explicou o delegado André Neves, que está à frente das investigações.

A Polícia Civil concluiu o inquérito depois de analisar imagens de dezenas de câmeras de segurança e ouvir mais de 30 depoimentos. Chamou a atenção do delegado a festa contar com agentes da lei, das polícias Civil e Militar, que nada fizeram para proteger a médica.

Por isso, além da infração sanitária, eles também foram indiciados por prevaricação, quando o funcionário público deixa de agir diante de um crime por interesse próprio.

“É levado em consideração até por não evitar a prática do delito, de tudo que tava acontecendo, por isso o indiciamento também pela prevaricação, e será encaminhado para a respectiva Corregedoria para apuração da transgressão disciplinar”, disse Neves.

Ticyana comentou a conclusão do inquérito.

Relembre o caso
Ticyana diz que tinha chegado de um plantão de 24 horas e não conseguia descansar, por causa do barulho de uma festa na casa ao lado. Ela contou que acabou perdendo a cabeça e quebrou vidros e um retrovisor de um carro.

Mas logo foi alcançada por um grupo que começou a espancá-la.

O carro quebrado pela médica é do sargento do Batalhão de Choque Luiz Eduardo Salgueiro. Ticyana afirma que foi ameaçada pelo PM e pela mulher dele.

Imagens do dia das agressões mostram Ticyana tentando fugir, correndo no meio da rua.

Ela para um motoboy, parece pedir ajuda e tenta subir na moto. Mas não consegue e é alcançada por dois homens que a agarram. A médica ainda segura na moto, mas leva socos do motoboy. Na sequência é levada e fica caída no chão.

Em entrevista ao RJ1 no dia em que foi registrar o caso na delegacia, a médica disse que as festas na casa do vizinho eram frequentes e que não pararam durante a pandemia de Covid-19. Ela contou ainda que que já tinha ligado para a polícia várias vezes, mas não adiantava.

Dias depois das agressões, moradores do Grajaú fizeram um panelaço pedindo justiça para a vítima.

Lesões físicas e emocionais e recuperação
Mais de um mês depois de ter sido espancada, Ticyana ainda se recupera dos ferimentos. Ela teve ossos do joelho quebrados, passou por cirurgia e ainda precisa de um andador para caminhar. Sem poder trabalhar, ela diz que ainda se sente emocionalmente abalada.

“Eu ainda estou me reestruturando. Acho que agora é que eu comecei a digerir sobre todas as mudanças que aconteceram na minha vida”, disse a médica.

Além das agressões físicas, Ticyana disse que sofreu prejuízos emocionais desde o ocorrido.

Segundo Ticyana, o ortopedista estima que ela ainda precise de três meses de recuperação para retomar suas atividades normalmente.

“Tudo atrofiou. Agora, recentemente, é que eu posso ficar em pé. Com a ajuda do andador eu posso fazer minhas atividades, mas ainda está muito longe do normal.

Fonte: Divulgação


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