- Esportes

Senna e Mansell tiveram no Estoril um dos entreveros mais famosos, há exatos 30 anos

Há exatos 30 anos, no dia 24 de setembro de 1989, Nigel Mansell e Ayrton Senna tiveram uma de suas batalhas mais famosas – e inúteis – em anos de disputas na Fórmula 1. Isso porque o Leão já estava desclassificado do GP de Portugal e, mesmo assim, atacou o brasileiro na briga pelo segundo lugar. Como dois famintos em busca de um prato de comida na hora do almoço, os dois foram cegamente rumo a um toque e a um abandono duplo na caixa de brita do Estoril.

Ayrton precisava desesperadamente da vitória em Portugal, já que tinha 20 pontos de desvantagem para o companheiro de equipe Alain Prost. Só que no Estoril a Ferrari finalmente ofereceu resistência à McLaren. Na classificação, Senna até fez mais uma pole, mas com Gerhard Berger e Nigel Mansell em segundo e terceiro, e Alain Prost em quarto.

Dada a largada, Berger pulou melhor do que Senna, que sofreu para manter o segundo lugar. Sem ter nada a perder, o austríaco forçou o ritmo nas primeiras voltas, enquanto o brasileiro imediatamente foi atacado por Mansell. Na volta 8 de 71, o Leão passou com facilidade por Ayrton e começou a atacar Berger.

As Ferraris faziam uma corrida à parte, enquanto Senna tentava poupar os pneus, até porque Prost não lhe ameaçava. Na 24ª volta, Mansell alcançou e passou Berger, também no retão. O francês foi o primeiro a fazer o pit stop, enquanto Berger e Senna pararam a seguir. Líder, Mansell foi o último a trocar os pneus, e o fez após uma “lambança genial” nos boxes.

Mansell entrou “quente” demais no pit lane e passou do ponto de freada. O Leão quase atropelou seus mecânicos, que, ao tentarem puxar de volta o carro para a posição de pit stop, viram Mansell simplesmente engatar uma marcha-a-ré, algo terminantemente proibido por regulamento. Nigel certamente seria punido, só não se sabia de que forma.

Alheio ao seu destino, como sempre Mansell cerrou os dentes e partiu para a recuperação. Com Berger longe, o objetivo passou a ser recuperar o segundo lugar de Senna. Quando encostou no brasileiro, a bandeira preta foi agitada, indicando a desclassificação do inglês. Por três voltas, o Leão ignorou a bandeira e seguiu acelerando. Até que os dois carros bateram no fim da reta…

Fora da corrida, um desconsolado Senna ficava de cabeça baixa, enquanto Mansell jurava por tudo que lhe era mais sagrado que não havia visto a bandeira preta. Furioso, o chefão da McLaren, Ron Dennis, foi tirar satisfações do ferrarista Cesare Fiorio. Senna, que também disse não ter visto a bandeira preta mas não tinha entendido a mensagem de rádio informando a desclassificação de Mansell, disse que Mansell havia agido de propósito.

Quem sorriu de orelha a orelha foi Prost, que não só herdou um improvável segundo lugar, como viu Senna perder mais pontos decisivos na briga pelo título. Não importava que Berger estivesse longe, e a vitória seria quase impossível. A segunda posição era uma vitória para o francês.

Sem ser incomodado, Gerhard Berger tocou com tranquilidade para conquistar sua primeira vitória numa temporada marcada pelo acidente de Imola e por uma série de quebras. Já acertado com a McLaren para 1990, o austríaco obteve sua última vitória na primeira passagem pela Ferrari.

Quanto a Prost, o segundo lugar estava de excelente tamanho, já que sua vantagem sobre Senna passava a ser de 24 pontos. Qualquer outro resultado que não fosse uma sequência de três vitórias de Senna nas três corridas finais do campeonato daria o tri ao francês.

No tenso GP de Portugal de 1989, um resultado improvável e curioso se deu com um impressionante terceiro lugar do sueco Stefan Johansson com o modestíssimo carro da Onyx, equipe liderada pelo folcórico belga Jean-Pierre van Rossem.

Johansson levou seu carro com cuidado sem trocar os pneus e contou com as quebras das Williams-Renault de Riccardo Patrese e Thierry Boutsen para terminar no pódio. Curiosamente, o carro de Johansson quebrou metros depois da linha de chegada…

Depois da corrida, Mansell foi multado em US$ 50 mil e impedido de disputar a prova da Espanha no fim de semana seguinte. O Leão seguiu afirmando que não viu a bandeira preta e que esse episódio lhe fez cogitar até abandonar a Fórmula 1.

Ironicamente, cinco dias depois da polêmica do Estoril, Senna ignorou uma bandeira preta agitada para interromper um treinamento em Jerez de la Frontera após um acidente. O brasileiro, que demorou a reduzir o ritmo, alegou que não tinha visto a bandeira…

Fonte: Globo esporte


There is no ads to display, Please add some

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *