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Bruninho diz ter negado apoio à oposição por atuação de Ary Graça nos bastidores: “Não compactuo”

Quando o resultado da eleição do último domingo foi anunciado, Bruninho logo ganhou o papel de alvo. Nas redes sociais, o levantador do Taubaté e da seleção brasileira foi acusado de apoiar a chapa vencedora, formada por Walter Pitombo, o Toroca, e Radamés Lattari, que já estavam no comando da Confederação Brasileira de Vôlei. Houve, inclusive, quem divulgasse um possível voto do jogador a favor dos candidatos, na contramão da grande maioria dos atletas. Em entrevista ao ge, Bruninho, porém, nega qualquer apoio à chapa da situação.

De acordo com a divisão de votos da assembleia eleitoral, Bruninho não tinha direito a voto. O jogador fazia parte da comissão de atletas de vôlei de quadra, representados pelo levantador Raphael, seu companheiro de Taubaté, e pela ponteira Amanda, do Sesc-Flamengo. Antes das eleições, a comissão fez uma pesquisa com jogadores da Superliga A para definir qual chapa seria apoiada. O apoio à oposição foi maciço. Bruninho, então, admite ter saído de cena. Mas a razão, ele diz, é outra.

Nos bastidores, afirma-se que a chapa de oposição teria recebido o apoio de Ary Graça, ex-presidente da CBV e atual mandatário da Federação Internacional de Vôlei, a FIVB. O dirigente, inclusive, teria feito campanha para que Marco Túlio Teixeira e o ex-líbero Serginho assumissem a entidade. Em 2014, Ary Graça foi o centro de uma série de irregularidades em contratos da CBV com o Banco do Brasil. O escândalo afetou contratos e a imagem do vôlei nos anos seguintes. Bruninho afirma que não poderia apoiar a chapa de oposição com o apoio de Ary nos bastidores.

– Eu não tenho voto, a comissão de atletas é representada pelo Rapha e pela Amanda. E eles, através do que conversamos e da pesquisa, achamos altamente democrático (o apoio à chapa de oposição). Começaram a me cobrar que eu me posicionasse, mas eu não preciso me posicionar nas redes sociais sempre. Venho conversando com Serginho. É meu maior ídolo, um grande amigo, um irmão. Tenho o maior carinho e admiração, não só por ele, mas também ao Gustavo, ao Giba, ao Rodrigão (ex-jogadores, que fizeram campanha pela chapa). Mas eu tenho algumas fontes nos bastidores de todo o sistema. E sei que o Ary estava participando, sendo uma das pessoas mais importantes no convencimento de certas federações – afirmou.

– Eu não compactuo com isso, não posso vir a público declarar apoio, não apoiaria publicamente em nada que seja ligado ao ex-presidente. Porque sabemos de todo o escândalo de corrupção, tudo o que o vôlei foi atingido.

Marco Tulio e Serginho eram os candidatos de oposição — Foto: Divulgação
Marco Tulio e Serginho eram os candidatos de oposição — Foto: Divulgação

Bruninho lembra que Marco Túlio era um dos diretores na época em que Ary Graça presidia a CBV. O levantador afirma que conversou com Serginho e com outros atletas e explicou seu posicionamento, ainda que o apoio do dirigente não fosse oficial. Em contato com o ge, a chapa de oposição não nega o apoio de Ary, mas afirma que o dirigente não fez parte da campanha e que sequer conversou com Marco Túlio e Serginho sobre temas a serem abordados no projeto.

– Túlio era um dos diretores, tinha essa ligação. Sou contra e, por isso, não colocaria meu apoio. Eu já falei abertamente para eles. Essa não é uma maneira de renovar, com uma pessoa dessas por trás. Todos os escândalos de 2014, e, por muitos desses escândalos, continuamos hoje a sofrer. O vôlei tem falta de credibilidade, investigados ou não. A gente sabe que continua respingando até hoje no vôlei. Perdemos patrocínios, o Banco do Brasil cortou boa parte. Às vezes fico pensando se as pessoas têm memória curta ou se querem ser cegas. Não estou dizendo do Serginho, acredito que ele não saiba, muitos não sabem. Mas, se nós queremos buscar algo, é muito importante ter a mobilização dos atletas, como houve agora, mas com pessoas idôneas, sem problemas e escândalos – disse o levantador.

Apesar de não apoiar a chapa de oposição, Bruninho afirma que também não está totalmente ao lado da chapa vencedora. O levantador acredita que houve avanços nos últimos anos, com um melhor diálogo entre CBV e atletas. Mas que ainda há muito a ser feito.

– Eu acredito que existe uma abertura da CBV. Precisa de melhorias, precisam estar mais ligados na evolução. Não sou a favor perpetuação do poder. Houve falta de comunicação, má gestão dentro de algumas situações. Mas tenho conversado com o Rapha, há uma abertura, não tem tido nenhum tipo de falcatrua, má fé. Se eu tivesse que votar, eu anularia meu voto, seria difícil, acredito no poder do voto. Mas é muito complicada essa situação; é uma sinuca de bico. Por isso que eu, Rapha, (Fernanda) Garay e Renatinha achamos que era importante escutar, sermos democráticos. Mas espero de coração que os atletas saibam se mobilizar para buscar as respostas que queremos da atual gestão, tenho fé que isso vá acontecer. É a maneira correta para fazer o barulho do bem, não só batendo – afirmou.

Um dos pontos mais críticos, segundo Bruninho, é o sistema eleitoral. No atual modelo de votação, as federações estaduais ganham uma força muito maior que os outros votantes.

– Acho que deu para entender nessa votação que nós temos, primeiro de tudo, que pressionar e continuar buscando uma mudança no sistema de votação. Ficou mais do que claro, para atletas, treinadores, todos, que existe disparidade muito grande entre o peso das federações e do resto. Temos de continuar lutando. Já mudou algo, mas não é a forma correta e justa – disse o levantador.

Fonte: Globo esporte


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